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Full text of "O districto de Mossamedes"

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J. PEREIRA DO NASCIMENTO 



O CISTRICTO DE MOêSAMEDES^ 



EDIÇÃO ILLUSTRADA 



FE.Il,aEIH,A. F-fl^RTB 



Colonisação Europêa 



Izrtr^liíi^^lzilzíísííiil^lSl^tífcHl^l^tííS^i&ílzídi i^líi 



9i- lu dt Bitni Ir \iliciii-3( 






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o DISTMCTO 



MOSSAMEDES 



J. PEREIRA DO NASCIMENTO 

lEMCII ti IRIUIM lEIl. 



iji — Ili-A no Dumci DP. XoTírrA^ — 1)4 



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o DISTRICTO 



MOSSAMEDES 



J. PEREIRA DO NASCIMENTO 



NEDICO U IHHint REU 



1)1— HlA nf) DiAHIO DE XoTir.lAli. — l^ 

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A SUA EXCELLENCIA 



O ctfOselheiro d'Estado 



<Senzíaitc òc cBazzoò Gomcò 



DEDICA ESTE MODESTO TRABALHO 






A SUA EXCELLENCIA 



o CONSELHEIRO 



Guilherme Augusto de Brito Capello 



GOVERNADOR GERAL DA PROVÍNCIA DE ANGOLA 



OFFERECE 



O Q4UCT0R 



A m ExcEwiA tmoniA 



D. Iínioiiio Ihohiiz da Silva Leitío í Castro 



BISPO DE ECHINO 



OFFEBECE 



fJ AlICTOU 



ÍNDICE DAS GRAVURAS 



1. 

± 

3. 

4. 

o. 

6. 

7. 

8. 

9. 
10. 
11. 
12. 
13. 
14. 
15. 
16. 
17. 
18. 
19. 
20. 
21. 
22. 
23. 



Pag. 

Vista paiioraiiiicíi de Mossauietles 22 

Urna casa cin Mossaiiiedes — um carro bóer 24 

Fortnleza ile S. Fernando 26 

Grupo de croanças de Mossamedes 30 

 Tampa — propriedade agrícola do snr. Cosia Jubim *. 32 

Propriedade agrícola do snr. Luiz Rodrigues, no Moninho 36 

Boers 56 

Colónia Sá da Bandeira em 1891 62 

Primeiros trabalhos e construcçGes na colónia Sá da Bandeira 66 

Grupo de creanças da colónia Sá da Bandeira 70 

Povoação da Huilla 78 

Propriedade agrícola no valle do Lupôlo 80 

Uma propriedade agrícola na Huilla 81 

Carlos Maria, anci ao portuguez de 98 annos de idade 85 

Vista da missão da Huilla 88 

O rev.''° padre José Maria Antunes 92 

Grupo de educandos e pessoal superior da missão 96 

Colónia de S. Pedro da Ghíbia 100 

Os primeiros colonos da Chibia 102 

Grupo de creanras da colónia da Chibia 104 

Primeiras construcçOes da colónia — uma rua 106 

Primeiras construcçôes do estado 108 

Estudo do traçado do caminho de ferro pelo engenheiro Machado — acampa- 
mento no Giraul 144 



Carta geographica do plan'alto 48 






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— 111 — 
CAPITULO IV 

A ZONA ALTA 

l.iiijileíi »' siluaçiío geograpliica — A cordilheira ila (>h<'l la — Fortellas do Bruko, da 
Leha. da Kileinlia, do Taiidirikila h do Hoke — Allitiido — TerriMios — Divisila e 
aptidões agrícolas — S\sleiJia fluvial — í) Kunene, o Kaculovar e o Nené — Regi- 
men pluvial — Eslarâo das chuvas — KslaçAo S4M-ra — Temperaturas — Adaptação 
tia raça hranca Pa«;. 37 a 30 

CAPITULO V 

CONCELHO DA HUMPATA 

Situarão e limites geograpíiicos — Systema orographieo e rede fluvial -('olonia de S. 
Januário — Sua fundacríto — População — Deseripçáo — Colónia da Palanka — Os 
boers e os seus serviços â nossa cnusa — Os seus usos e costumes — Parallelu com 
o colono madeirense — Terrenos e afrrimiltura — Despex a feita cotn a colónia — 
Mappas estatisticoii da poptilaçáo. producçuo, iiidustria, etc Pag. 31 a 62 

CAPITULO VI 

CONCELHO DO LUBANGO 

Situaçáo e limites — (Colónia Sá da Bandeira — Bacia do Luhango — Descripçilo oro- 
jzraphica e fluvial — P^undaçâo da colónia — Defeitos da colonisação madeirense 

— Má escolha dos terrenos — Descripção da colónia — Construcçôes dos colonoíí — 
Conselhos e preceitos hygienicos — Decadência da agricultura — Colónia do Câcu- 
lovar — Causas do seu alrazo — Descripçáo da colónia — Despeza com as colónias 

do Lu])ango — Mappas estatisticos da populaçílo, producçSo, industria, etc. Pag 63 a 78 

CAPITULO VII 

CONCELHO DA HUILLA 

Situação e limites — Área — Systema orojíraphico e rede fluvial — Os rios Lupolo, 
Mucha e Chimpumpunhime — Agricultura — Considerações — Povoação da Huilla 

— Tentativas de colonisaçilo europf\i. — 0« colonos livres — Decadência da Huilla — 
Propriedades agrícolas do valle do Lupolo — Mappa estatístico da populaçáo. pro- 
ducçAo, etc. — Missáo catholica da Huilla — Descripçilo — Institutos dos rapazes e 
raparigas — Agricultura — Ensaios agrícolas — Missão do Jau e aldéa christan — 
Fundação da missiXo — O padre Duparquet — Ujua opiniáo valiosa sobre a missílo 

— Serviços prestados â humanidade e á nossa causa na Africa — Influenciados 
missionários — Elogio dos exploradores Capollo e Ivens — Escola agrícola de Cin- 
tra — Decreto concedendo-lhe um subsidio e considerando-a instituição auxiliar do 
padroado — Protectores da missáo — Mappa estatístico da população, producçáo, 
industrias, artes e oflicios — Colónia de S. Pedro da Chibia — Seu valor — Historia 
da sua fundação — Terrenos — Agricultura — Descripção da colónia — Propriedade* 
iígricolas — Sua influencia na educação do colono madeirense — Despezas — Creação 






. P^^-. 117 a 135 

/ / ^l: HO hK VVAKW) 

.* > . «uiclMiMitM n|iMiiti(MloM (•xplora(Jon*hCappl)o4' Ivens 

.( ni H (III |)í'^iiii)iiíim|i»ii niliinuH- (Mra(*a(io (lo engenheiro 

/, /l MMUMi n|ilhiihi i|i) yulliiir' Oh rtini indo» lie ferro ecoiio- 

i, ,1 jiiiiiiin' I fMH|h'li'nli'í» (MI\ro 4le M. Regis Tarlar) — Cal- 

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ADVERTÊNCIA 



Aconselhado pelo sábio philologo, o Rev.**° Padre José Maria An- 
tunes, benemérito Superior da Missão da Huilla, adoptei n'este modesto 
trabalho, tanto no texto. como nos mappas, o alphabeto de Lepsius, afim 
de dar uniformidade á maneira de escrever os termos gentilicos do dia- 
lecto lumbundo. 

Nada mais confuso e desanimador para quem consulta livros de ex- 
ploração e mappas africanos do que a diversidade de typos alphabeti- 
cos, com que os authores escrevem as palavras de origem africana, 
vendo-se, nào raro, o mesmo termo escripto de mil modos, conforme a 
Índole da lingua do author. 

Para evitar estas diversidades e estabelecer um systema universal 
de escrever os termos africanos conforme a vocalisaçáo própria da lín- 
gua bantu e seus derivados, propor o Dr. Lepsius um alphabeto, que 
mereceu a approvação de africanistas distinctos e tem sido adoptado 
em grammaticas, diccionarios e livros de explorações. 

Resume-se o alphabeto de Lepsius no seguinte : 



A, E, /, O, U, pronunciam-se com o mesrao valor phonetico qoe 
teem na língua espanhola ou italiana; havendo para a portuguesa a dif- 
ferença de que A^ e O no final das palavras não sdo mudos. 



B^ Z>, f\ K. L, J/, S\ P, /?. 7*, T'' pronuneiam-se como nas línguas 
latinas. As restantes consoantes soffrem modificações, que se resumem 
no seguinte: 

C suhstitue-se por A". 

C antes de E e I soa como S, 

G antes de qualquer vogal tem o som de GUE e nunca de JE 

H é sempre aspirado como o /da hngua espanhola. 

J não tem equivalente: é substituído polo som DY. em que o Y 
representa uma modulação que molha a vogal seguinte ou o próprio 
som de Z quando o Y figura antes de consoante. 

Q substitue-se por K. 

S substitue C antes de E e í mas nunca tem o som de Z, quando 
entre vogaes. 

Xe CH nko teem equivalentes; substituem-se pela modulação 7*1^ em 
que o Y molha a vogal seguinte ou o próprio som de/, quando se segue 
consoante. Sobre esta vocalisaçào ha divergências entre os authores; uns 
representam-na por TJ, e outros por TVH e outros ainda por Cl da 
língua italiana. Como exemplo cita o termo CHAHUXGO^ como o 
escrevem alguns authores portuguezes. A syllaba CHA^ como nós a 
pronunciamos, nào existe nos dialectos africanos; pronuncia-se collo- 
cando a ponta da língua no vei-tice da arcada dentaria superior e mo- 
dulando com os lábios o som correspondente á vogal, que sae com um 
som molhado. Assiiíi a palavra CHAHUNGO soa como TCHAHUN- 
GO ou TJAHUNGO ou como CIAHUNGO dando ao CTo som mo- 
lhado que teiii na língua italiana > 

Segundo Lepsius o Y nào representa o som da uma letra; serve 
s)mente para cxuimunicar a modulação molhada á vogal seguinte. Ou- 
tros authores admíttem que Y antes de consoante molha o som de /. 
Assim, as palavras que no Humbe se pronunciam CHITIRE, CHI- 
PO LA e CHIPELONGO, sei-ào escriptas, segundo Lepsius, TYI- 
TIRE. TYIPOLA e TYIPELONGO, como porém nas línguas la- 
tinas o Y soa como 7, nào ha vantagem em escrever o / depois do 
F, quando a elle se siga uma consoante; o' F toma o som de/ moí/ia/o; 
por isso escrevo TYTIRE. TYPOLA, TYPELOXGO, 

Muitos termos gentílicos adoptados na língua portugueza, escrevo-ôs 
conforme o uso, dando-os entre parentheses com a phonaçào gentílica 
representada pelo alphabeto de Lepsius. 



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Colonisaçâo Europêa 



PRIMEIRA PARTE 



CAPITULO I 




clistricto de Mossamedes acha-se 
coinprehendido entre os parallelos 
13.0, 50' e 17.0, 25' de longitude aus- 
tral. 

Confina ao norte com o districto 
de Benguella, a oeste com o Ocea- 
no atlântico, ao sul com as posses- 
sões allemáes, das quaes é sepa- 
rado pela porção do rio Kunene, 
cujo rumo segue na direcção les- 
oeste desde a Hinga até á foz e a 
leste estende-se até os limites ainda não difinidos da pro- 
vinda de Angola. 

A parte explorada do districto, a que é habitada pela 
raça branca, e por isso desperta o interesse descriptivo, 
abrange uma vasta extensão de território, que se prolonga 



ifjttitf 



— 14 — 

na linha norte-sul desde o parallelo que passa pelo cabo de 
Santa Martha ao curso inferior do Kunene e na Unha les- 
oeste desde a costa inaritima ao curso ascendente do mes- 
mo rio até o Lucéke. E' esta a zona que pelas suas benéfi- 
cas condições de clima e riqueza geológica tem sido per- 
corrida, habitada e colonisada pela raça europêa, e a uniea 
que sob o ponto de vista da adaptação da raça branca me- 
rece ser conhecida. 

« 

O districto de Mossamedes divide-se em duas zonas bem 
distinctas: uma, que se prolonga de norte a sul com a costa 
marítima, é baixa, secca e arenosa; e outra, que se segue 
d esta e d'ella se separa pela cordilheira da Chella (Tyela), 
abrange toda a vasta bacia do Kunene, é alta, chuvosa e 
ricamente arborisada; constitue o plan'alto proveitosamente 
explorado pela raça branca, mercê da benignidade do cli- 
ma e abundância de elementos de riqueza agrícola e com- 
mercial. 

A esias duas zonas tão nitidamente separadas pelos seus 
caracteres geológicos correspondem modalidades climaté- 
ricas, que imprimem profundas modificações no modo de 
ser, nas cousas e nas pessoas. 

Zona, l>£iixa. 

Prolonga-se para o interior na extensão de 10() kilome- 
tros aproximadamente até os contrafortes da Chella e alarga 
gradualmente para o sul até o valle inferior do Kunene 
constituindo um vasto deserto arenoso. Esta zona eleva-se 
para o interior por modo insensível attingindo a altitude 
media de 500 metros nas proximidades da cordilheira da 
Chella. 

Distinguem-se n'ella duas fachas de terrenos, que correm 
com caracteres nitidos no sentido les-oeste: a primeira, li- 
toral, formada por extensa planície de areia solta com al- 
terações de relevo em dunas e ravinas, onde as chuvas são 



-15 — 

raras e de pouca duração; a segunda, interior, prolonga n- 
do-se com a Chella, pedregosa, com vegetação que augmen- 
ta á maneira que se aproxima do planalto e que marca o 
limite das aguas permanentes que correm da zona alta. 

Os terrenos que formam a zona baixa pertencem pelos 
seus caracteres geológicos á formação terciária. Encon- 
tram-se n'elles grande numero de géneros de conchas e al- 
gumas variedades de grés calcarifero com moldes de bival- 
vas e rochas formadas por uma aglomeração de conchas 
ligadas entre si por um cimento calcareo. Em muitos toga- 
res afastados da costa marítima e em allitudes superiores a 
100 e 200 metros encontram-se calhaus rolados de calcareo 
silicioso e textura porphirica, que demonstram que esta 
zona em épocas remotas constituía um fundo do mar, que 
lentamente se foi elevando do seio do oceano. 

A rede fluvial da zona baixa comprehende os valles de 
S. Nicolau, Giraul (Dyraul), Bero e Koroká, cujos rios na 
maior parte do anno estão seccos; apenas levam agua du- 
rante alguns dias na estação pluvial, quando as chuvas tor- 
renciaes do plan'alto, depois de encherem os afílu entes do 
Kunene, se despenham eminnumeras cataractas pela Chella 
abaixo. E' então que enormes massas de nuvens conden- 
sadas sobre? a região alta e açoutadas pelo impetuoso vento 
sueste são arrastadas para a zona baixa do valle de Kapan- 
gombe, onde se desfazem em catadupas, que conduzidas 
por milhares de regatos e ravinas formam enormes mas- 
sas d'agua, que correm em rápidas e perigosas enchurra- 
das, que enchem e alagam os terrenos marginaes dos val- 
les por espaço de dias e mesmo horas. 

Na facha arborisada de Kapangombe, liraitrophe da Chel- 
la, as aguas permanecem por. alguns mezes por causa da du- 
reza do terreno e por serem os rios na sua primeira porção 
alimentados pelo excesso das aguas do plan'alto. Na facha 



— 16- 

t 

arenosa do litoral ellas desapparecem em pouco tempo por 
infiltração nas areias dos leitos dos rios. D estes o que conser- 
va por mais tempo maior volume d'agua é o Bero, que ferti- 
lisa os terrenos de Mossamedes. Este rio é o primeiro a con- 
duzir as aguas pluviaes da região alta e o que as conserva por 
maior espaço de tempo. Resulta esta circurastancia de ser 
o seu curso entre a Chella e o litoral mais curto e directo, 
formado em grande extensão por um leito de pedras e prin- 
cipalmente por ter a sua principal origem no plan'alto por 
intermédio de um a nascente que deriva para elleum grande 
volume de aguas colhidas na bacia do Jau(Dyau), durante 
a primeira parte da estação chuvosa do plan alto, de outu- 
bro a dezembro, quando ainda não teem cahido as primei- 
ras chuvas na zona baixa; em quanto que os rios de 8. Ni- 
colau e Koroka são alimentados pelas chuvas que cahem 
sobre as vertentes occidentaes da Chella, o que só tem lo- 
gar na quadra das grandes chuvas da zona alta, de janeiro 
a abril. 

E' de notar-se que o regimen pluvial d'esta zona diílere 
considerável ment^í do da zona alta. N'esta apparecem as 
primeiras chuvas em setembro e prolongam-se até dezem- 
bro, formando a primeira parte da estação chuvosa, cha- 
mada das pequenas chuvas. N'esta quadra, dominando os 
ventos moderados do nordeste, as nuvens formadas por 
condensação no plan'alto descarregam sobre elle não che- 
gando á zona baixa. Apenas de janeiro a maio, que coni- 
prehcnde a quadra das chuvas torrenciaes e dos ventos 
impetuosos do quadrante do sueste, e que as chuvas attin- 
gem a zona baixa e chegam á facha arenosa do litoral pro- 
duzindo innundações passageiras, que ainda assim são o 
único recurso para a fertilidade dos terrenos agricultados 
nas proximidades de Mossamedes, taes são: as hortas do 
valle do Bero e Cavalleiros e as fazendas agrícolas ex- 
ploradas nos valles do Giraul, Koroka e S. Nicolau. 

Lançado no mar o excesso das enchurradas, fica no solo do 
leito dos rios uma certa humidade que se conserva por es- 



— 17- - 

paço de um e dois inezes e um deposito de detritos orgâ- 
nicos, que constitue um rico adubo aproveitado pelos agri- 
cultores que sobre elle fazem as suas plantações em pleno 
leito dos rios. 

Estas fazendas produzem variadas espécies de cultura, 
taes como: algodão, cana saccharina, cereaes, legumes, hor- 
taliças e arvores fructiferas. Empregam no arroteamento 
dos seus terrenos, 29 raachinas a vapor e possuem 32 en- 
genhos de moer cana, e outros tantos alambiques para a 
distillaçáo da aguardente. 

Pela disposição natural da zona alta, a sua maior altura 
corresponde á cordilheira da Chella e d'ahi para o interior 
desce suavemente para o sul e leste, do que resulta que a 
maior parte das aguas pluviaes correm ao Kunene; deriva 
para a zona baixa uma pequena porção, que na quadra das 
grandes chuvas cae sobre as vertentes occidentaes da cor- 
dilheira, fertilisando os terrenos do valle de Kapangombe. 

Sobre a facha arenosa do litoral de Mossamedes chove 
muito pouco, duas ou três vezes por anno. Na facha culti- 
vada em frente á Chella chove durante dois a três mezes, 
emquanto que na zona alta a estação chuvosa com prebende 
seis mezes no anno. 

Convém observar que tem havido profundas modifica- 
ções no regimen pluvial da zona baixa, cujas causas são 
pouco conhecidas. Em épocas remotas chovia regular- 
mente todos os annos em quantidade bastante para encher 
os leitos dos rios. Os antigos agricultores estabelecidos no 
valle de Kapangombe e Biballa e os primeiros colonisa- 
dores de Mossamedes faliam com saudade dos primeiros 
annos da sua installação n'este districto, annos de chuvas 
abundantes e regulares; d'então para cá ellas teem dimi- 
nuído progressivamente a ponto de passarem períodos de 
quatro e cinco annos sem cahir uma gotta de agua. 

Quando pela infiltração e evaporação desapparece a hu- 
midade no leito dos rios e bem assim durante os annos de 
estiagem, em que as aguas por successivas infiltrações nas 



^ 



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- 18 - 

areias não cheg^am a humedecer os terrenos cultivados, re- 
correm os agricultores á irri«*ação com agua extrahida de 
poços praticados a profundidade de 5 a 15 metros. Na villa 
de Mossamedes todas as casas teem poços, que fornecem 
agua necessária para os usos ordinários. Esta agua é de 
má qualidade, pesada, salitrosa, produzindo perturbações 
digestivas. 

A existência de uma toalha liquida subterrânea na zona 
baixa, cujo nivel se mantém constante apezar das vicissi- 
tudes do regimen pluvial, é um facto incontestável, que nos 
leva a suppor que cila mantém estreitas relações com a 
bacia fluvial do plan'alto, que a alimenta como uma parte 
importante das suas aguas por infiltração atravez de ca- 
madas porosas, que seguindo as vertentes da Chella se pro- 
longam e continuam com o sub-solo da zona baixa. 

E' de importância capital para o desenvolvimento da8 fa- 
zendasagricolasdo vallede Kapangombeinv^estigarcom ap- 
parelhos próprios e aproveitar por meio de poços artesianos 
este filão de agua, que todas as razões induzem a crer que 
tenha a sua origem no plan'alto, cuja altitude media sobre 
o valle de Kapangombe é de 1600 metros. 

A agricultura n'esta zona, qu(^ foi o principal elemento 
de prosperidade e riqueza nos tempos áureos do districto, 
acha-se actualmente em estado de lastimosa decadência por 
falta de aguas que irriguem os seus fertilissimos terrenos. 
Os annos de secca succedem-se uns apóz outros com in- 
sistência esmagadora espalhando o desanimo por toda esta 
riquíssima região, cujos agricultores vão rareando, ceifa- 
dos uns pela morte, e outros obrigados por falta de recur- 
sos a abandonar a.s suas propriedades, fructo de longos 
annos de trabalhos. Os mais favorecidos, que ainda assim 
mante(*m as suas fazendas a troco de penosos sacrifícios, 
são os que se estabeleceram nas vertentes da Chella, onde 
aproveitam as primeiras aguas de pequenos regatos per- 
manentes, que descem do plan alto e formam as origens 
dos rios da zona baixa. 



— 19 — 

E' de urgente e inadiável necessidade proceder a estes 
estudos, pois que o bom êxito dos poços artesianos é im- 
portante medida de salvação para em breve espaço de 
tempo elevar ao primitivo apogeu a agricultura em Mos- 
samedes, única fonte de riqueza da população branca do 
districto, que se acha abatida e depauperada nos seus re- 
cursos por tão longa estiagem sem esperança de melhores 
tempos. 

O primeiro ensaio a fazer-se deve naturalmente incidir 
na zona de Kapangombe por estar mais próxima da Chella 
e oíferecer por isso maiores probabilidades de bom êxito. 
Se d'esta tentativa sortir o desejado eíTeito, fácil será por 
suceessivas investigações animadoras estabelecer um sys- 
tema de poços artesianos, que colloque a zona agricultada 
ao abrigo das vicissitudes de um regimen fluvial incons- 
tante, o que concorrerá para desenvolver as propriedades 
existentes com valiosas culturas, crear novos centros de 
producção agrícola e animar os proprietários a converter 
os seus capitães em produetiyas fontes de receita. 

Esta falta d'agua torna-se sobremodo sensivel na facha 
de terreno sobre que assenta a estrada que parte de Mossa- 
medespara o plan'alto, passando pelos sitios denominados: 
Pedra Grande, Pedra do Major, Providencia, Moninho e 
Kapangombe. 

Esta estrada é percorrida pelos vagons loers que fazem 
o transporte das mercadorias e productos agrícolas entre 
o plan'alto e o litoral, e vice versa; pelos viajantes, car- 
regadores e manadas de gado para consumo e exportação. 

Nos annos ordinários, em que não chove, não se encon- 
tra uma gotta d'agua nem pasto na maior extensão d'esta 
facha desde o valle do Giraul até o Moninho, do que re- 
sulta morrer á sede e á fome grande numero de bois que 
pucham os carros e dos que são enviados do plan'alto 
para exportação e consumo. 

Cada vagou é condusido por 20 a 30 bois, dos quaes 
um terço e ás vezes metade succumbe por falta d'agua 



— 20 — 

durante os 10 ou 12 dias de viagem ftitigante por este 
deserto arenoso, atravez do qual os pesados veliiculos 
carregados com 100 a 150 arrobas de carga são penosa- 
mente arrastados pelos jDobres bois famintos e sequiosos 
por entre densas nuvens de suffocante poeira. 

Está calculado que morrem annual mente n'este deserto 
400 a 600 bois, o que representa iim enorme prejuízo para 
os seus proprietários, que para compensar tão grave dam- 
no elevam cada vez mais o preço do transporte. 

Basta saber-se que o preço do transporte de uma arroba 
de carga do litoral para o plan'alto importava, ha três an- 
nos, em ISOOO réis e actualmente com a persistência das 
seccas e mortalidade no gado elevo u-se a 2S200 réis. 

Independente da perda material do boi, ha a accrescen- 
tar a perda da somma de trabalho que o l)oer dispende para 
amansal-o e sujeital-o ao serviço da canga. 

O boi bravo comprado nos centros productores dos Gam- 
bos e Humbe importa em 10 ou 15 mil réis e depois de 
amansado e ensinado vale 25 a 30. 

Calcule-se do desanimo que lavra entre os bw^rs e portu- 
guezes que vivem do aluguer dos seus carros para o trans- 
porte das mercadorias, sabendo-se que durante a estiagem 
rara é a viagem, em que não fiquem orlando a estrada os 
cadáveres de um terço ou metade dos seus bois a servir de 
festim ás hienas e lobos que infestam estas paragens. 

Para de algum modo atenuar tamanho prejuízo, que 
ameaça aniquilar a exportação de gado por via de Mossa- 
medes, pelo excessivo preço a que chegou, e que fere de 
morte os interesses commerciaes e agrícolas do plan'alto 
pela exhorbitante carestia e difficuldades de transporte, 
ordenou o governo o aproveitamento de uns tanques na- 
turaes cavados em uma grande rocha no sitio da Pedra 
Grande, a dois dias de viagem de Mossamedes, mandando 
construir uns paredões que conduzem para elles toda a 
agua das chuvas que cae sobre a enorme pedra que dá 
o nomc! a este sitio. 



-21 — 

Existe n'este ponto uma casa do governo que serve de 
pousada aos via.jantes, um curral para abrigo do gado e 
algumas cubatas, em que residem os soldados do destaca- 
mento. 

Os tanques cavados na rocha são quatro e tem bastante 
capacidade. Quando sobre a rocha caem chuvas torren- 
ciaes, os tanques enchem-se d'agaa, que se conserva por bas- 
tante tempo. E' d'esta agua que bebem os viajantes e o 
gado. Quando ella diminue e seguem-se annos de estiagem 
o governo só pc^rmitte que se tire a porção indispensável 
para uso dos viajantes, prohibindo que seja dada ao gado 
e para cumprimento d'estas ordens e vigilância dos poços 
tem ali um destacamento militar. 

O que fica dito para a Pedra Grande applica-se ao ponto 
denominado — Pedra da Providencia, com a diíTerença de 
não haver casa para viajantes nem destacamento militar. 
Encontra-se agua em cavidades das rochas e poças, quando 
chove; fora d'estas ccmdições anormaes a monotonia do 
terreno prolonga-se em desesperadora aridez até ao valle 
do Moninho, em cujas fazendas se encontra agua em 
cacimbas, que servem para a rega dos terrenos de cultura. 

A vegetação n'esta facha é rachitica, compõe-se da wel- 
vitchla miníbilis, falso cedro, algumas euphorbiaceas, espi- 
nheiros e acácias, que vegetam nos valles, ravinas e leitos 
dos rios seccos. 

Xa faciía de terrenos arborisados, que correra paralle- 
los aos contrafortes da Chella, a agua existe com abundan- 
dancia durante a t^stação das chuvas; nas épocas de 
estiagem não chega a irrigar a vasta área de terrenos cul- 
tivados. 



O districtí) de Mossamedes abrange uma arca de 176:250 
kilonietros quadrados, duas vezes a superficie de Portu- 
gal. 

Divide-se em sete concelhos, dois na zona baixa, que 
são: os de Mossamedes e I\apangoml)e, e cinco no plan'- 



-22- 

alto: os da Humpata, Lubang'o, Huilla, GamboK o Humbe, 
dos quaes os três primeiros formam a área de coloiiisação 
europêa, que explora os seus férteis terrenos; e os dois 
últimos, que pelas suas condições de clima nào se prestam 
á adaptação da raça branca, formam a área de explo- 
ração commercial com os indígenas e são os centros de 
permutação do {?ado bovino, cuja creaçãoconíitue a princi- 
pal occupação das raças indígenas, que povoam a riquis- 
sima zona do sul do plan "alio. 



CAPITULO II 

CONCELHO DE MOSSAMEDES 



brangtí toda a facha litoral o ure-- 
nosa de norte a sul e esteiide-Ke 
para o interior na extensão apro- 
ximada de 50 kilometrosnalinha 
IcK-oeste. 

Coniprchende na parte media 
a villa de Mossamedes, a povoa- 
ção e as fazendas aj^ricolas das 
Hortas e (^avalleiros, .situadas no 
vaíle do Boro ; ao norte as pro- 
priedades dos valles do Girauí o S. Nicolau, e ao sul as co- 
lónias de pescadores nlgarvios estabelecidos em Porto Ale- 
xandre e I)ahia dos Tigres o as propriedades a;;^coIas si- 
tuadas no valle do Koroka, tudo com a área cultivada de 891)0 
hectares. 



24 - 



A^illn cie 3ros«saiiiecles 



A capital do districto e cabt%*a do concelho, denominada 
a Cintra d' Africa pela amenidade do seu clima, está si- 
tuada em bella prespectiva no fundo de uma ampla e bem 
abrigada bahia em forma de ferradura na latitude do pa- 
rallelo lo.« 

Foi fundada em 1845 por um grupo de corajosos colo- 
nos que imigraram do Brazil e se estabeleceram na bahia 
da Angra do Negro, onde apenas havia uma feitoria ini- 
ciada em 1840. 

Possue ruas espavosas, compridas, bem alinhadas e divi- 
didas em quarteirões sjnnetricos, todas calçadas e illumi- 
nadas a petróleo. Nota-se n'ellas extremo aceio e limpeza, 
que rivalisam com a regular disposição e óptima divisão. 

Possue uma bella avenida arborisada que se prolonga 
com a praia e dá lindo aspecto ás suas casas, que se des- 
tacam por entre renques de palmeiras. 

As casas são lindas construcções modernas, em que as 
boas condiçõívs hygienicas andam a par c^om o bom gosto 
V solidez. Quasi todas são assoalhadas e forradas com boas 
madeiras da Europa. São bem divididas, bem orieníad^is 
e aceiadas. Os seus tectos são chatos e as frontarias, pinta- 
das com gosto, são dispostas com art(* e belleza. Quasi to- 
das possuem jardim e quintal, que fornece excellentes 
hortaliças e tem uma ranmha d'onde se extrae a agua para 
os usos ordinários. 

Existem largos e jardins i)ul)licos l)em situados, com 
tanques d'agua para uso do publico. 

A leste da villa encontra-s(* um largo gradeado, em cujo 
centro foi erigido por sul)scripção publica um monumento 
em honra do benemérito governador L(*al, qu(* iniciou os 
grandes melhoramentos que tornam Mossamcnles a mais 
formosa cidade (Hiropea da costa occidcMital da Africa e a 



-25 — 

única que pode compelir em aceio, regularidade e hygiene 
com as cidades da Europa. 

Os seus principaes edifícios públicos são : o palácio do 
governo, o melhor das nossas possessões, bella obra de 
architectura montada com luxo e grandeza; n'elle estão 
installadas as principaes repartições publicas: a fortaleza 
de S. Fernando, construída sobre um rochedo, que domina 
a formosa bahia; serve de quartel ao 4.o batalhão de caça- 
dores: a alfandega, lindo edifício situado a meio da rua 
principal, próximo á praia; possue vastos armazéns e boas 
sallas; communica por meio de carris de ferro com a 
ponte-caes, boa construcção em ferro e madeira: o hospi- 
tal em corpos separados formados de barracões, systema 
Tolhít: a igreja: o matadouro situado optimamente á beira 
mar: o cemitério, bastante afastado da villa: repartição do 
correio e das obras publicas, etc. 

Entre os edifícios particulares encontram-se bellos e 
elegantes primeiros andares e rez-do-chão, que fariam 
honra a qualquer cidade 'europêa, destacando-se d'entre 
elles pela sua elegância, situação e commodidade o chalet 
da companhia telegraphica. 

A natureza não foi pródiga na distribuição dos seus be- 
nefícios a Mossamedes. O terreno sobre que assenta a villa 
é secco, arenoso e anmo-calcareo ; a vegetação expontânea 
é rachitica: pois apesar de tão pouco favorecida, Mossa- 
medes revelia a que ponto chega o esforço da raça branca, 
que em 40 annos de trabalho persistente conseguiu trans- 
formar aquelle arejai em uma formosa villa com jardins e 
hortas, onde os recursos são abundantes, a alimentação 
t»xcellente, barata e variada, com lojas onde se encontram 
todos õs géneros europeos e um mercado bem sortido. 

Tudo quanto ali ha é devido á iniciativa e trabalho do 
europeu que se aclimou e produziu gerações sadias e ro- 
bustas em 8í> e 4^> grau, que ali vivem e se desenvolvem 
sem manifestações apparentes que revellem resistências 
orgânicas á adaptação ao novo meio. A raça branca ali 



-26 — 

procreada progride de um modo evidente ; as creanças 
coradas, robustas e alegres não manifestam o menor ves- 
tígio da intoxicarão palustre. 

O clima é salubre e a temperatura é baixa e refrescada 
pelas brisas dominantes do mar e pela corrente maritima 
fria, que partindo do Cabo da Boa Esperança banha a costa 
africana correndo parallela a ella até o Cabo de Santa 

Martha. 
O regimen nozologico abrange as doenças palustres que 

se manifestam na época das enchentes do Bero, conser- 
vando todavia um caracter benigno. As tormas graves da 
intoxicação são raras e só accommettem os indivíduos 
vindos de regiões insalubres, cujo organismo esteja de- 
pauperado pelo agente marematico. 

Para Mossamedes concorre annualmente grande numero 
de doentes de diversas procedências da costa africana, que 
ali vão convalescer e retemperar o organismo enfraqueci- 
do pelo impaludismo. 

Ha em Mossamedes duas fabricas de tecidos d'algodáo, 
uma movida a vapor e outra á mão; n'ellas preparam-se 
mantas, barretes, camisolas e panno cru riscado. Ha uma 
fabrica de conservas alimentícias que fornece latas de car- 
ne, peixe, fructas e legumes, que teem sido recebidos com 
favor pelo publico. Existem fabricas de telha, tijollo e 
vários productos cerâmicos e diversos fornos de cal no 
(jiraul e praia Amélia. Existe um bem montado collegio 
para educação de meninas, uma escola publica e nmitas 
officinas d'artes e officios. 



>^alle cio liei^o 



A 3 kilometros ao norte da villa de Mossamedes encon- 
tra-se a povoação das Hortas, dilicioso oásis, que pela 
abundância e frescura da sua \içosa arborisação, cuida- 
dosamente cultivada em alamedas de refrigerantes som- 



'2( 



bras e parques de odoríferas flores e saborosos fructos, 
forma um ameno sitio de villegiatura com bellos chaleU e 
óptimas casas de campo, banhadas pelas frescas brisas do 
mar e onde se abriga a elite da sociedade de Mossamedes 
durante a estação calmosa. 

Esta povoação com vastos terrenos agricultados assenta 
sobre o valle do rio Bero, cujo fértil solo se acha occu- 
pado por 40 propriedades agrícolas que abastecem Mossa- 
medes de fructos, legumes e hortaliças. 

Os terrenos doeste valle occupam extensas várzeas culti- 
vadas sendo as principaes: as Hortas, Cavalleiros, S. An- 
tónio, Boa Esperança, Boa Vista, e Bem fica, por entre as 
quaes passam boas estradas carreteiras. 

As principaes culturas são: cana saecharina, que fornece 
boa aguardente, o cará, que constitue a principal alimen- 
tação dos serviçaes, o algodão, muitas variedades de legu- 
mes, hortaliças e cereaes e grande numero de arvores 
fructiferas da Europa, como: larangeiras, limoeiros, fi- 
gueiras, macieiras, pereiras, alfarrobeiras, cidreiras, oli- 
veiras, videiras, etc. 

A sua producção annual em aguardentíí é de 5()í) pipas. 

Valle do Cjriraiil (r>;yra,ixl) 

A' distancia de 8 kilometros do rio Bero, caminhando 
para o norte, encontra-se o valle do rio Giraul, cavado em 
terreno accidentado por montanhas de grés e gneiss e pro- 
fundas ravinas escalvadas. N^elle estão estabelecidas 6 
propriedades agricolas que produzem : algodão, cana, cará, 
hortaliças, cereaes e fructas. 

Estas propriedades luctam com grandes difficuldades 
por falta d'agua para a irrigação das culturas, sendo ne- 
cessário nos annos seccos extrahil-a de poços por meio de 
bombas centrífugas e estanca-rios movidos a vapor á pro- 
fundidade de 20 e 31) metros. 

Produzem annualmente 410 pipas de aguardente. 



28- 



>'aUe do I^oi^o]j:a 



A 6^ J kilometros ao sul de Mossamedes apóz um extenso 
deserto de areias, eneontra-se o valle do rio Koroka, que 
na<ee nos Cubaes e. depois de um diffieil curso atravez das 
areias na direcção les-oeste, curva-se para o norte, desa- 
íniando no Oceano Atlântico ao sul do Cabo Negro, perto 
de Porto Pinda. 

Os seus terrenos marsTinaes, cuja fertilidade depende 
das enchentes annuaes, estão occupados por 5 fazendas 
a<rricolas, d'entre as quaes sobresaem as de S. Bento do 
Sul, Santa Rosa e S. João do Sul, que produzem algodão, 
cana saccharina, cará, sorgho saccharino, trigo e vinha. 

A sua produccão annual em aguardente é de 150 pipas. 

A cana saccharina, que foi a principal cultura nVstas 
propriedades, tende a desapparecer por causa dos ataques 
de duas lagartas que a destroem, roendo-lhes os canaes 
medulares. Os agricultores tratam de substituil-a pelo sor- 
gho saccharino, que tem dado l)ons resultados na fazenda 
de S. João do Sul. 

As varz(*as do Karoka prestam-se pe^la abundância das 
suas j)aslaíircns á creacão de iz^ado, encontrando-se n'estas 
propriedades grandes manadas de gado bovino, caprino, 
ovelhum, e algumas creações d(^ gado cavallar e asinino. 

Em S. João do Sul iniciou-se, ha annos, a fabricação de 
qu(»ijos e manteiga. Fossue grande numero de vaccas, que 
fornecem annual mente í) ) ) queyos, sendo exportados 
para diversos ponlí)s da provincia. 

Colonisiss cio Hnl 

Nas espaçosas l)ahias de Porto Al(»xandrt\ dos Tigres e 
das Pipas acham-se estabelecidas algumas colónias for- 
madas de famílias algarvias, que se dedicam á pesca e 
salira de abundantes variedadí^s de peixes, que de^^ois de 



— 29 — 

seccos e arrumados em esteiras, que comportam 2 arrobas, 
sáo exportados para o interior, portos do norte e S. Tho- 
mé^ onde constitue a principal alimentação dos serviçaes 
empregados nas roças. 

Os terrenos occupados pelas pescarias não se prestam a 
ser agricultados por falta d'agua, o que prejudica o desen- 
volvimento c prosperidade das colónias, que ainda assim 
progridem á custa de muitos sacrifícios e trabalhos dos 
seus corajosos habitantes, que, desprotegidos do governo 
e desajudados da natureza, entregues aos únicos recursos 
da sua iniciativa, competem em producção com os agri- 
cultores do districto, animando e sustentando a rendosa 
industria da pesca, importante fonte de receita no districto. 

O governo tem sido avaro na distribuição dos seus fa- 
vores a estes beneméritos colonos, que tão desinteressada- 
mente se empenham pelo engrandecimento do districto. 
Seria de justiça e equidade que os poderes públicos vol- 
vessem olhos paternaes para as colónias do sul, benefi- 
ciando-as com algumas migalhas da cornucopia, que com 
mão pródiga tem espalhado pelas colónias madeirenses 
do plan'alto, que, diga-se a verdade, estão muito longe de 
competir com os corajosos algarvios. 

O actual governador do districto, o sr. Leitão Xavier, 
cônscio do valor material e moral d'estas colónias, tem 
envidado esforços para animal-as, dotando-as com um 
sacerdote e professor para educar as creanças. E' mister 
dar-lhes também os soccorros da medicina, a que tem di- 
reito em attenção aos benefícios que resultam para os co- 
fres públicos do estado florescente da sua industria. 

As pescarias em exploração em Porto Alexandre, bahia 
dos Tigres e das Pipas dão uma exportação annual no 
valor de 44:000$()00 réis. 

A população algarvia com prebende 40 famílias com 100 
adultos e 60 creanças, e occupa 500 pretos serviçaes em- 
pregados na pesca, salga, empacotamento do peixe e tri- 
pulação de 40 ca biques. 



-30- 

diytincto agrouomò da província de Angola, o sr. 
Costa Botelho, tendo estudado as condições agrícolas dos 
terrenos d'este disíricto, com justa razão encarece as van- 
tagens da arborÍsa(,íão da zona arenosa do litoral. No seu 
excellente trabalho <^Tín^fm>s e agricultura no Jistrícto de 
Miissamvdcs--- encontram-se ensinamentos muito proveitosos 
para o aperfeiçoamento da agricultura n'esía região. A 
propósito da arborisação do litoral diz : 

Cumpre-nie ainda dizei' quo a arborisaçfto d'esta facha de terrenos 
€0111 plantas que pelas suas condiçOes vegetativas se aeconimodassem 
ao clima e ao solo, havia do concorrer para maior regularidade das 
chuvas e fixaria as dunas que os ventos S. e SW. arrastara para muito 
próximo dos terrenos agricultados e que mais tardo deverão obrigar 
os agricultores a mudarem as suas plantações por terem sido invadidas 
peias areias. A fixação d'estas dunas eom algumas coníferas, especial- 
mente o pinheiro silvestre e o de Alepo (pinus hallenpensis) é de uma 
absoluta necessidade. Náo é de uma grande facilidade o rapidez tentar 
arborisar ura solo d'estes, essencialraente arenoso, onde as estiagens sâo 
frequentes e as aguas correra atravez de camadas permeáveis a uma 
certa profundidade, mas também nào é impossivel com o tempo conse- 
guir-se este intento, desde que todos os annos na época das chuvas se 
façam as sementeiras. Entre outras plantas, além das que já mencionei, 
dever-so-ha tentar as sementeiras seguintes: pinheiro manso (pinus 
pinea), sabina das praias (juniperus phoenicea), csdro de Hespanha 
(juniperus oxyeedrus) e o zimbro vulgar (juniperus eommunis). 



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E MOUÍtieDEÍ 



Diadiinas, pessoal, etc. 



^adas 



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19 
107 

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49 

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12 

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4 

3 

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46 

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51 
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Qoailidade 



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I S s 



I _ 



300 hefl'»lilros — milho 



-4- 

36^000 ' 3 



■ •-« ' 



I 



I 11:023 lilnis — .iKuanhMíle 
i 550 lilros — idem 

3íK) lilros — idem 

320 lilros— idem 1 

I 2:7ÍK) idememaiitimenlosl 

I 3:720 idem, alp. manlim. 

iNeidiiima 

I 5(X) lilros— aguardente I 



24 ' Neidiiima 



2:000^(K)0 
180ÍWX) 
200^0(H) 
300^(!(K) 
700íiUH) 

1.230^0(X) 

-4- 
ISO^tKK) 

-^- 
-4- 



500 lilros — idem .... 

2íK) lilros— idem 1 

1:495 liln»s — idem 

1:320 litros — idem i 

3:990 lilros — idem i 

Alimeiílarào paia o pessoal 

1 :333 lilros — aguardente I 



15^(MX) 
1504(KX) 
150^(KK) 
-4- 

55^000 
3(K)^0(Hl 

0(M)é()(K) 



1 3 : 950 lil ros — aguarden le 



69:751 rtros — idem 

37:200 lilros — idem... . 



95():$(X)0 I 

300ÍIXX) I 

3:0(X)á000 ' 

5:0(X)íâ(KX) ' 

l:2(X)á(MX) ' 
0:(KX)^(XHj 1 
3:r)(H)íâ(XiO 



3 



1 

3 
1 

2 



465 lilros— aguardente! 100£0(X) \ 1 



1 

2 
1 
1 



200^0(X) I 1 
7:2(X)^000 ' 3 



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1 



4 



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macMoas, pessoal, etc. 



fiadas 



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44 




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49 




50 


300 hectolitros — milho i 


30 


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4 4 : 623 1 il nis — .ijí ua rdeiile ' 


49 


550 litros — idem ' 


9 


3<K) lihos idem 


19 


320 lilnis — idem ; 


407 


2:71K) idem emaiilimenlos' 


9G 


3:720 idem, alg. manlimJ 


49 


iNeiihiima 


8 


íiOO lilros— afíuardeide 

1 


24 


Neidiíima ' 


26 


1 
4G5 litros— a{?uardeiile i 


39 


1 


«2 




4 


500 litros— iderii 


4 


1 


3 


2íK) litros — idem | 


8 


4:495 litros — idem 


2(1 


4:320 litros — idem i 


46 


3:990 litros idem ; 




Alimentarão paia o pessoal 


20 


4 :333 litros— aguardente ' 

1 


430 





51 


i 


10 


1 


so 




43 


Variável 


400 


43:950 litros— aguardente 


39 


1 


4(M) 


69:754 Tiros — idem 


420 


37:200 hlros— idem 

1 



-^- I 

:t ' 

36;S000 ' 

I 

2:000^000 ; 
480^000 
2(J04000 ' 
300^(](M) 1 
700^000 í 

I 

4.236áO(X) ' 

-4- 
liOMKX) 

-4- 

-^- 

400^0(X) 

454000 
450MM)0 
450 ^(MM) 

554(J00 

3(M)S0(Hl 

200;âO(;0 

()(M)^(H)0 

-4- 



3 

— 
3 



4 

3 
4 

2 



4 
2 
4 
4 



2004fKX) I 4 
7:2004000 I 3 



9;)04(XX) 
30()iO(X) 



4 

1 



3:0004(XK) I 4 

-4- I 2 

5:000^000 I 4 

4:2(X)40(X) ' 2 

6:(KH)40O0 I i 

3:5(H)40C0 4 



CAPITULO 111 

CONX^ELHO DE KAFANOOMí',! 



I ío;Ias aa aguas da Leba, 

iS leve ás fazendas mais 

'ir meio de poços arte- 

is. attentas as coiidi- 



tes terrenos basta 

Iiuvas produzia 

iilisada pelas 

ficiencias to- 

-iia para as 

!'ÍOS. 

«accha- 



omprehende a facha iaterioi-i. 
borisada da zona baixa, que hv. ui, 
longa com as vertentes oecideniai> 
da cordilheira da Chella. 

A sua aroa é do 32,t)5() kiloaie- 
troH quadrados, dos quaes apena» 
5()1K) hectares estão cultivados por 
26 propriedades agrícolas estabe- 
lecidas nas linhas d'agua qutí cor- 
rem da Chella. 
A área agricultada coinprohende a povoarão de Kapan- 

gombe e os valles da Bil)alla, Moninho e Buinbo. 

A povoaç'ão, sede do concelho, está situada sobre uma 

planicie accideníada, limitada a leste pela Chella, que s(; 

estende de norte a sul e pelas montanhas que marginam 



— 34 — 

OS rios Moninho e Jimba (Dymba). A sua altitude é de 600 
metros sobre o iiivel do mar. Compõe-se de uma espaçosa 
fortaleza bem construída, dominando todo o valle do Bum- 
bo, serve de residência á auctoridade administrativa e mi- 
litar do concelho; e de meia dúzia de casas particulares que 
fazem negocio de permutação com os indígenas. 

As propriedades agrícolas, que são o elemento de vitali- 
dade d'esta fértil região, occupam os valles da BibacUa, Mo- 
ninho e Bumbo, cujos terrenos são feracissimos e apro- 
priados a variadas culturas, (Mn especial ao algodão, cana 
saccharina, café, cereaes e legumes. 

Os principaes rios, que pela abundância e permanência 
das suas aguas fertilisam os terrenos agricultados, são: 

O Moninho, que irriga o valle da 'Biballa ao norte do 
concelho; nasce na Chella, segue de XE para SSW indo 
lança r-se no rio Bumbo. 

O Jimba tem a sua origem nos contrafortes da Chella, 
recebe as aguas de diversos regatos que nascem nas por- 
tellas da Leba e Bruko e vae engrossar as aguas do Bumbo. 

O Bumbo nasce na cordilheira, atravessa uma impor- 
tante fazenda, fertilisa a bacia de Kapangombe e depois de 
receber as aguas dos antecedentes forma o rio Giraul. 

Das 26 fazendas d'este concelho algumas estão bastante 
prosperas por ficarem situadas nas vertentes da Chella, 
onde aproveitam os ricos mananciaes d agua permanente 
que corre do planalto, taes são: as propriedades da Tampa 
e Bumbo. Outras, que occupam as margens dos rios á dis- 
tancia das suas origens, estão sujeitas a alternativas de 
progresso e decadência por falta d'agua e pela prolongada 
estiagem, que tem reduzido consideravelmente a área das 
suas culturas, limitando-se os seus proprietários a plantar 
exclusivamente cereaes e legumes para sustento dos ser- 
viçaes, taes são as fazendas do valle do Moninho. 

A agricultura acha-se pois ni>ste concelho em estado de 
decadência e fácil será prever o abandono d esta rica zona 
se não houver meio de obter agua, ou seja por intermédio 



— 35 — 

de um canal coUector que reúna to cias as aguas da Leba, 
Bruko e outros pontos da Chella e as leve ás fazendas mais 
desviadas das linhas d'agua, ou por meio de poços arte- 
sianos, que se nos afiguram realisaveis, attentas as condi- 
ções que atraz deixamos apontada,s. 

Para avaliar da influencia da rega n'estes terrenos basta 
saber-se que uma área, que em annos de chuvas produzia 
200() arrobas de algodão, actualmente esterilisada pelas 
seccas apenas produz 300. Para suprir estas deficiências to- 
das as fazendas possuem poços que fornecem agua para as 
regas por meio de bombas centrífugas e estanca-rios. 

As principaes producções são : o algodão, a cana saccha- 
rina, café e trigo, no valor annual de 2():0tK)$00í) réis. 

O clima de Kapangombe é bastante insalubre por causa 
do grande numero de pântanos que se originam na estação 
das chuvas. Durante esta quadra dominam as formas 
mais graves da intoxicação palustre. 

A temperf^tura é bastante elevada e pouco beneficio re- 
cebe dos ventos do quadrante do sueste, que correndo tan- 
gencialmente ao plan alto n'uma altitude de 2000 metros 
não chegam a refrescar as camadas inferiores da atmos- 
phera, que ficam como que estagnadas nos valles limita- 
dos pela Chella. Esta cordilheira forma uma alta barreira 
que se oppõe ao accesso dos ventos frescos do plan'alto. 
Apenas durante a estação secca, de maio a outubro, a tem- 
peratura é moderada pelas brisas que sopram dò mar. 

Happa estatístico da população, gado, propriedades etc., do concelbo de Kapangombe 



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IN)pulação 




Espécies pecuárias 




Área 


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CAPITULO IV 



A ZONA ALTA 



orina areo^ião plan'altica colouisa- 
da e explorada pela raça earopêa. 
Confina ao norte com o plan'alto 
do Kakonda no districto de Ben- 
f>:uella; a leste e sul é circumdada 
pela porção do rio Kunene, que 
corre de norte a sul desde o Luceke 
até á Hinga e d'ahi curva-se na direc- 
ção do oeste até á fóz; a oeste tem por 
limite natural a extensa cordilheira 
daChella, prolongando-seaonorte com as serranias de Ty- 
minga, Ulonde e Huambo até o curso do rio Kuanza, e ao 
sul pega coin*a serra de Kanná e, apóz ligeira interrupção 
produzida pelo leito do Kunene, alonga-se pelo Ovampo 
dentro em direcção norte-sul até a Grande Xamakua, 
occupando uma extensa linha de 4(X) milhas. 



A sua altitude media é de 18(X) metros sobre o nivel do 
mar. 

Esta gigantesca barreira, originada em remotas convul- 
sões geológicas, formava o relê vo da costa africana banhada 
pelo Oceano, que então cobria o deserto arenoso da zona 
baixa, que pouco a pouco se foi erguendo, pondo a desco- 
berto este extenso fundo do mar cretáceo. Esta iheoria, 
fundada no estudo e confrontação dos caracteres geológi- 
cos das duas zonas, é sustentada pelos sábios exploradores 
Capello e Ivens na sua obra De Angola á Contra-Costa. 



Barreira gigante feita e ageitada durante as époias geológicas re- 
motas no gneiss e na quartzite, abrange longa linha de terrenos, for- 
mando pelo oeste um sombio paredão, que foi por espaço de séculos 
sentinella ao continente e protecção ao movimento convulcionado do 
mar, defendendo com a sua gneissica testada a acçào rorrosiva d'este 
na terra continental. 

Outr'ora o seu aspecto devia ser muito differente. Batidas pelos ven- 
tos marinhos, lavadas a miúdo pelas aguas espumantes, essas penedias 
erguiam-se certamente áridas e ennegreeidas, contrastando pela tristeza 
com a paizagem mais suave de hoje. 

.0 afastar do oceano, do ruido e da sua varia influencia desviou d'ali 
a causa originaria da pertinaz lucta entre o viver vegetal e a acçáo 
triumphante das brisas do mar, e entào, em vez das salgadas aguas, 
que lhe lavavam os sopés, vieram ou continuaram os doces arroios do 
alto a sua obra benéfica em favor do mundo vegetal. 

E' magestosa e imponente a impressão que recebe o via- 
jante ao contemplar do v^alle de Kapangombe a elevada 
linha sinuosa bordando o relevo dos altos píncaros, que 
abruptamente emergem do solo, estampando no fundo azul 
do espaço caprichosas configurações, que por momentos 
lhe surprehendem o espirito em muda admiração perante 
a grandiosa obra da natureza. 

Por quatro gargantas se pode subir de Kapangombe ao 
plan'alto da Chella, e são: as portellas do Bruko e Leba, a 
aberta de Kilemba, o valle do Tandirikita e moderna- 



-^« I 



~39- 

mente a portella do Hokc descoberta pelos caçadores òoers. 

A portella do Bruko, fronteira á fortaleza de Kapan- 
gombe, é uma abertura rasgada a pruino na rocha, cujas 
arestas contornam em bordos nítidos e salientes escalva- 
dos paredões cortados a pique, contrastando com a lu- 
xuriante vegetação, que occupa o estreito valle refrescado 
por benéfica briza e irrigado por muitos regatos de chris- 
tallina agua, que brota aos borbotões da rocha. 

A ascensão por esta portella faz-se por dois enormes 
degraus: o primeiro comprehendc o socalco do Bruko com 
o desenvolvimento de 10;)í) metros de altitude. O caminho 
segue em caprichosos zig-zags por entre tufos de viçosa e 
gigantesca arborisaçáo, desde a odorífera jasminea que 
embalsama o ar com o seu aroma até ao collossal bao-bab, 
que domina a scena com os seus musculosos braços es- 
tendidos em azas carinhosas por sobre as delicadas flores, 
que inclinam as mimosas corolas para os regatos alegres 
e ruidosos serpeando por entre as fragas. 

O segundo degrau comprehende a Chella, cuja subida se 
torna cada vez mais Íngreme, diminuindo o porte da vegeta- 
ção até o arraial de Kaionda, onde ás rochas áridas se succe- 
dom terrenos argillosos avermelhados pelos óxidos de 
ferro, e a vegetação se torna rachitica, substituindo-se por 
largos tractos de terreno coberto de capim. A altitude é 
de 1829 metros. Seguindo por esta várzea desemboca-se no 
concelho da Humpata ao sul da serra da Nebe. 

A estrada que corre por esta portella, foi construída no 
tempo do governador Fernando Leal. Apezar de um pouco 
arruinada pelas enchurradas na parte correspondente ao 
socalco da Chella, revelia um vigoroso trabalho de arte 
talhado por mão de mestre. 

A portella da Leba, fronteira á Tampa, forma um estreito 
valle, que corre a NW da fortaleza de Kapangombe. A 
sua ascensão faz-se por dois degraus: o primeiro é forma- 
do por uma montanha bastante íngreme da cordilheira da 
Leba com a altitude de 901) metros. Vencida esta barreira, 



-4«» 



??^.'ínie-?<e outra mais ♦•xt^nsa, que tíiTiniaa por uina super- 
íícío plana, s >bre a qual eae uma magnifica queda d'agua 
de 'M metrris de altura, formando um bello laifo de forma 
trianí^ilarcírcumdadode vísrorosa V(*s;etaeão. N'esta assen- 
tada eneontra-se uma propriedade airríeola, que produz 
Iriífo. milho. cará. feijão, ete. A altitude deste seij^undo de- 
írrau é de 19'M metros. I/ahi passa-se ao valle do rio Lu- 
bumbi, que conduz ao concelho da Humpata pela cordi- 
lheira da Leba, cuja maior altitude é de 24' K) metros, A 
subida por ffsta portella é bastante incommoda pelo acci- 
dentado do terreno em arestas e depressões cavadas pelas 
aí^uas que brotam das cachoeiras da Leba. 

A abertura da Kilemba, fronteira ao valle da Biballa, é 
iK-cupada pela estrada carreteira, que parte de Mossame- 
dí-s para as colónias do plan alto. 

hy por f*sta quebrada que sobem os vaíí'ons httrrs carre- 
írados de mercadorias. A estrada alon«ra-se em muitas 
írur\'as afim de conservar a inclinação compativel com a 
subida dos carros. Desemboca ao norte do concelho do 
Lubant^o. Acha-sr* bastante arruinada por falta de repara- 
ção nos desnivídamentos produzidos pelas ao^uas das chu- 
vas. 

Piírtíndo fia Biballa entra-se no valle do Tandirikita, que 
conduz ao plan^alto por um carreiro tortuoso percorrido 
pelos indíí^enas. E' o mais curto dos caminhos, podendo 
ser vencido (mu 4 horas, mas em compensação é o mais in- 
ííTcme e que marorí*s difficuldades oppõe á marcha. Possue 
densa aHK)risação e basto manancial de aguas, que formam 
o rií> Tandirikita. Esta quebrada foi estudada pelo distincto 
engímheiro Machado, quando em 1HS8 procedia aos estudos 
do traçaílo do caminho de ferro de Mossamedes para o 
plan^alto. 

Ha finalmente uma quinta <>\nri>*anta rcTentemente estu- 
daíhi j)elo não menos distincto engenheiro Sampaio. Parece 
ser a mais suave das subidas e oiíerece boas condições de 
í^aranlia ))ara a construcção de uma estrada carreteira, que 



-41 — 

substituirá com vantagem a aberta da Kilemba. Esta por- 
tella começa na região do Hoke ao sul de Kapangombe, 
atravessa ã Bata-Bata e vae desembocar no Jau. A dar 
credito ás versões que correm, as difficuldades a vencer 
são insignificantes; a estrada acha-se naturalmente prati- 
cada em uma das encostas do valle conservando uma in- 
clinação bastante suave em todo o percurso. 

A maior altitude do plan'alto corresponde á parte Occi- 
dental limitada pela Chella; tem a media de 1800 metros: 
d ahi para leste e sul desce suavemente para o extenso 
valle do Kunene, onde attinge a altitude media de 1100 
metros tomada na linha norte-sul que passa pelo Luceke, 
Kiteve e Humbe. D'esta disposição em plano inclinado 
resulta que as aguas pluviaes colhidas na vasta bacia do 
plan'alto correm segundo a resultante das duas direcções 
leste e sul, isto é, na diagonal que partindo da HuiUa se- 
gue até ao Humbe; tal é a orientação natural do rio Cacu- 
lovar, principal artéria que reúne as aguas das bacias do 
Nené, Lubango e Lupôlo 



Os seus terrenos podem dividir-se em duas grandes ca- 
tliegorias: enormes massas de gneiss, que effloram do solo 
em montanhas e serranias mais ou menos arborisadas, 
crusando-se em direcções diversas a formar os valles 
agricultados e povoados pela raça europêa, e terrenos de 
cultura que occupam os fundos doestes valles. Este segun- 
do grupo comprehende quatro classes com aptidões vege- 
tativas diversas: primeira^ solos fracos, de cor amarella e 
base silicatosa, compõem os terrenos mais baixos: segim- 
da, solos médios, de cor avermelhada pelos óxidos de 
ferro e de base argillosa, formam os terrenos altos : terceira^ 
solos ricos, de cor cinzento-escura, com grande percenta- 
gem em húmus: quarta, solos de anilara^ de cor parda, 
húmidos, pouco aproveitados por causa do excesso de hu- 



— 42 — 

luidade, occupam as margens dos regatos e pequenos rios. 
Os primeiros formam a base dos terrenos das bacias do 
Lubango e Huilla. Os segundos constituem os terrenos 
altos da plan'alto da Hum pata. Os terceiros formam o valle 
do Chimpunpunhime e do Caculovar desde a sua juncção 
até ao Humbe e grande parte da bacia do Kunene. Os quar- 
tos marginam os regatos originados nas vertentes das 
serras que eircumscrevem as bacias do Lubango e Huilla. 

Estes terrenos possuem óptimas aptidões vegetativas 
para todas as culturas da Europa, produzindo com abun- 
dância e maior percentagem os cereaes, féculas, legumes, 
hortaliças, arvores fructiferas das regiões extra-tropicaes e 
muitas culturas próprias dos paizes quentes, como: a cana 
saccharina, algodão, café, cara, etc alem de uma infini- 
dade de arvores fructiferas dos trópicos. 

Posto que com a altitude decresça o porte da vegetação, 
encontram-se n estes terrenos extensas florestas, que for- 
necem excellente madeira e fructos de apreciado valor 
para os indígenas, 

A ivde fluvial da zona alta é formada pelos rios Kunene, 
Caculovar, Xene ou Chimpumpunhime e cxs seus afíluen- 
tes. 

O Kunene é a grande artéria cjue i^ecolhe as aguas de 
todo o plan^alto da Chella por ínterinedio do seu tributá- 
rio o Caculovar, que tem como principal atlluente o Xene, 

A pon,*âo do Kunene, para a qual dirivam as aguas do 
plan^alto, fonna um caudaloso rio que conv em direcção 
norte-sul desde o Luceke até ao Humbe, Ahi forma uma 
lomra curva, ciivumda a Donijuena e, cheirando á Hin- 
ga, dá um salto gigantesco piwipitando-vse no leito arenoso; 
toma o rumo do oeste desiiguando no oceano ao sul da 
Ixihia dos Tigres na latitude do parallelo 17^>, 

Durante este loniro peix^urso recebe enorme massa de 



aguas pluviaes conduzidas por numerosas dambas ou 
mulolas que sulcam a parte oriental e sul do plan alto. 

Banha grande numero de paizes, fertibsando as suas 
zonas marginaes: a oecidente, o Luceke, Mulondo, Kiteve, 
Kaniba, Humbe, Donguena; a oriente: Gangela, Vale, 
Kuanyama, Kuamatui, Hinga, Kualuhundi e Donga. 

Durante a quadra das chuvas torrenciaes, de janeiro a 
maio, as aguas do Kunene espraiam-se pelos terrenos 
marginaes produzindo innundações que se estendem a 
distancias de 2 e 3 íegoas. As aguas correm ruidosas leva- 
das com extraordinária velocidade, arrastando na sua massa 
ennegrecida arvores coUossaes, cubatas^ bois, etc. Passada 
a quadra chuvosa, vão lentamente baixando e recolhendo 
ao leito. Depositam sobre os terrenos alagados grande 
quantidade de matérias orgânicas que os fertilisam, tor- 
nando-os aptos para as culturas indígenas. 

Esta grande artéria é navegável na estação secca desde 
as alturas do Luceke até ás cataractas entre a Hinga e o 
Sul da Donguena. De agosto a novembro o seu volume 
reduz-se consideravelmente podendo ser atravessado a 
vau em diversos pontos, mas não chega a seccar. 

O rio Caculovar (Kakulo-bale) tem as suas origens nas 
montanhas que formam a bacia do Lubango. Irriga as 
colQuias Sá da Bandeira é do Caculovar, segue ao rumo do 
leste, curva-se para o sueste fertilisando os terrenos mar- 
ginaes na extensão de 30 kilometros, que formam o Seu 
valle superior, e, chegando á Kihita a sueste da colónia da 
Chibia, recebe as aguas do Chimpumpunhime : d'ahi corre 
ao sul até o concelho dos Gambos no parallelo 16o; to- 
mando de novo o rumo do sueste atravessa o solado do 
Humbe lançando-se no Kunene á distancia de 2 Íegoas a 
sueste da fortaleza. 

No seu percurso, que abrange aproximadamente dois 
graus, vae successivamente avolumando com aguas de- 
rivadas por differentes mulolas^ que drenam a vasta bacia 
comprehendida entre os dois rios. 



— 44 — 

O seu vallf íníV-rior, que se e>í^^^de da Kihita ao Humbe, 
é bastant»' f**rtil produzindo t-nn abundância as culturas 
indiírenas. 

O rio Xene l-m ii> suas oriírens na Cordilheira da Nebe, 
no concelho da Humpata. Por intermédio dos seus affluen- 
tes iniíra a.s colónias de S. Januário e Palanka, toma o 
rumo do >uí.*ste. circimida a biicia da Huilla pelo lado do 
sul. vira a leste ate a colónia da Chibia. fertilisa os seus 
campos maririnacs: dahi até a confluência com o Caculo- 
var na Kihita toma o nome de Chímpumpunhime. 

Os terrenos que formam este valle são os mais férteis 
do planalto, e pída sua disposição em extensas várzeas de 
pequena accidentação, são os mais aptos para culturas 
europí-as em lonira escala. 

Todos estes rios durante a estação das chuvas torren- 
cíaes adquirem grande volume d^airua, que trasborda in- 
nundando os terrenos marí>inaes e difficultaudo o transito. 
Estas innundaçôes são proveitosas ou prejudiciaes para os 
terrenos axrricultados conforme a sua accidentaçáo, da qual 
derivam maiores ou menores difficuldades ao livre curso 
das ai^uas. E' assim que na bacia do Lubango ellas preju- 
dicam a fertilidade dos solos agricultados, roubando-lhes 
íí^rande parte das matérias orgânicas, que vão sendo de- 
positadas nas várzeas, por onde as aguas correm desafron- 
tadas e menos rápidas. Xo valle do Chimpumpunhime 
ellas concorrem para augmentar o vigor vegetativo do 
solo das suas margens depositando n'ellas a riqueza orgâ- 
nica arrastada dos pontos altos e accidentados. 

O anno divide-se em duas estações: chuvosa e seeca. A 
primeira começa em outubro e termina em abril; a segun- 
da começa em maio e estende-se até setembro. Cada uma 
(Fí^llas subdivide-se em duas partes. A estação chuvosa 
com pr(»h(*nde íluas quadras: das pequenas e das grandes ehu- 



-45 — 

vas. A primeira abrango os mezes de outubro a janeiro, 
em que as chuvas são pouco abundantes, com intervallos 
de alguns dias, acompanhadas de pequenas trovoadas, que 
começam de dezembro em diante. N'esta quadra passam-se 
períodos de quinze dias em que não chove. 

A quadra das grandes chuvas começa em janeiro e ter- 
mina em abril, tendo o seu máximo em fevereiro e março. 
São chuvas torrenciaes acompanhadas de medonhas tro- 
voadas, que duram, em media, três horas. E' a epochaem 
que apparecem numerosas torrentes e riachos; os rios tras- 
bordam innundando os terrenos marííinaes e difficultando 
O transito. 

As chuvas obedecem a um regimen certo. 

Pela manhã o ceu está límpido e a athmosphera pura 
sem manifestação alguma que presagie uma borrasca. Ao 
meio dia começa a condensação do vapor d'agua em todo 
o plan'alto, appareçendo pequenos flocos de nuvens, que, 
a principio destacados, vão-se pouco a pouco avolumando 
e fundindo em grandes massas acinzentadas arrasta- 
das pelo vento sueste, que domina n'esta quadra. Começa 
a chover das 2 para as 4 horas da tarde, raramente chove 
pela manhã e á noite. Em media chove torrencialmente 
duas horas seguidas, com fortes descargas eléctricas. 

Na quadra das pequenas chuvas as nuvens correm ao 
noroeste bastante afastadas da terra e em pequenas mas- 
sas ; as descargas eléctricas dão-se de nuvens para nuvens ; 
na quadra das grandes chuvas, em que domina impetuoso 
vento do sueste, as nuvens reunem-se em grandes massas, 
que correm aproximadas á terra; dão-se grandes erepeti- 
tidas descargas eléctricas das nuvens para a terra, caindo 
em regra as faiscas sobre as montanhas e rios, em cujas 
margens se dão fr^equentes casos de fulminação. Na pri- 
meira quadra chove isoladamente em uma ou outra coló- 
nia conforme a quantidade de vapor condensado sobre a 
sua área e a predominância dos ventos; na segunda chove 
á mesma hora em todo o plan'alto e com a mesma violen- 



— 46 — 

cia. Em regra, as chuvas torrenciaes não coiiioçam antes 
do meio dia e não passam além das 6 horas da tarde. 

Em abril decrescem as chuvas, e as trovoadas vão ra- 
reando, o vento sopra do nordeste ou noroeste. 

A estação secea subdivide-se em duas quadras: a pri- 
meira abrange os mezes de maio, junho e julho; é cara- 
cterisada pelo abaixamento brusco de temperatura de 
manhã eá noite, pelas ventanias que sopram do noroeste e 
pela formação da geada. E' a quadra de maior frio, em que 
o thermometro baixa a O pela madrugada e sobe a 20 graus 
ao meio dia. E' a epocha das maiores variações thermome- 
tricas. 

A segunda quadra vae de julho a outubro. Desapparece 
a geada, a temperatura torna-se mais egual e os ventos 
sopram do norte e nordeste com pouca intensidade. 

As variações thermometricas acompanham as diíferen- 
tes quadras do anno, mantendo um coefficiente constante 
em relação com a situação dos togares. 

A temperatura media, á sombra, de cada uma das coló- 
nias é a seg^uinte: 



.. , . oi . 3 T^ -, . i Altitude IHOQin 

Coloma ba da Bandeira, Temperatura media . . 20o 

Esta colónia está situada no fundo de uma bacia formada 

por montanhas altas ao norte, leste e sul; é desabrigada 
do lado do oeste. 

^ , . , ^ , i Altitude 1780m 

Colónia do Caculovar. . ^ Temperatura media . . 19" 

Está situada sobre a margem direita do rio Caculovar 
em terreno desafrontado e varrido pelos ventos domi- 
nantes. 



— 47 — 

,, , . , ^, , . i Altitude 1887'n 

Coloma de S. Januário . | T^^^p^^atura media . . 18o 

í Altitude 19t)0m 

Colónia hoer da Palanka, r^,.^^,^^^^^^^ ^edia . . 16" 

A Humpata forma um plan alto miiforme com pequena 
inclinação na linha norte-sul. E' desabrigado de monta- 
nhas dando franco accesso aos ventos dominantes, que 
limpam os terrenos habitados de todas as impurezas. Rei- 
nam n'este plan alto durante o dia ventos frescos da noro- 
este. 

, , ,, .„ (Altitude 1780m 

ro voarão da Huilla . • ., m u ^ ^ a\ orw. 

^ ( Temperatura media . . 2()<> 

Está situada dentro de uma vasta bacia formada ao norte 
e oeste pelas montanhas que limitam o plan'alto da Hum- 
pata, e ao sul pelos montes da Katala Pituako. E' desabri- 
gada pelo lado do oeste. Recebe os ventos frescos da 
Humpata, que lhe fica ao noroeste. 

n 1 • j /^u-u- T 1 i Altitude 1650"! 

t/Olonuis daChibiaeloba. m ^ a- ooo 

! Temperatura media . . 22« 

Estão situadas, em terreno plano e desafrontado, nas mar- 
gens do rio Chimpumpunhime. 



• 



Palanka — temperatura media 9<^ 

S. Januário » » l()o 

Sá da Bandeira » » 15^> 

Caculovar » » 14o 

Huilla y^ y> 14t> 

Chibia ) . ., 

T , » > 16o 

loba 



— 48 — 

Os ventos dominantes são : na estayão chuvosa o sueste 

i 

e na secca o noroeste. 



Sob o ponto de vista da adaptação da raça branca po- 
demos dividir o plan'alto em duas zonas: a primeira, mais 
elevada e fria, occupando a parte Occidental fronteira a 
Kapangombe, fornia a área de colonisaçáo europêa e 
abrange os concelhos da Hum pata, Lubango e Huilla com 
importantes núcleos de população branca: a segunda, in- 
terior-i, baixa e quente, occupando a parte sul e oriental da 
bacia do Kunene e valle inferior do Caculovar, imprópria 
para a acclimaçáo da raça branca pela insalubridade do 
seu clima, forma a área de colonisaçáo indigena e explora- 
ção commercial; abrange os concelhos dos Gambos e 
Humbe, e paizes limitrophes de Kunene, cujo estudo da- 
mos na segunda parte d'este livro. 



A área de colonisaçáo europêa com prebende uma su- 
perfície com o raio de 60 kilometros, tendo por centro a 
colónia da Chibia; é formada pelos concelhos daHmnpata, 
Lubango e Huilla. O seu clima é saluberrimo, em tudo 
comparável ao da Madeira e norte de Portugal. Acha-se 
occupada por colónias constituídas por portuguezes oriun- 
dos da Madeira e províncias do norte de Portugal e hoUan- 
dezes da Africa, conhecidos com a designação de hoers 
(homens do campo). Estas povoações estão bastante flores- 
centes e para ellas vão todos os mezes grande numero de 
famílias madeirenses, que desde a sua chegada entregam-se 
á agricultura e a diversas profissões, taes como: carpinteiro, 
pedreiro, serralheiro, sapateiro, etc. 

N'este plan'alto é realisavel e está realisada a acclimaçáo 
da raça branca. Ha creanças, filhas dos colonos madei- 
renses e hoers^ em numero mais que sufficiente para provar 
a acclimaçáo. Espalhados pelo antigo concelho da Huilla 







**• 



\ 



- 49 - 

encontram-se numerosas famílias em 3^^ e 4^> grau conser- 
vando puros os caracteres da raça caucasica. Encontram-so 
n'este plan'alto indivíduos robustos e sadios com 70, 8J, e 
90 annos de edade, que contam 20, 30 e 40 annos de resi- 
dência contínua sem manifestar a menor alteração que 
revelle resistência do organismo á sua adaptação ao novo 
meio. Esta adaptação é completa e como tal deve consi- 
derar-secomo verdadeira acclí mação. Provam-no as flores- 
centes colónias madeirenses e hoers, o grande numero de 

creanças, a longevidade de muitos habitantes da Huilla e 
os seus descendentes. 
Na qualidade de medico naval tivemos ensejo de visitar 

e estudar a maior parte das nossas colónias da costa Occi- 
dental da Africa durante seis annos de permanência em 
differentes climas. Percorremos todas as ilhas de Cabo 
Verde e Guiné e conhecemos os seus etf eitos climatéricos 
e nosologicos. Estacionámos por varias vezes em S. Thomé 
e Príncipe, Ajuda, Loanda, Benguella e Mossamedes, onde 
exercemos a profissão medica; pois bem, da comparação 
das condições climatéricas e meteorológicas de cada unia 
d'estas localidades com o regimen ectiologico e nosolo- 
gico ficou-nos a profunda convicção de que s6 no districto 
de Mossamedes e em especial no plan'alto existe a verda- 
deira acclimação do cmropeu provada já por numerosíssi- 
mos factos. 

As manifestações do impaludismo no plan'alto são tão 
atenuadas que perdem toda a gravidade. Resumem-se em 
febres palustres quotidianas e terçãs que duram pouco tem- 
po sendo facilmente debelladas pelo uso do sulfato de 
quinino. As formas graves da intoxicação palustre não- 
existem na área da colonisação europêa. 

As povoações, em que desde a sua chegada os colonos 
e imigrantes podem entregar-se aos trabalhos de campo 
e a differentes ramos de industria, são: no concelho do 
Lubango as colónias Sá da Bandeira e Caculovar; no con- 
celho da Humpata as colónias de S. Januário e Palanka 



(■ no coiifelho da Huilla. a povoarão (reste nome e as co- 
lónias de S. I*edro da rhil)ia e loba. Alem destas locali- 
dades já foram estudados c escolliidos novos terrenos para 
fntiiras colónias aléni da união dos rios Caculovar e Chini- 
pnmpunhiine. 



capítulo V 

CONCELHO DA HUMPATA 



stende-se pelo plan'alto da'Hum- 
pata, (On-Pata) que occupa a par- 
te mais Occidental da zona alta. 
Oomprehende a colónia de S. 
Januário, habitiida por madei- 
renses e hoUandezes c a Palan- 
ka occupada exclusivamenie por 
hoUandezes. 

' A sua área é de 8100 kilome- 
tros quadrados, dos quaes so- 
mente 150 hectares estão occu- 

pados pelos colonos. 

E' formado por um systema de montanhas e coUinas 
distanciadas de B5 a 75 kilomeíros dos solos a^icultados, 
ficando por isso bastante desafrontados. 

E' limitado a oeste pela cordilheira da Chella; ao norte pela 
bacia do liubancro; a leste pelo valle do Lupôlo e bacia da 



Huilla e cirj -'j1 ijT^A'»r^<i-^T jrlo vai'- d-»i himpampunhi- 
me at<f ar^ Orirx, V>i. 

E" atríivf-^^v:']^^ d»r XE piara SSW j#«*r uiua ci^rdílheira 
Cíiin dí-^í^a^y>».-> diversa.-, da q-jâl a mai- ícipi>nante é a 

fiáftrã íJa X#rí>»r- 

Er?le conc*rlho <e <uIiado p«fr irrand».* numcn» de peque- 
nos rioíf. sí-ndo o principal o Xe}>e que reúne a> asruas 
de Upí\o< ffrr ouí:-'f?-, E-!e rio l^-in a >ua oriíreui na serra } 

do NV'l>i' a X'^ do conc*iho: ati-aves^sa a eolonía de S. Ja- ' 

nuarío abasK<-end^>-a j>^ir ni«'io de unia levada de 5 kilo- 
metros. Durante o seu percurso toma diversa> designavões. 
A 12 kiIometrí>s ria jKivoação chania->e Gando, mais adi- 
ante tem o nome de Tybanirala, mais abaixo, leado rece- 
bido as a^uas de dífferentes aflluentes fonna o Xene, que 
passa a ser denominado Chimpumpunhime dc*sde que volta 
o seu curso a E e ESE até á sua confluência com o Cacu- 
lovar a S da Kihita. Tem como aífluentes prineipaes os 
rios Typandeu e Kanyam^e. que nascem a E da sede do 
concelho e vão lancar-se nelle a meio da colónia de S. 
Januário: o Kaien^a, que na^^ce a W na serra do Huio e 
depois de um curso de 7 kilometros lanca-se no Xebe 
dentro da povoação. 

A Palanka é formada por uma planicie bastante imifor- 
mc% ondulada apenas por um systema de collinas baixas. 
O seu principal rio é constituído por três riachos e apóz 
um percurso de 12 kilometros lança-se no Xebe junto á 
laí^oa do íiando. 

Além d'estes rios o planalto da Humpata éirriorado por 
oulios de menor importância, taes são: o Mutylambo, que 
fertilisa o Jau e o Melambe, que atravessa a Bata-Bata. 

(Joloiiin <le H. .Tanixaiúo 

Esta situada na parte central d'este plan alto com a alti- 
tude (1(5 1887 metros, O seu clima é saluberrimo, com justa 
razão considerado o nu^lhor de toda a zona alta. Possue 



00 



abundância dagiia que é magnifica e contem ferro. Os 
seus terrenos são férteis e prestara-se a todas as culturas 
europêas. 

Foi fundada em 1881 por um grupo de famílias hollan- 
dezas que haviam emigrado do Transvaal e se estabelece- 
ram em território portuguez mediante authorisação do 



governo. 



Em 1883 o governo mandou reforçar este núcleo de 
colonisação com os sobreviventes da extincta colónia Júlio 
de Vilhena, e em 1885 começou a corrente de imigração 
madeirense. 

Os colonos boers, até então únicos senhores doesta fértil 
e salubre região, desgostaram-se da proximidade turbu- 
benta dos seus novos visinhos e concorrentes, que foram 
perturbal-os no seu viver pacifico, armando-lhes fúteis 
questões por causa da divisão dos terrenos e partilha das 
aguas e sobretudo por serem indi dduos da mais baixa es- 
phera, indolentes e viciosos ; venderam os seus terrenos e 
foram estabelecer-se na Palanka: alguns, mais descon- 
tentes, tomaram a resolução do regressar para o Trans- 
vaal. 

Do primitivo núcleo bocr que iniciou a colónia de S. Ja- 
nuário ficaram residindo n'ella apenas doze famílias. 

A maior parte dos colonos da extincta colónia Júlio de 
Vilhena abandonaram o planalto em 1885, epocha em 
que findaram os seus contractos. 

Da colónia madeirense, que já formava um importante 
núcleo, foram retirados 44 indivíduos de ambos os sexos 
que se estabeleceram no valle do Chimpumpunhine fun- 
dando a colónia de S. Pedro da Chibia, sendo mais tarde 
reforçada com algumas famílias pertencentes á colónia Sá 
da Bandeira. 

A colónia madeirense em S. Januário compõe-se de 28 
famílias com 149 pessoas. Este numero porém vae cres- 
cendo por isso que o governo, tomando em attençáo a fer- 
tilidade dos terrenos da Hum pata, o seu rico manancial 



— 54 — 

d'agiias, a salubridade do seu cliuia e a conx enieiíeia de 
ter ao lado dos boers portuguezes que coutrabalaneeni a 
sua influencia, resolveu estabelecer uma vasta colonisação 
madeirense no valle do Xene. 

Esta povoação está em communicavão com a colónia Sá 
da Bandeira e Huilla por meio de 2 estradas carreteiras 
com a ext(?nsão de 17 kilometros cada uma. 

A povoação, sede do concelho, compõe-se de grande nu- 
mero de cazas de colonos madeirenses e l):h:rò\ dispostas 
com pouca regularidade e alternando com os terrenos 
agricultados, a que dão o nome de arimos. A maioria does- 
tas cazas são íeitas de adobe (espécie de ti^jollo endurecido 
ao sol) e cobertas de colmo. 

Existem oito ruas cujos nomes são: Bella Vista, Fran- 
cisco Costa, Bettencourt S. Sebastião, Mercado, Frederico 
Botha, Pitter Botha, AcampauK^nto. Ha uma avenida com 
o nome de Eleutherio Dantas e um laríí'0 denominado 
Praça da Colónia. 

As edificações publicas com prebendem: a residência do 
director da colónia e chefe do concí^lho, casa ordinária e 
sem commodidades; é construida de adobe e coberta de 
colmo; n'ella estão installadas as repartições publicas; o 
quartel do esquadrão de cavallaria, com[)osto de duas ca- 
vallariças, uma enfermaria para os cavallos e casa da ar- 
recadação, cobertas de ferro zincado; uma casa arruinada 
em que vivem os soldados: a cadeia acanhada e mal cons- 
truida: a capella em ruinas. 

Existe um templo protestante^ mandado construir por 
subscripção aberta entre os horri^. 

Os arimos dos colonos occupam 150 hectares de terre- 
nos cultivados. As principaes culturas são: trigo, batata 
doce, batata ingleza, milho, fV^jão, ervilha, fava, hortaliças 
e arvores de fructo. 

A vinha dá-se bem n'(»stes t(*rrenos e al^anis colonos já 
teem fabricado pequenas [)orçôes da vinho, que é de boa 
qualidade. 



DO — 



Oolonia. da. Pa^la-xílca, 

Fica a 7 kiloinetros a sueste da colónia de S. Januário. 
E' habitada por 60 faniilias hollandezas com 323 pessoas. 
As casas estão situadas a distancia de 1 e 2 kiloiuetros 
umas das outras, occupando uma área enorme sulcada de 
estradas em todas as direcções. 

Os hoers não ^í^ostam do bulicio, amam a vida isolada em 
que não tenham a soíTrer questões de visinhança. 

As suas casas são bem construídas, espaçosas, comino- 
das e muito aceiadas. 

Os hoers são nuiito dedicados a Portug^al, e tem prestado 
relevantes serviços na manutenção do nosso domínio nos 
sertões dos districtos de ]\Iossamedes e Benguella, concor- 
rendo poderosamente j^elo seu prestigio e influencia para 
submettere a vassallar muitos povos rebeldes. K certo que 
são dotados de um espirito altaneiro e independente e não 
se subjeitam nem amoldam aleis, códigos e mais formulas 
de administração publica, pelo que tem sido injustanu>nt(^ 
mal apreciados, mas é incontestável que são liomens de 
uma raça superior, dotados de inquebrantável força de 
vontade, honestos, sóbrios e trabalhadores. O districto de 
Mossamedes e em especial o plan'alto deve-lhes entre nuii- 
tos melhoramentos a paz octaviana que hoje disfructa em 
beneficio da sua a.í>TÍcultura e commercio. Foram elles 
que domaram os irrequic^tos povos indii>'enas d'este pla- 
n'alto, castigando com rigor os roubos e morticinios prati- 
cados contra os brancos, que então viviam sol) a tutella dos 
régulos. São elles que nos momentos de angustiosas crises 
por que passam os poucos portuguezes internados pelos 
vastos sertões do Kubango, Bihé e Humbe, correm gene- 
rosamente em auxilio das nossas diminutas forças, incu- 
tindo-lhes animo para arrostarem contra as tremendas 
hordas de selvagens, que ameaçam de vez em quando ani- 
quilar o nosso prestigio, pondo em evidencia as suas altas 



— 56 — 

qualidades de jL^iierreirOvS afíeitos ás iiicleineneias da vida 
do matto e vertendo o seu sangue, saerificaiido a vida e 
os bens em deíeza dos nossos interesses. As campanhas do 
Kubanox), do Bihé e do Humbe são documentos perdurá- 
veis, que attestam a veracidade das nossas palavras. 

Quando em 18(S1 entraram os Imrs no nosso território, a 
nossa iníluencia no planalto era insignificante; os peque- 
nos núcleos de portui> iiezes, que então viviam na Huilla e 
no Humbe, dependiam da authoridade dos povos indigenas 
que consideravam irrisória a nossa authoridade, mais no- 
minal do que real. IJentão para cá travaram-se sangren- 
tes hictas (uitre os indígenas e os fmrs acostumados a do- 
minar a rava africana, ate que prevaleceu a influencia dos 
últimos em beneficio da nossa authoridade, que pa.ssou a 
ser acatíida e respeitada peh)s vencidos. 

Xão comportam os acanhados limites d'este modesto 
trabalho um (»studo detalhado sobní estes corajosos pionei- 
ros da Africa, sobre a sua infkiencia na civiUsaçáo africana 
e os longos serviços- desinteressadamente prestados a bem 
do nosso dominio. A historia commovente da sua peregri- 
nação do Transvaal á Hum pata atra vez do deserto do 
Kalahari, as fadigas, perseguiçõt^s i) desgraças que os 
acompanharam, são magistralmente narradas pelo distin- 
cto major Arthur de Paiva, na s(\gunda parte do seu bem 
elal)orado relatório sobre a campanha do Bihé. 

Não pod(Mnos esquivar-nos a transcrever alguns perío- 
dos de interesse palpitante para quem deseje conhecer o 
caracter e os costumes (Vestes bravos desc(»ndentes de 
Pretorius. 



Do caracter tenaz, espirito independente e dotado d'unia força de 
vontade incomparável, tem comtudo recuado passo a passo em face das 
exigências d'uma civilisaçào <rananciosa, occulta sob a capa humani- 
tária e sympathica do pros^resso do indií>'ena, e da enofrenagem com- 
plicadissima da machina governativa, cuja theoria burocrática inexpli- 
cável ao seu modo de pensar, pratico e simples, nào comprehendia. 



— Oí — 

Cioso de liberdade repelle toda a innovaçào tendente a cercear-lli'a. 
Foi assim que o Transvaal se achou sob o dominio do verdadeiro hoer^ 
o vooefrekker, cujo typo caracteristico tivemos oecasiào de observar. 

Era de prever que um povoem que predominava o elemento expulso 
da Europa pela revogação do Edito de Nantes e perseguições religiosas 
que se seguiram em diversos paizes, descendendo na maior parte de 
famílias de antiga nobreza, activas e pouco costumadas a dobrar o cer- 
viz, se nào amoldasse nos sertões africanos á vontade, muitas vezes 
despótica, dos governantes, possuindo vasto campo onde exercer a sua 
actividade e força para repellir imposições que lhe nào agradassem. 
Além d'isso a sua educação biblica levava-os a imitar a vida nómada 
dos antigos patriarchas; e os êxodos em busca de terra promettida 
succederam-se uns aos outros sem que as authoridades do Cabo lhes 
podessem pôr impedimento. 



Os hoers sào em geral valentes e aguerridos. 

Sào tào agricultores como qualquer dos chamados agricultores do 
plan'alto, e sabem mais sobre o assumpto do que muitos d'elles. 

Além d'isso, o Iwer é creador de gado, ferreiro, carpinteiro, sapa- 
teiro, curtidor, etc. Sabe das artes mais indispensáveis o bastante para 
construir a sua casa, concertar o seu carro, curtir o couro com que faz 
o calçado para si o sua familia, fazer as suas mezas, cadeiras, camas, 
etc. E' também grande caçador e a mulher e os filhos tomam a seu 
cargo as plantações se a sua ausência se prolonga. 

Os seus costumes sào simples e honestos. Respeitam muito o minis- 
tro da sua religiào, nào consentindo que elle tome uma parte activa 
nos seus negócios políticos, mas nào despresando também os seus con- 
selhos. 

Todos elles sabem lêr e escrever ou pelo menos, assignar o seu nome, 
e sào tào versados na eseriptura sagrada como os seus próprios minis- 
tros. Quando lhes ftiltam professores, a sua instrucçào rudimentar é 
transmittida de pães a filhos com uma persistência digna de louvor. 

Ocioso será dizer que o colono madeirense comparado 
com o hoer deixa muito a desejar. Boçal, ignorante, vicioso 
e indolente, escumado das ultimas camadas da população 
l)aixa da fiadeira, não produz a quarta parte do trabalho 
d'aquelle, nem dispõe da energia e coragem para se impor 
no animo do indígena, que não lhe encontrando outros 



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|vi/f;^/ ;;'/- v •,• ';/;<;'>-, Ví^Wa a lini^^uj ;* •:".:::. i^-za^ mon- 
tra i;/- r r jy r!^í j^: >^'— > d i-* n í*--^-- c »:'>rx::i-- e a-iniira 

a '^':^i.\'A A- 'i :l- :v'/--'í* i-:-: com o o'i- ni » ^- c •níormara 
í' rr/í a \>v^\:/\ ;:a 'í ;f- n /-->-* ci-t i:íi -< pira c »:n ns pre- 
to-, \K7. :; íj i- r,o- •--*; i^an*!-- o n^-j-ri in u:la i »-lhe prin- 
(úifhf- t>' (\\ ,,\ - ;;á'> íj j- d -Vi* ij-a'irar •* d in 1 >-lh^* nnp*>r- 
t?i!jc;a c a'Vr:/;i'i <^'i»' r,'ii in»'rv-\ At«'>:\i ♦*<:-< pr^v meei- 
lo- iU* raí/a ^j'i" d<^n v<ri!ji '•• rlain^-ní" da^ irraiile^ Iuel:i< que 
o^ //'/'// iravaívi:;j i'h\i\ a- raea-i indiir**nas para cis subordi- 
nar a - ja jriíl vivaí. e iiiint t a <:ipr.*!n i/ia da sua raça 
no interior dAfViei, síio e\e«'ll»'ntf-; p •nxki^. siiisrelos no 
•^eij liiodo de vida jmtriarehal. aííax eis no traelo, atteneiosos 
e piístav íMS. 

l-r íonvieeâo nossa que o celebre explorador Lewings- 
tone se rleíxou íirrastar por um inqualificável espirito de 
anímadversâo ccmtra os bo^r.< e por ventura prestou denia- 
zíado CHídíto ás narrações de muitos povos, que andaram 
em lucla com elles. Só assim s(* explica a maneira agres- 
KÍva e desljal com que o sábio explorador pretendeu dene- 
irvlr os hábitos de vida nómada d'est(*s arrojados pioneiros 
da cívilisaçâo (? proí^resso africano. 

í)m terrenos da Humpata são férteis e apropriados a mui- 
tas (fulttiras em'opeas: alem de diversas variedades do tri- 



goH duroH tí inollaros e le<çuminosas, eiicontrarn-se nos ari- 
mos dos colonos muitas arvores fructiferas, taus como: no- 
gueira, amendoeira, cidreira, pecegueiro, laranjeira, li- 
moeiro, marmeleiro, pereira, macieira, amoreira, etc., to- 
das com excellente desenvolvimento. 

Existem algumas plantaí^ões de euciílipto de grande uti- 
lidade para o saneamento da povoavào. 

Nas florestas, que se acham bastante desviadas das po- 
voações, enconfrain-se muitas espécies vegetaes, forne- 
cendo óptima madeira para construcção. íaes são; a mu- 
panda, com l>oa madeira clara applicavcl a obras ligei- 
ras, a sua casca é adstringente usada em larga escala na 
çurtií^ào dos couros; o munvende, cuja madeira é roxa, no- 
dosa; a nocha de consistência rija; o mungòlo de cor ama- 
reila, fornece excellente madeira para obras de carpinte- 
ria; o pau, ferro, etc, etc. 

A despeza feita pelo governo com esta colónia durante 
o anno económico de 1890-1891 foi de 2:1858000 réis, dis- 
tribuídos em .subsidio aos colonos, obras publicas, trans- 
j)ortt's etc. 



— 60 — 



Pintores 



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Alíair.t 



♦•s 



Barbeirn.s 
CarpinlPÍnis 



Curtidorcs 

Pí^ílrnirí» 

Mólí»irus 

Surradons 

Oleiros 

Marceneiros 

Serradores 

Sapateinís 



•x. 



Jornaleiros e einprev'a- 
jjados de agricultura 

Sapateiro 

Oleiro 

Funileiro 



Alfaiate 



/ g 






;{ 



4 

1 27 

I 

1 
12 



Serralheiro 
CarpÍFileiro 
Moinhos 

Fornos de telha e tijolo 

I N.Mle alunmos ) j„^j,.„^.ç.^ 
I M." de alumnas \ primaria 

Numero de ''stahi-lecrinienlos 
de vend.i de vários arlifros 

Entrados ^ 

'Retirados 



f. 



3 



Nascimentos 

CasameFitos 

Ohitos 



\ -: 






'j. 



^-g f Numero de halitantes da co- 



j lonia 



88 
118 



Nuiiier») de fa mi lias de colo- 
nn> 



Maiores 
Menores 
i Maiores 



i I f -/. 



-~ ' f K 



Menores 



264 

208 



24 



4() 

10 

8 

88 

88 



Masculino 
Feminino 
Masculino 



I 5 



Feminino 

Masculino 

Feminino 

Masculinos 

Feminos 

Masculinos 



I - 
(i- 









28 

16 

12 

4 

1 

3 
1 



renuninos \ 5; p 

ri ''^ 



Masculinos 



Feminino 



Militares 



Negociantes 



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V. 



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(iuarda livros 



De adche com cobertura 
de ferro zincado 



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100 



De pedra e barro com co - 1 c 
berluradeferrozmcadol c- 



Dt' adohe com cobertu- ^ % 
ra de telha de barro, ^■ 



De adobe coní cobertura! =• ' 
de colmo 

De pau a pique com co- | » 
lK»rtura de colmo í 



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ÍOO^ 
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Vaccas 
Carneiros, 



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3 

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Cabras / 

Porcos 

Cavalios 

Egoas 

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32:000 litros Trigo 



i:970kilos Batata 



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i:890kilos Ervilhas) c. 



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6:138 litros 1 Feijão 



8:200 kilos 



24:000 litros 



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Tri^ro 



1:900 litros Ervilha 
10:000 litros I Feijão 
23:090 kilos | Batata ) 
20:000 kilos í Cará 
1:064 litros Cevada 



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3:Oo7 litros Aveia 



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Centiares 



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2:576 

506 

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Hectares 
Ares 



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Hectares 

Ares 
Cenlearesi 



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30:729 litros 



12:000 litros 



4:138 litros 



1:564 litros 



17:122 litros 



55 litros 



4:875 litros 
870 litros 



26:545 kilos 
250 kilos 
50 kilos 



29:616 kilos 



Trigo 
Milho 



Centeio 
Cevada 
Feijáo 



Gráo de bico 



Ervilha 

Fava 

Batata ingleza 



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3:657 litros 



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18 
20' 
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2:8(H) 



180 
12 

27' 
6" 

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Aveia 



Amoreiras 



Pecegueiros 



Castanheiros 



Figueiras 



Cerejeiras 



Larangeiras 



Limoeiros 



Tangerineiras 



(Cidreiras 
Goiabeiras 
Bananeiras \ 
Oliveiras 

Videiras 



Homanseiras 
Ginj eiras 



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Amendoeiras 
Nespreiras 
Pereiras 
Marmeleiros í 
Macieiras 
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CAPITULO VI 

CONCELHO DO I.UBAXGO 



imita ao norte eoin a cordilheira 
da Chellae concelho de Quillengues 
(Tylenge), ao sul e sueste com o 
plan'alto da Humpata, a léste com 
o concelho da Huilla. 

Comprehende as colónias Sá da 
Bandeira e do Cacidovar. 

K' formado pela bacia do Lu- 

l)ango que se prolonga ao rumo do 

I sueste com o valle superior do Ca- 

cnlovar na extensão de 30 kilome- 

tros. 

Oolonin 6il da. Unndeiím 

Está situada nas origens do rio Caculovar dentro de 
uma bacia, ciya superficie é de 50 kilometros quadrados, 
formada de pequenas collinas das quaes a principal deno- 



-64- 

minada Kakoiido occupa o centro e sobro ella assenta a 
colónia. 

A bacia é constituida por altas moutanhas, que são: ao 
norte as serras de Nigombe e Nuinpaka, esta ultima forma 
a abertura superior da portella da Kilemba ; a oeste as 
serras de Kongola e Karuéke, que dão accesso para o 
plan'alto da Humpata por um estreito desfiladeiro denomi- 
nado hocca da Humpata; ao sul a elevada montanha do Mu- 
koto que interrompendo-se bruscamente em toda a sua 
altura de 400 metros forma a ponta do Lubango. A ESE fica 
a abertura do valle por onde corre o Caculovar. 

A altitude da colónia tomada na linha media da collina 
Kakondo a meio da povoação é de 1800 metros. 

As montanhas que a circumdam, cobertas de abundante 
vegetação, elevam-se de 120 a 400 metros sobre o fundo 
da bacia; são constituídas por um terreno silico-argiloso 
de declive pronunciado, onde sobresaem grandes mansas 
de gneiss. 

Pelos valles comprehendidos entre as coUinas correm as 
nascentes do Caculovar, sendo as mais importantes: o rio 
Mopunda, que nasce na serra de Karuéke e segue de N 
para SE banhando o norte da colónia; o rio Mukufi nasce 
na serra do Kongola, recebe as aguas do riacho Mukori 
que desce do plan'alto da Humpata, banha o sul da coló- 
nia, reune-se ao Mopunda a 1,5 kilonietros a sueste da 
colónia no sitio da Machiqueira, corre em estreito valle em 
direcção ao sueste e depois de receber as aguas do Nuin- 
paka forma o Caculovar. Do riacho Lubango, affluente 
do Mukufi parte uma levada de 15 Ivilòmetros, que iriga o 
centro da colónia; do Mukufi correm duas outras que abas- 
tecem os casaes situados na parte sul da collina. Estas le- 
vadas fornecem diariamente 62424 metros cúbicos de 
afifua. 

Posto que a colónia esteja encravada entre altas monta- 
nhas, que a privam do franco accesso dos ventos frescos 
do plan alto da Humpata, o seu clima é salubre e os seu» 



— 65 — 

terrenos, ainda que humedecidos pela grande quantidade 
de regatos, que formam as origens do Caculovar, são fér- 
teis produzindo todas as culturas da Europa. 

Esta colónia foi fundada em 1885, sendo ministro da 
marinha e ultramar um dos estadistas que maior interesse 
e dedicação tem manifestado pelo engrandecimento das 
nossas colónias. 

O nobre ministro Pinheiro Chagas, tendo inteiro conhe- 
cimento das óptimas condições de salubridade do clima e 
fertilidade dos terrenos do plan alto, então denominado da 
Huilla por ter sido este o primeiro ponto occupado pela 
raça europôa, resolveu crear um nov^o Brasil aproveitando 
as faculdades cosmopolitas dos naturaes da Madeira, que 
pela sua situação geographica, natureza do clima e hábi- 
tos marítimos são os mais aptos para longas imigrações, 
fazendo derivar para as nossas colónias a corrente migra- 
tória que o excesso de população e precária situação eco- 
nómica das ilhas jorrava para as plagas inhospitas de 
Deraerara, Sandwich e portos do Pacifico. 

A 18 de novembro de 1884 aportava a Mossamedes o 
transporte de guerra índia conduzindo a bordo a primeira 
colónia de madeirenses em numero de 222 indivíduos dos 
dois sexos. Em principio de 18S5 chegaram os imigrantes 
ao plan'alto e escolhido o sitio para a fundação da colónia, 
deram começo aos trabalhos de construcções e preparação 
de terrenos para as sementeiras. N'este mesmo anno foi a 
colónia reforçada com 349 imigrantes conduzidos pelo 
transporte de guerra Africa. Doestes foram destacados 44 
indivíduos, que reunidos a outras íamilias da Hum])ata 
fundaram a colónia de S. Pedro da Chibia. 

O movimento de imigrantes estacionou por dois annos 
até completa installação dos primdros, recomeçando em 
1888 em que entraram 10 colonos, em 1889, 288 e 1890, 
416. 

Até ao anno de 1888 os imigrantes eram escolhidos na 
Madeira d'entre os homens robustos, sadios, sóbrios, e tra- 



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. • : :. - .• vando-a a uni alto 

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-. ...•::»<, pescadores, 
.- ._ »::^.> e inveterados 

. . ••• •:>:• yiriiiv a ílt>rescenie co- 
.! !• < t- VflhaeDUto de vadios, 
>. ■ ** : X v ee.hro a este desnjando, 
. -^y.ivt^ ile t*Mn[)() submeT'^\T-'=-e a 
\ :: D pn>s[>eraiii(^nte inicia".^ na 
' ,'. N i>sivlào. O benemérito iiovrzua- 
V .,K eonv;clIieir() Capello, «guiado ^elo 
. v^ y) V araelerisa, e empenhado de eora- 
N t liio i^ proíiTesso da eolonisação eiii\>- 
,. hMii represiMitado energicamente eoDij-a 
,M Ml, (*\ i(liMU*iando os males que advirão 
. .. , , .1 M uolas eom a remessa de colonos va- 
: ..i^M^mos ipie da metrópole foram ordens 
M u.í I Madeira no sentido de impedir o engo- 
li, mivii. inválidos e sem oeeupação: parece 
11. nuli lis oii são posterííadas ou sophisma- 
, ,M. h lu \ ohiinuado a perniciosa ccuTente de inii- 

, , ,.,M t ^ ' i|»ii'scni()u-se na colónia Sá da Bandeira 
, . I . . , n,ii»lu da Mad(Mi'a como colono contractado. 
I ., I . t lu .*- e e\tranheza, procedeu-seaaverigua- 
^ , .,u i> n Militai sal )er-se que o preto, tripulante de 
,, . . . ,,i. ii.iiii(\ desembarcara na Madeira onde se 
, , I \ id.i {\c vadio com um Iouíío cadastro no 

, i.,.|.i \\r |Milicia. As authoridades para se livra- 

,1 I I ( III. (li \\r carapinha entenderam que o melhor 

. ,,,, , 1,1 |||i n.i cnnt ractal-o como colono emandal-o 

., , . |..|M,..MMla laca branca no planalto de Mossa- 

''; ..i ' I III íiiic os colonos madeirenses são con 

1 1 . 



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4i 



— iST — 

tractados por 5 annos mediante um subsidio durante os 
dois primeiros. Além das passagens e ferramentas agri- 
colas, que lhes são fornecidas por conta do estado, re- 
cebem na Madeira a titulo de empréstimo um adiantamento 
para se proverem de objectos de primeira necessidade. O 
subsidio é de 800 réis para os adultos, 200 para as mulhe- 
res e 100 para as creanças. Muitos colonos vadios vindos 
nos últimos tempos, com o engodo do subsidio, casam á 
ultima hora na Madeira com meretrizes, arranjam ninha- 
das de filhos por empréstimo e apresentam-se nas colónias 
como chefes de faínilia vencendo 2 o 8 mil réis por dia! 

O illustrado governador do districto, o snr. Leitão Xavier, 
investio'ando as causas da decadência relativa da aí?ricul- 
tura nas colónias madeirenses, atribue-a em primeiro lo- 
gar á má escolha dos colonos na Madeira. Do seu excel- 
lentí* relatório sobre o estado das colónias em 1890 trans- 
cnnemos os seguintes períodos: 



Estou h:i dois aiino.s no districto c só ha proximamcnto quatro me- 
zes 6 (|uo tem vindo (Viúi melhor gente, quasi todos os colonos casados 
c dedilhados aos trabalhos agricohis, exceptuando os que vieram no mez 
corrente, que sào quasi todos vadios, phtisicos, cosinheiros, creados de 
servir, velhos o velhas, todos com a denominação de lavrador! Ante- 
riormente vinham muitos colonos amancebados, alguns com meretrizes, 
tinham horror aos trabalhos agricolas, porque nunca haviam traba- 
lhado com enxada, muitos doentes e até tuberculosos, vadios e preten- 
dentes a legares de conductor de carro americano, caixeiro, creado de 
hotel, etc. ! Tive de obrigar alguns a assentarem praça, porque só tra- 
tavam de explorar o estado e os particulares, sem proveito para as 
colónias, antes em detrimento d'ellas; e de entáo para cá, consegui que 
muitos, com receio do serviço militar, se dedicassem á agricultura, tor- 
nando-se proveitosos ás colónias e á sociedade. Parecc-me que seria 
medida acertada promover-se a emigração das nossas provincias do 
continente do reino, porque, sem duvida, os colonos d'aquellas provin- 
cias sào em geral mais activos que os madeirenses, menos dedicados ás 
bebidas espirituosas e mais conhecedores da vida agricola. Tive occa- 
siáo de notar nas colónias a differença sensivel entre o trabalho agri- 






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-es- 
cola produzido por alguns indivíduos das nossas províncias do conti- 
nente do reino que teeni vindo para o districto com guia do ministério 
da marinha como simples colonos sem contrato, e o produzido por parte 
dos colonos madeirenses contratados; por isso, não me resta duvida de 
que a eraigraçáo que mais convém ao districto 6 a emigração do conti- 
nente do reino. 

Uma outra causa, náo menos importante, que concorre 
para estacionar o desenvolvimento agrícola na colónia Sá 
da Bandeira, tem sido o excesso de obras publicas, que 
desviando os braços da agricultura deixa-a paralisada, ex- 
pondo a colónia a crises alimentícias 'e obrigando-a a 
importar géneros agrícolas de primeira necessidade. O 
colono que pode angariar IS(XK) e 18201) réis diários tra- 
balhando nas obras do governo, larga a enxada deixando 
ao abandono o seu arimo, que, quando muito, produz o 
indispensável para a sua sustentação. 

Accresce a circumstancia de estar a colónia afrontada 
por altas montanhas que impedem o accesso aos ventos 
frescos da Hum pata, resultando doesta má disposição, que 
os nevoeiros formados durante a noite na estação secca e 
fria, não sendo varridos pelos ventos, ficam paralisados no 
fundo da bacia, condensam-se pelo resfriamento emanado 
das vertentes das montanhas e pela madrugada precipi- 
tam'-se sob a forma de geada sobre os terrenos cultivados 
queimando as plantações. 

O fundo doesta bacia é, como dissemos, formado por um 
systema de collinas, cujas encostas são occupadas pelos 
arimos dos colonos; succede, que as chuvas torrenciaes 
correndo em enxurrada sobre as abas das collinas var- 
rem os terrenos cultivados arrastando para os valles os 
elementos orgânicos da sua vitalidade productora, d onde 
a necessidade de estrumal-os repetidas ví^zes. Este incon- 
veniente não se dá nas outras colónias, por isso que a li- 
geira aceidentação dos vaUes do Lupolo e Nené permitte 
o aprovi^itamento de extensas várzeas. 

Apezar d'esles defeitos a colónia Sá da Bandeira repre- 



- 69 ~ 

senta um importante centro de irradiação da raça branca 
que tem a sua área de expansão no valle superior do Ca- 
culovar, cujos terrenos, á medida que se afastam da bacia 
do Lubango, se tornam mais férteis e mais aptos para cul- 
turas em larica escala. 

Esta povoação communica por meio de estradas carre- 
teiras com as colónias da Humpata, Caculovar e povoação 
da Huilla. A primeira tem a extensão de 17 kilometros, 
parte do centro da colónia ao rumo de SSW, alcança o 
plan'alto da Humpata atràvez de um estreito desfiladeiro 
praticado entre as serras da Kongola e Mukoto. A segun- 
da tem a extensão de 8 kilometros, segue pela margem 
esquerda do rio ao rumo do ESE. A terceira tem o com- 
primento de 20 kilometros, dirige-se para o sul contor- 
nando a ponta do lAihango na vertente oriental da serra do 
Mukoto. Ha uma outra estrada que parte ao rumo do NE, 
atravessa o rio Mopunda e segue para a aberta daKilemba. 

A colónia compôe-se de duas povoações denominadas: 
povoação de baixo e povoação de cima, dispostas segundo 
o rumo les-oeste que forma o eixo longitudinal da collina 
Kakondo. 

A povoação de baixo é a mais importante pela popula- 
ção, área cultivada, ruas bem dispostas, espaçosas e lim- 
pas, bonitos edifícios públicos e particulares. Na direcção 
les-oeste tem a colónia 3 ruas com a largura de 15 me- 
tros e o comprimento de 550, denominadas: Pinheiro Cha- 
gas, Guilherme Capello e Ferreira do Amaral. No sentido 
norte-sul 6 com a mesma largura e o comprimento de 300 
metros, com os nomes: índia, Camará Leme, Madeira, Ál- 
varo Ferreira. Africa, Leitão Xavier. 

Os principaes edifícios públicos são: a residência da au- 
thoridade administrativa, palacete elegante, commodo, bem 
construído e rodeado de um alegre jardim; n'elle estão ins- 
talladas algumas repartições publicas, taes como: adminis- 
tração da colónia e concelho, camará municipal, tribunal 
do julgado ordinário e correio: residência do delegado de 



— V()-~ 

saúde, o Diais lindo edifício da colónia, construído com 
luxo, conforto e hygiene, pode figurar em qualquer ci- 
dade europêa como construc(^*ão de primeira ordem; n'ella 
está installada a pharmacia: escola pu])lica para ambos os 
sexos, comprehende a residência dos prof(\ssores e amplas 
sallas de estudo: quartel, grandioso edifício em construc- 
çáo; depois de concJuido será a primeira obra n"este gé- 
nero, que possui mos nas colónias: é espaçoso com boas 
casernas, quartos para officiaes, arrecadacõi^s etc: pode 
comportar um regimento europeu. Está situado a leste da 
povoa(^ȇo sobre o pomo mais alto da coUina, donde se dis- 
fructa um bello panorama: o cemitério no alto de unui col- 
lina, l)astante afastado da povoação: é ccn^cado por um alto 
muro: a capella em construccão: a cadeia solidamente cons- 
truída ao lado do quartel: o matadouro, mal situado por ficar 
no centro da pov oação, mas bem construido e espaçoso: 
arrecadação das obras publicas: residências do parodio, 
do pharmaceutico, do commandante do destacamento mi- 
litar, etc. Nota-se a falta de um hospital, que provisoria- 
mente funcciíma em uma casa alugada de limites acanha- 
dos e mal construida. 

As casas dos colonos, ncsia e nas outras colónias, são 
em regra mal construídas, não obedecem aos preceitos hy- 
gienicos. 

Ha três typos de construcções: a de pau a pique com 
cobertura de colmo, a de adobe com o mesmo género de 
cobertura, e a de adolx^ col)erta de telha. O typo mais fre- 
quente é o primeiro. 

Duas terças partes das colónias Sá da Bandeira e Clii- 
bia são formadas de casas de pau a pique; a totalidade das 
casas no Caculovar é deste typo, 

A primeira nec(íssidade do colono que chega ao pla- 
nalto, é nuvã casa, em que se abrigue com a familia. A 
construccão mais rápida e barata é a casa de pau a pique, 
que pode ficar prompta no espaço de trinta dias. 

Sobre os limites de uma área cpu^ (mi regra, não excede 



— i2 — 



colónia um barracão bem construído e (*spaçoso, que ser- 
visse de r€'sidencia, durante os primeiros niezes, aos novos 
colonos. Deste modo disporiam de tempo bastante para 
uma boa construcção, sem os cuidados com o alojamento 
da íamiJia e, o que é mais, sem o trabalho violento de cons- 
truir uma casa em curto (\spa^*o de tempo, ficando, como 
quasi sempre suceede, ah^jado por casa dos amigos e pa- 
rentes. — Todas as casas deveriam ser feitas segundo um 
typo que melhor satisfizesse as condições climatéricas e 
meteorológicas, e todos os colonos obrigados a construil-as 
segundo o modelo adoptado. 

O modelo de casa que mais convém adoptar, deve obe- 
decer aos seguintes princípios de hygiene: 

O terreno deve ser escolhido no alto das coUinas, que 
reúne as condições de seccura e dureza; o das encostas é 
inconveniente* por causa do escoamento das agiias das 
chuvas e regas, e pela proximidade dos rios, onde é mais 
abundante a geada no tempo secco. 

O pavimento da casa deve ser elevado de 5 a 10 deci- 
metros sobre o solo. Deve ser batido afim de adquirir du- 
reza, que se opponha á pulverisaçáo do barro. Deve ser 
feito de uma mistura de duas partes de barro e uma de 
escremento de boi, que o torna mais consistente, dá-lhe 
frescura e cnita a propagação do pulex. 

As pared(»s devem ser de adobe, rebocadas interna e 
externamente com o barro branco conhecido no planal- 
to com o nome de gesso. 

A cobertura deve ser de telha ou de colmo, devendo 
n'est(^ caso ser renovada de três em três annos. 

A orientação da casa deve ser com a frente voltada para 
o N. ou AV. e nunca para S. ou E., porque, sendo as chu- 
vas tangidas pelo vento sueste com grande obliquidade, 
entram as aguas pelas portas e janellas, humedecendo a 
])arte anterior da casa. 

A casa deve ficar afastada da levada pelo menos de 20 
metros. 



~ 73 — 

Junto á casa do colono fica o arimo, cuja área é de dois 
hectares; produz cereaes, legumes, hortaliças e arvores 
fructiferas, etc. A maior parte dos colonos limita-se a ex- 
trahir do solo o indispensável para o seu sustento, visto 
lhe ser impossível exportar os seus productos agrícolas 
para o litoral por causa da exhorbitante carestia dos trans- 
portes por meio dos vagons hoers, cujo preço oscilla entre 
ISOOO a 2S200 réis por arroba. Não ha producçâo alguma 
agrícola nem mesmo industrial que possa suportar a sobre- 
carga de uma taxa tão exagerada. A agricultura no pla- 
nalto limita-se pois a pequenas transacções de colónia 
para colónia; d'ahi o desanimo de muitos que não podendo 
angariar bens de fortuna pela cultura dos seus terrenos, 
esq uivam -S(? ao trabalho rural dedicando-se a outras occu- 
pações que lhes rendam meios de agenciar a vida. Muitos, 
logo que finda o praso dos seus contractos, vendem os 
arímos e casas e retiram para a Madeira. 

A povoação de cima está ligada á de baixo por uma es- 
trada de 2,5 kilometros de extensão. Fica situada no ex- 
tremo oeste da collina Kakondo. Compõe-se de «50 casaes. 

A colónia possue uma regedoria, um corpo de cabos de 
policia recrutado entre» os colonos e uma escola em que os 
colonos novos se exercitam no tiro ao alvo. 

Colónia d.o Cacnlovar* 

Está situada sobre a margem direita do rio do mesmo 
nome á distancia de 8 kilometros a sueste da colónia Sá da 
Bandeira, com a qual comm única por uma estrada carre- 
teira. Assenta sobre uma colhna elevada de 20 metros so- 
bre o leito do rio e bastante accidentada, que oppõe por 
isso sérios embaraços á construcção de uma levada para 
a irrigação dos arimos. Já se fizeram trez tentativas para 
conduzir a agua por uma extensa levada, que partindo do 
entroncamento dos rios Mukufi e Mopunda na bacia do 
Lubango com a differença de nivel de 60 metros na sua 



— 74 — 

origem, contorne o ponto mais alto da collina estendendo- 
se ao longo dos arimos; todas ellas porem abortaram pe- 
rante as difficuldades naturaes da aceidentaeão do terreno, 
tolhendo o desenvoldmento da agricultura e paralisando 
a expansão da colonisação pelo valle superior do Caculo- 
var. Nas margens doeste rio encontram-se várzeas com 5()(> 
a 700 metros de extensão, que poderiam ter sido aprovei- 
tadas para o estabelecimento (resta colónia, evitando-se 
os terrenos accidentados que a boa pratica demonstra se- 
rem os mais impróprios e prejudiciaes ao desenvolvimento 
da agricultura. 

A escolha d'este terreno para inicio da expansão colo- 
nial no valle do Caculovar afigura-se-nos um erro, cujos 
maus resultados já se fazem sentir sobre a situação moral 
e económica dos colonos ali estabelecidos, os quaes entre- 
tidos em tentativas infructiferas para levarem agua aos 
seus arimos ainda não cultivados, e não podendo extrahir 
do solo os meios de subsistência, vão consumindo o me- 
lhor do subsidio, qu(^ mal chega para costear os géneros 
alimentícios de primeira necessidade: d'ahi a parcimonia 
com que se nutrem soccorrendo-se dos géneros mais l)ara- 
tos, que lhes íbrne(*emuma alimentavão defeituosa e defi- 
ciente lev^ando-os em pouco tempo a um profundo estado de 
anemia, que contrasta com a salubridade do clima e fertili- 
dade do terreno. 

Do estudo que fizemos sobre as condivões climatéricas 
do valle do Caculovar ficou-nos a convicvão de que o seu 
clima é superior ao da bacia do Lubango, por isso que a 
sua situação desafrontada de altas montanhas permitte o 
franco accesso aos ventos, que correndo ao longo das en- 
costas e várzeas rarrem-nas de todas as impurezas mias- 
maticas e ao mesmo tempo moderam os efíeitos da tem- 
peratura. Xão approvamos porem a escolha do local om que 
está situada a colónia por ficar muito próxima da acciden- 
tada e estreita bacia do Lubango e, se tivéssemos sido 
consultado, conforme manda a lei, opinaríamos pelos ter- 



i o - 



renos baixos o planos que íbrniani as várzeas do rio e sáo 
os mais produetivos. 

Os óptimos resultados colhidos nas propriedades agii- 
colas do valle do Lupôlo e na prospera e florescente coló- 
nia de S. Pedro da Chibia no valle de ('himpmnpunhime 
sáo devidos ao aproveitamento das várzeas, que pela sua ex- 
tensão se prestam a vastas culturas sem grande dispêndio 
em trabalhos de rega. A valorisação doestes factos deve- 
ria ter servido de (ensinamento útil para a colonisaçao do 
valle do Caiado var, que marcha a passos vacillantes, por 
ventura mal guiados por falta de orientação em assumptos 
de competência pratica. 

Perante a imperiosa nec(}ssidade de fornecer agua aos 
colonos e para dar satisfarão aos seus queixumes e amea- 
ças de abandonar em massa a colónia, construiu-se a pressa 
um açude provisório com levadas para conduzir aos ari- 
mos a quantidade de agua indispensável para as culturas 
de primeira necessidade. 

A colónia é formada por 62 casas de colonos, feitas de 
pau a pique com. cobertura de colmo. Estão regularmente' 
situadas a distancias eguaes e bem alinhadas. A sua popu- 
lação é de 247 colonos, comprehendendo 81 homens, H7 mu- 
lheres, 39 creanças do sexo masculino e 40 do sexo feme- 
nino. Os arimos são em numero de Ml e as suas principaes 
culturas são: batata doce, abóbora, ervilha e feijão. 

Os edifícios públicos são : a residência do sub-director 
da colónia; um barracão mal construido e anti-hygienico 
para abrigo dos colonos recém -chegados e outro que serve 
de deposito de ferramentas, todos grosseiramente feitos de 
pau a pique e cobertos de colmo. Está em construcção um 
edifício regular, de adol)e e cobertura de zinco, que será a 
residência do encarrea^ado da colónia. 



A despeza feita com as colónias Sá da Bandeira e Cacu- 



lovar durante o anno económico de IfslWÍ-I.sííl foi de réis 
fiõrUíTS^^ll disliibiiidos da seíruinte forma: 

Subsidio a colonos 22:i«)ll8ÍHH» 

Ordenados. írratificacões. ajuda de custo. etc. lOifUHSfKHI 

Fretes a carros Wr^ U :1 1: ) (.S<)fK » 

Pessoal í)[)erarío e trabalhador nas obras 

publicas l-2:))!HI.'>n(K) 

Materiat-s para as obras publicas íS:(Hr.)Sl(!H» 

Si-mentes. medicamentos c diversas despezas 2:IHHl.SlHllt 

Nesta dcspezanãoseincliica verba mensal de 2:l)INlS(tlKI 
réis para as obras do quartel, que tendo sido or^-ado em 
48:I)0(>.S*KK) réis já consumiu o melhor de (iOrtH^KStUff) réis 
<• apenas menos de metade está concluído. 



— 77 — 



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CAPITULO VII 

COXCELHO DA HLILLA 



ituado 110 centro da área salubre 
da colonisaç-ão europêa é o mais 
vasto dos concelhos e o mais conhe- 
cido por ter sido o primeiro ponto 
do pIan'a!to explorado e habitado 
pelos portugiiezes. 

Confina ao norte com os conce- 
lhos de Quilleug-ues e Caconda no 
districto de Benj^uella; ao sul com o 
concelho dos Gambos (On-Gam- 
bue); a oeste com a Humpata e a leste estende-se até ao rio 
Kubaníío abrang^endo a enorme área de õ7.0()() kilometros 
quadrados, quasi a superfície total de Portuy^al. 

O sen systema orographico comprehende um aggrupa- 
menío de montanhas que formam o plan'aUo da Hum- 



pata, pròlong-ando-se de norte a sul desde a bacia do Lu- 
bango até o valle da Mucha, na bacia do Lupòlo. onde se ra- 
mifica para ESE e SSE acompanhando a margem direita 
do rio Chimpumpunhime e formando a bacia de origem 
do rio Lupôlo, limitada ao sul pelas serras da Katala e Pi- 
tuako. 

A sua rede íluvíal é formada pelos rios Chimpumpu- 
nhime e Lupôlo. Do primeiro já falíamos, quando descre- 
vemos a rede fluvial da zona alta. 



í) Lupòlo tem a sua oi-i<rem nas montanhas que Umi- 
tem a oeste o valle da Muclia e o separam do plan alto da 
Hunipata. Xasce da cel(.'l)re e pittoresca cKnrutH <hi IhíiUtt 
a oeste da ))ovouvão do mesmo nome; segue ao rumo do 
sueste na exlensão de SO kiiometros o vae lancar-se no 
Chinipuinpunhine á pequena distancia da sua confluência 
com oCaculovar. O seu affluente principal é o rio Mucha 
que nasne aXXW dn unui l>ella eascala. corre ao sueste e 
depois de um curso de M kiiometros, em (jue fertilisa os ter- 



renoK da Missão Catholioa, lança-se no Lupôlo, tendo ím- 
tes recebido as aguas de aljo-uns riachos que fornecem as 
levadas para a irrigação dos terrenos cultivados da Mis- 
são. 

O valle do Lupôlo possua óptimos terrenos aproveitados 
por 25 propriedades agrícolas, onde são cultivadas todas as 
espécies de cereaes, legumes, hortaliças, cana saccharina e 
café, sendo a sua principal producção: trigo, batata ingleza 
e doce, feijão, milho, ervilha e cebola, que são exportadas 
para consumo nas colónias madeirenses do Lubaugo. 



Os terrenos marginaes d*cste vallo estão occupados na ex- 
tensão de 20 kilometros e em larguras de 200 a 500 metros. 

O valle do Chimpumpunhime occupado pelas colónias 
de S. Pedro da Chibia e loba e por 12 propriedades agrí- 
colas que se estendem pelas suas margens na extensão de 
40 kilometros, possue os terrenos mais férteis do plan'alto, 
onde as culturas \ingam com extraordinária pujança dando 
um rendimento quazi fabuloso. Sol>re o prestarem-se a to- 



— 82 — 

das as culturas europeas e tropicaes, não necessitam ser 
estrumados, e os trabalhos de re«'a e arroteamento são fá- 
ceis pela disposi(,»rio ligeiramente inclinada das suas ex- 
tensas várzeas, que pennittem vastas sementeiras de ce- 
reaes e outras plantavôes de maior consumo e rendimento. 
Pela sua riqueza . vej^etativa, representada em húmus, este 
valle e o que melhor se presta ás grandes plantações de 
cana saccharina que já forma uma importante fonte de pro- 
ducvão e receita agrícola, sustentando a rendoza industria 
da distillação de aguardente. 

O futuro da agricultiu^a n'(\st(» plan alto tem o seu campo 
de acção no feracisvsimo valle do Chimpumpunhime, cujos 
habitantes aninuidos com abundantes colheitas se vão es- 
pandindo pelas duas margens do rio até á sua confluência 
com o Caculovar, formando uma densa e vasta área de 
população branca com abundantes recursos e fundadas 
esperanças de bastos meios de fortuna. E' para ali que ha 
de convergir a maior som ma de trabalhos representados 
por grandes centros de agricultura, commercio, industria, 
artes e officios. 

Deixem o-nos de ensaios platónicos por este ou aquelle 
valle, com maior ou menor altitude, melhor ou peor pers- 
pectiva, os seus resultados mais theoricos que práticos pe- 
sam como alavanche sobre o thezouro nacional em dispen- 
(Hos inúteis de obras de luxo e commodidades, que pouco 
proveito dão ao colono e passam á historia como tentativas 
infelizes que lembrarão ao viajante do futuro a saudosa ci- 
tação do mavioso poeta nmntuano: Ioch.s- ubi Trojafiút! 

O que se quer são terrenos productivos que exigindo a 
menor somma de trabalho, produzam a maior somma de 
receita, a par de um clinui compatível com a organisaçáo 
da raça europêa. Pastas condições existem em larga escala 
nos terrenos do valle do ('himpumpunhimc^occupadospela 
florescente colónia de S. Pedro da Chibia. 

X'este vasto concelho existem extensas florestas com ex- 
cellentes espécies vegc^taes, que fornecem óptima madeira 



• - 83 — 

para construcções; entre outras citaremos: a mupanduy o 
mungae, o rnnUmdo, que além de boa madeira foruecem cas- 
cas ricas em tannino utilisadas para o curtimento das pel- 
les; o munyemie, a nocheira, o pau camphora, pau sân- 
dalo, pau ferro, etc, além de vastas planicies de terrenos 
de anilara com excellentes pastagens. 

O clima é salubre e a temperatura fresca e moderada. 

O concelho comprehende a povoação da Huilla com 
importantes propriedades agrícolas no valle do Lupôlo, a 
Missão Catholica no valle da Mucha, as colónias de S. Pe- 
dro da Chibia e loba e as fazendas aí?ricolas no valle do 
Chim pum punhim e. 

I^ovoaç^ãLo da Hu.ill« 

Foi o primeiro ponto do plan'alto habitado pela raça 
europêa no tempo do nobre marquez de 8á da Bandeira, 
sendo governador do districto de Mossamedes o benemérito 
Fernando Leal. 

As primeiras tentativas de colonisaçáo n'este plan alto 
não foram seguidas de bons resultados por má direcção e 
sobretudo pela péssima escolha do elemento d ee/ rada do, que 
compunha a primeira colónia. Seguiu-se uma colónia alle- 
mã, que desappareceu sem deixar vestígios, entrando em 
scena a celebre colónia militar-agricola constituída de ele- 
mentos heterogéneos predominando o soldado deportado. 
Esta colónia passou á historia com o nome jocoso de 
milHar-rídknla e morreu por péssima administração, escan- 
dalosos roubos e indignas extorsões commettidas contra 
os indígenas, que até então nenhuma opposiçâo tinham 
feito ao estabelecimento dos brancos nos seus territórios. 

Ao lado d'estas tentativas de colonisação, que iam suc- 
cessivamente abortando por falta de orientação definida, 
pela nocividade dos seus elementos constituintes, incom- 
petência e manifesta incapacidade dos seus directores, se 
foram estabelecendo muitos colonos livres, oriundos das 



— >4 — 

pro\ incias do noitp de Portu^aL que com o simples re- 
curso do seu trabalho, livres das péas do re*rimen militar, 
barreira invenciveK que paralisa, atrophia e mata a livre 
expansão da raça branca nas nossas colónia*?, iniciaram os 
primeiros trabalhos aorricolas nos valles do Lupôlo e Chim- 
pumpunhime, fundando a povoação da Huilla que teve os 
seus dias de grandeza e prosperidade, como baluarte das 
nossas conquistas no plan alto e empório de imi>ortantes 
transacções cominereiaes com as aguerridas e populosas ra- 
ças ova-nyaneka, ova-ngambue, e ova-nkumbi. 

A corrente de imigração estabelecida, ha quatro annos, 
para o valle do Chimpumpunhime arrastou a maior parte 
da sua população a procurar novos recursos nos feracissi- 
mos teiTcnos d'aquelle rio. Este foi o principio da sua 
decadência: a mudança da s€*de do concelho para a coló- 
nia da Chibia foi o í^olpe de misericórdia, que lhe abreviou 
a lenta ai^onia. Da í^loriosa, populosa e rica povoação de 
outr ora resta hoje um montão de ruinas e casebres gru- 
pados em torno de uma desmantelada fortaleza, que 
assistíí impassível nas suas lí^rossas muralhas de pedra á 
derrocada geral dos seus padrões de gloria. 

E já que a phantasia nos levou a carpir sobre as ruinas 
d>sta Tróia, não nos esqueçamos de traçar nos seus ve- 
tustos muros um epitaphio, que rememore ás modernas 
gerações de colonos que: ali houve coJomas qne custaram rios 
de dhíheiro e morreram por desleixo, incúria e incompetência^ fi- 
lhas predilectas dos nossos processos de adininistração ultramarina! 

A al)andona(la povoação assenta na parte norte da bacia 
do Lupòlo, limitada ao norte e oeste pelas montanhas do 
plan'alto da Humpata. Possue uma bella e pittoresca ave- 
nida ladeada do frondosos eucaliptos. As suas casas em 
peqmmo numero grupam-se em torno da fortaleza. Existe 
uma pequena capella em ruinas e um cemitério. 

As fazendas agrícolas occu])ain as duas margens do rio 
Lupôlo estendendo-se na direcção do sueste. Contem uma 
população de 40 brancos e 9()0() indígenas espalhados, na 



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parte sul da I)acia, pelos terrenos do Kitembo, Mucha e 
Tertentes das serras da Katála. 

A um kilonietro ao sueste da povoação, sobre o alto de 
uma pittoresca collina coberta de luxuriante vegetação, 
está situada a embala (on-bala) do soba da Huilla, aggru- 



pamento irregular de cubatas e palhoças sem situação es- 
tratégica nom meios de defeza. /S. Maçi-jfUuh' híy/íyí faz dia- 
riamente uma visita ás lojas da povoação recolhendo a 
palácio bêbado como um cacho, ás costas dos seus leaes 
conselheiros! 



A povoarão eonimuaica ix)r meio do estradas carretei- 
ras com o LubantfO e Hunipata. conforme atraz ficou dito; 
com a missão calholica por uma estrada de 3 kilometros e 
com a colónia da Chibia por duas outras; uma com 22,5 
kilometros. passa a lesie do monte Pituako e segue ao 
rumo do sueste por entre frondosas ílorestas de mnpandas 
e outra-s espécies \e£çetaes; a outra com a extensão de 27,5 
kilometros passa a oeste do mesmo monte, «ranha a mar- 
inem esquerda do rio até a colónia, sede do concelho. 



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88 — 



IMlHHtio Ontliolica da, Huille. 



K um grandioso estaboleciínento para a educação de 
\Mrunvi^í^ prt^las, riindado e diriídclo pelos beneméritos mis- 
MvMiarios (la (*()iiiiTeíí*avão do Espirito Santo. 

K si^u supiMÍor o rev. *'• padre José Maria Antunes, que 
voai unia tonaeidade disrna da maior admiração tem de- 
uuui.slrado eoni dados positivos que a eirilisaçáo da raça 
uriíia uao ô \una utopia, como a muitos se afisrurava. 

{ > [unvi^rt^sso e desenvohimento deis missões da Huillae 
lau, os óptimos resultados colhidos com a educação pra- 
\\\ a do.s pretinhos alliada á catechese, o ci^scimento rápido 
iUví, lIoiHsi t^ntt^s institutos da missão, a fundação de aldeãs 
\ UuNlas ronstituidas pelos pretos educados pelos presti- 
mosos missionários, são íactos que se impõem aos espiri- 
lo.^ luais im*rodulos. 

\ missào da Ihiilla ci>niprehen<le duas ortlens de cons- 
inu\otN quo se eriruem de um e outro lado do rio Mu- 



V \\A, 



O iiisiunio iJo> rap:izr> esl:i siuia<lo na mai-irem dirtnta 

vlo li,» iu> sino iír:^t>r.iinav:o Ki!finl>o. ro:iiprt*honde: o se- 
M. Li!. ^ i;iOiH«>aiv> r as t^ ;::u:U;>e> ijUe íorniam a missão 
-v^ '...K^-.rr.lo iíiia o n;u» f>]M:ri:ihr.rnii' ilfsiinadas ã eilu- 
x.;,.n^ r rasi!^(> <k;s vT*t;;nvas |irr i.is. i\\ii]»ain uma aiva 
V . .N' I'i\ i.trt^s v-(>ra o\:or.>o> i'a:r.p ♦> uv M-rit-aJuKi. hortas 
^ ...li,i^, \\\Ao tra^alliaiio ]t!os pr^iinh »< v:ih a inielli- 
N \ .' uurriMjo (las nv!s>ii>na::'^s, 

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*» . M.ílliriro, luniI(Mri\ ;;;;,-. ;a:r, s:. '.^-ia-ir-.í. i\::-iiJor, IV- 

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V 



-89- 

agricolas, fabrica de cerveja e celleiro, salas de estudo, ca- 
pella etc. 

Os vastos terrenos agricultados, hortas e jardins são ir- 
rigados por uma levada de 6 kilometros, que conduz a 
agua do rio Kitembo fornecendo 1800 litros por minuto. 

N'este instituto são educadas perto de 200 creanças, das 
quaes 45 seguem o curso do seminário. Quasi todas foram 
resgatadas á custa da missão. Aprendem instrucção pri- 
maria, agricultura, artes e officios; dedicam-se á musica, 
exercício d'armas, etc. 

Logo que chegam á maioridade, casam com as rapari- 
gas educadas no instituto dirigido pelas innds e estabele- 
cem-se no Jau formando núcleos de aldeãs christãs. Ahi 
entregam-se á agricultura, artes e officios auxiliando-se uns 
aos outros. 

O instituto das raparigas é dirigido pelas irmds educado- 
ras de Carnide. P]stá situado na margem esquerda do rio 
Mucha, do qual parte um levada de 5(X) metros fertilisan- 
do os seus terrenos de cultura, que occupam uma área 
de 10 hectares. 

As .edificavôes d'este instituto com prebendem: capella, 
salas, quartos para as hnnds, dormitórios, refeitórios, salas 
de engomar, costura, cosinha, lavarjdaria, sala de estudo, 
enfermaria, etc. As raparigas aprendem a ler, escrever e 
contar, costura, bordados, lavagem de roupa, engomar, 
cosinha, padaria e agricultura. São obtidas por meio de 
resgate (» são oriundas de differcntes regiões como o Bihé, 
Bailundo, Luceke, Humbe e paizes ao sul do Kunene. 

Os terrenos agricultados são muito férteis e fornecem 
variadas espécies de culturas, taes como; o trigo, milho, 
aveia, cevada, centeio, arroz, legumes, batata ingleza e 
doce, íeijão, hortaliças, etc, que chegam para o sustento 
de todo o pessoal. 

Existe no instituto dos rapazes um parque, onde os mis- 
sionários fazem experiências sobre a acclimação de muitas 
espécies vegetaes da Europa. Pode dizer-se que a missão 



- !*• — 

é uma verdadeira quinta regional, onde os colonos e agri- 
eulton.rs do plan alto teeni colhido muitos conhecimentos 
úteis H4^>bre agricultura e arboricultura. São notáveis e de 
grande alcance para as colónias as experiências ali reali- 
nadas com divetisas qualidades de trigo, taes como: o da 
Calífonnía. que dá uma percentagem muito superior ao da 
Kuropa. adaptando-si* á natureza do terreno e ás condições 
do clima. Este triíro vae-^e generalisando entre os colonos 
madeirenses e agricultort*s do valle do Chimpumpunhime 
com manifesta vantagem, o que se deve á iniciativa e ex- 
fon;os dos beneméritos missionários. Muitas arvores da 
Europa tem sido introduzidas no plan alto e estão dando 
bons resultados, devido ás experiências colhidas na missão. 
Alem do trigo da Califonnia, cujo rendimento é superior 
ao do mollar da Huílla, os missionários introduziram o 
ribeiro mollar de (.'intra e um durazio de Lisboa, que as 
experiências verificadas no parque de acclimação demons- 
traram s(?rein os mais aptos para o clima e natureza dos 
terrenos do plan'alto. Algumas variedades de feijão, batata 
(í milho foram também introduzidas pelos missionaiúos 
(*om vantagtMH jjara os colonos e agricultores. A missão 
])Ossuíí 3204 arvores de fructo de todas as espécies euro- 
peus e 15í)í) pés de vinha das variedades mo.>Tatt'K haManU- 
nho (; tltuh) di' daiua. 

Algumas industrias têm sido tratadas pelos missionários 
com óptimo n?siiltado, taes são: a preparação dos cortu- 
m(,*s, para o que ha com abundância no plan alto as ma- 
térias primas; a preparação dos licores, fabrico de telha e 
tijollo por processos aperfeiçoados, serração de madeiras 
a vapor, ete. 

A fabri(*a de cortumes da missão, montada com apare- 
lhos modíírnos, produz annualmente 150() couros que são 
consumidos nas colónias do planalto e villa de Mossa- 
medí^s. 

A missão do fJau foi fundada em 1889. Fica situada nas 
j)roximida(les da (Mnl)alla do soba. 



«'- V— ' 



91 — 

As suas edifica^^ões comprehendem um elegante prédio, 
em íorma de chalrt com differentes dependências, que cons- 
tituem a missão propriamente dita, onde residem os mis- 
sionários, irmãos e innds e são : a capella, casas de resi- 
dência, armazéns, celleiros, etc; aos lados ficam as casas 
que constituem a primeira aldêa christã. São construc- 
ções elegantes feitas pelos pretos e dispostas com aceio, 
ordem e symetria. Existem espaçosas alamedas bem arbo- 
risadas, lagos e jardins que tornam encantadora a pequena 
villa. Já estão cultivados 5 hectares de terreno com horta- 
liças, cereaes, arvores de fructa europêas, etc. 

A missão da Huilla com m única com a povoação do 
mesmo nome por meio de uma estrada de 3 kilometròs 
com a direcção norte-sul; communica com a colónia da 
Chibia por outra que vae entroncar com a que parte da 
Huilla para aquella colónia; com a Humpata por outra de 
22 kilometròs dirigida ao rumo do noroeste pela Palanka 
e finalmente está ligada á missão do Jau por meio de uma 
bella estrada carreteira construída pelos missionários com 
18 kilometròs ao rumo do oes-sudoeste. 

Esta missão foi fundada em 1881, sendo governa- 
dor de Mossamedes o distincto official da marinha, o snr. 
Ferreira de Almeida, o qual informado dos óptimos resul- 
tados colhidos nas missões dirigidas pelos padres do Es- 
pirito Santo e sabendo que o benemérito evangelisador da 
Africa, o padre Duparquet, manifestara desejos de missio- 
nar os povos do plan'alto, procurou por intermédio da 
sociedade de geographia de Lisboa entabolar relações com 
o corajoso missionário, que por esta epocha promovia a 
fundação de missões na colónia do Cabo da Boa-P]sperança. 
O rev.'^ padre Duparquet visitara em 1864 a região do 
Humbe com intuito de ahi fundar uma missão, não o ten- 
do conseguido por falta de appoio e protecção do nosso 
governo. 

Estabelecido um accordo entre o nobre governador do 
districto e o prestimoso missionário, partiu este do Cabo 



— S)2 — 

para Lisboa, onde se discutirain as bases para a fundarão 
de uma missão no plan'alto, dirigida pelos padres da Con- 
gregação do Espirito Santo sob a protecção do Estado. 

Em 1881 partia de Braga o primeiro grupo de missio- 
nários e irmãos auxiliares^ que escolheram a Huilla para 
centro das suas operações. Foi escolhido para desempenhar 
o espinhoso cargo de superior o rev^'^*" padre José Maria 
Antunes que então contava 25 annos de edade. 

A historia da fundação d'esta missão, a narração succin- 
ta das difficuldades que os corajosos missionários en- 
contraram aos seus designios, os estorvos, trabalhos e 
perigos que a cada passo se levantavam a tolher-lhes o 
santo empenho e enthusiasmo pela regeneração da raça 
africana, o progresso e crescimento d'esta grandiosa ins- 
tituição á custa de fadigas, doenças e sacrifícios de vidas, 
são dignas de uma epopêa, que será escripta no livro da 
civilisação africana com o generoso sangue de tantos mar- 
tyres immolados por abnegação e desinteresse nas inhospi- 
tas regiões do continente negro. 

Ouçamos a voz auíhorisada do venerando bispo de 
Echino, D. António Thomaz da Silva Leitão e Castro. 

8. Ex.'* Rev.nia, quando presidia aos destinos da diocese 
angolense, discursando sobre o progresso d'este grandioso 
estal)elecimento e sobre a educação ministrada aos educan- 
dos pretos, que pessoahnente avahou na sua visita pastorai 
ás colónias d>ste planalto, disse: 



VíMido porém aqui, vestidos como nós, fallando a nossa língua, pro- 
fessando a nossa i\\ moldados aos nossos costumes tantos indigenas, 
jovens o creanças dos dois sexos, encorporados d'ahjia e coração em a 
nossa nacionalidade, instruídos, niorigerados, empregados utilmente na 
agricultura, nas artes, nos ollicios, de modo que produzem c oflereceni 
resultados visiveis e palpáveis, traduzidos em quanto ha e se faz n'esta 
magnífica missão; encontrando-os a todos n'este momento comnoseo, 
alegres, jubilosos, regenerados pela fé e pratica da vida christA, quo 
incita ao trabalho e gera a paz e abundância; notando que participam 



do nosso justo enthusiasmo n'esta occasiâo táo solemne, que eí-guem as 
máos para o Ceu, entoam cânticos á Virgem e se extasiam com a sua 
gloria, como filhos que a estremecem; eu nào posso, Senhores, omittir 
agora um testemunho de admiração e de reconhecimento para aquelles, 
que ha nove annos apenas chegaram a este deserto e sem avultados 
recursos o tem assim transformado nas cousas e nas pessoas, demons- 
trando praticamente que o preto se pode civilisai', que o preto bem 
dirigido pode produzir e produz, pode formar colónias agrícolas c in- 
dustriaes solidas e proveitosas; pois tudo quanto. aqui ha e podeis ver^ 
tudo isto que propriamente se pode chamar uma colónia ó feito pelos 
pretínhos sob a direcção de alguns missionários e dos auxiliares da 
missáo, coadjuvados só ha três annos pelas corajosas educadoras de 
Carnide. 

Eis, Senhores, o que opera no interior da Africa a acçào providen- 
cial do missionário catholico; eis como se formam colónias agricolas e 
industriaes úteis o promettedoras, eis o que me convida a dirigir os 
máximos louvores aos padres, ás intrépidas educadoras, que a vida do 
sertão nào atterra e aos auxiliares da missão, todos abnegados c zelo- 
sos c entre os quaes eu conto com orgulho dezenovc pessoas portu- 
gueziis europôas, numero bom superior, só na Huilla, ao de todos os 
portuguezes, comprehendendo mesmo os' Índios e africanos emprega- 
dos nas restantes parochias e missões do meu vastíssimo bispado I 

ia dizer-vos ató, que julgava bem 

compensados os encommodos da minha viagem Chella acima pelo 
sertão de Mossamedes, com a grande consolação de apreciar o bello, o 
notável desenvolvimento, que em três annos, depois da minha primeira 
visita, tem tomado esta obra, deveras importante, sympathica e sorri- 
dente, dirigida por um sacerdote portuguez que tanto honra a religião 
e a pátria e possue o admirável condão de obter pessoal europeu, ultra- 
marino e até bem numeroso e lidmio portuguez, para instruir e educar 
os miserandos pretinho^, a ponto de com elles, dentro em pouco, se 
formarem aldeias verdadeiramente portuguezas, catholicas e civilisa- 
das ! 

São relevantes os serviços prestados por esta missão á 
nossa causa, quer difundindo a civilisação pelos indigenas, 
suavisando-lhes os hábitos de selvageria, domando-lhes 
os instinctos, em beneficio da conquista pacifica dos nossos 
dominios, quer ministrando conhecimentos úteis e provei- 
tosos sobre agricultura aos colonos e agricultores do pia- 
n'alto e educando-lhes os filhos. 



E' indispensável que se organisein novas missões, como 
esta, nas nossas colónias, sob a protecção do Estado. A 
analyse imparcial dos factos, desapaixonada de precon- 
ceitos, patentea á evidencia que o único meio seguro de 
colher resultados práticos e duradouros da civilisaçáo do 
preto é utilisando a influencia intelligente, pacifica e sen- 
sata dos missionários congregados. A missão da Huilla é 
um exemplo digno de admiração e estudo por parte dos 
que se dedicam á resolução do grave problema da rege- 
neração africana. 

As creanças ali instruídas e educadas servirão para de 
futuro derramar a civilisação no interior da Africa mais 
facilmente e com mais utilidade do que os exemplos nem 
sempre moralisadores dos que buscam enriquecer lison- 
geando e explorando os hábitos indígenas com a mira em 
gananciosos interesses, pervertendo e embrutecendo o ne- 
gro. Os trabalhos práticos de agricultura ali realisados com 
instrumentos aperfeiçoados de lavoura hão de mais facil- 
mente convencer os indígenas das vantagens do amanho 
da terra do que todos os tributos com que se pretenda in- 
cital-os a desenvolver as suas culturas. 

Avalie-se da poderosa influencia dos beneméritos missio- 
nários sobre o animo dos indigenas, sabendo-se que os 
aguerridos povos do Jau e Bata-Bata, até então insubmis- 
sos ás nossas armas, estão hoje totalmente pacificados e 
subordinados ao nosso dominio, desde que começaram a 
sentir a benéfica acção da missão do Jau. Os ferozes régu- 
los, que mandavam commetter toda a casta de extorções, 
latrocínios e assassinatos sobre os brancos, que se aven- 
turavam a jjenetrar nos seus estados, actualmente morige- 
rados pela pratica dos bons exemplos difundidos pelos 
corajoros pioneiros da Africa, apresentam-se aos nossos 
governadores para lhes prestar homenagem e reconheci- 
mento á nossa soberania. 

E é este, a nosso ver, o único meio de concitar os indige- 
nas a procurar amistosas relações com a raça europêa: tra- 



— 95 — 

tal-os com brandura, patontear-lhes bons exemplos e con- 
vidal-os por meios suasórios a imital-os. Esta evangélica 
paciência só a tem o missionário que se evola dos interes- 
ses mundanos da sociedade e vae para a Africa dedicar a 
vida inteira á civilisaváo da raça neg^ra, sem atíenções com* 
a sua saúde e futuro, e ali morre, martyr das suas convic- 
ções, acorrentado ás idêas de castidade, obediência e pobre- 
za! Tal é o missionário congregado do Espirito Santo. 

O elogio da missão da Huilla já está feito por mão de 
mestre a quem não nos é dado imitar. A excellencia dos 
resultados obtidos com a educação pratica dos pretos, 
alliada á catechese, foi reconhecida e louvada pelos arro- 
jados exploradores Capello e Ivens na sua immortal obra 
de A^igola á (hntra-Costa. 



A missào, que está collocada em risonho valle por onde serpeia 
pittoresco rio, conipôe-se de vastos estabelecimentos bem construídos, 
cercados de jardins, hortas e terras de semeadura, devido tudo a gran- 
de esforço e trabalho, tendo de drenar as terras em uma grande ex- 
tensão e dirigir as aguas do rio; é n'esse aprazível sítio, onde mais 
agradavelmente se passa na Huilla, que o recem-chegado se sente sa- 
tisfeito ao entrar no gabinete de leitura. 

Exultamos ao ver o sentido pratico que a missáo dá aos seus tra- 
balhos a par d'aquelles da catechese, derramando na área da sua acção 
o gosto pelos labores de toda a ordem, principalmente agrícolas. 

Lembra-nos o que escrevemos ao concluir da nossa obra De Ben- 
(fuella (is terras de lacca, quando falíamos do missionário e práz-nos 
notar que a missão da Huilla, embora não tenha sido guiada pela sin* 
geleza das indicações, de resto sem a menor pretensão, vae casualmente 
em linha parallela com o nosso pensamento. 

Ensinar o indigena a fazer a 

charrua, e extrahir o ferro pelo modo mais aproveitável, a combinal-o 
com o carbono para produzir o aço; incutír-lhe a primeira noção do 
moinho, revellar-lho o modo de aproveitar a força das aguas e as 
vantagens do amanho dà terra, eis em resumo o fim serio da missão 
ali. 

Taes eram as nossas palavras ao tempo o que felizmente vamos 
vendo realisadas na Huilla. 



— w— 

FazífíJio» \o:fj> pela prosperidade da mi^^o eonveneídíís de qce o 
negro ha de sentir em curto espaço de tempo os seus benéficos? effeíios^ 
acabando p^jr mo io CTadual com eíísas repuznantiís e lorpets scenas de 
feitiçaria. 

Existe em Cintra uma escola aorricolo-colonial fundada 
e diriírida pelos missionários do Espirito Santo, cujo fim é 
formar mestres primários e de artes e offieios. conhecidos 
com o nome de iruwos auj-lVart.^. São elles que vão ensinar 
nas missões africanas as especialidades aprendidas na 
escola, diri^ndo a educação artística e pratica do preto ao 
lado da catechese ministrada pelos padres. 

A falta d'este importante elemento de educação profissio- 
nal para os pretos tem sido a causa de insuccesso nas mis- 
sões j>ortuííiiezas dirií^das por padres seculares. 

Este utílissimo estabelecimento forma uma vasta pro- 
priedade ai^icola, abran^^endo duas quintas com casarias 
para as oíTicínas de todas as especialidades artísticas e de- 
pcfUílencias rústicas e apropriadas a lavoura. O seu pessoal 
com prebende: 49 irmãos alumnos. 12 aprendizes, o pen- 
sionistas. O cor])o docente é tormado por um padre-dire- 
ctor e 11 irmãos professores e mestres. Total 78. 

Esta escola deve a sua existência á caridade inexi^^otavel 
de uma nobre e illustre senhora, a condessa de Camarido. 
Constaudo-lhe que o benemérito padre Duparquet procu- 
rava uma propriedade onde pudesse fundar uma escola 
pratica de aí^ricultura, artes e ofíicios para formar e ins- 
truir os innffhs da i/iksâo do real padroado na Huilla, oflere- 
ceu-lhe ífcnerosamente para tal fim as suas vastas proprie- 
dades em (.'intra. X'este louvável intuito foi a nobre e 
caridosa síuihora auxiliada pelo virtuoso e illustrado sacer- 
dote, monsenhor Quesada. 

A escola foi fundada cm 18<S7. A principio sustentou-se 
de esmolas (; do rendimento das quintas, e apezar de tão 
parcos recursos consci^aiiu enviar j)ara as missões em An- 
fola 16 irmãos, contando apenas 42 alumnos até 1889. 

Faltando, porém, ao incansável padre Duparquet os re- 



< 



- 97 ~ 

cursos indispensáveis para imprimir maior impulso á sua 
obra, habilitando-a a fornecer, não só o irmão da missão^ 
mas também o pessoal secundário e auxiliar para o re- 
gular desenvolvimento das missões africanas, solicitou do 
governo um subsidio para dar maior amplitude á sua em- 
preza. O governo informou-se, por intermédio de pessoas 
de alta competência e seriedade, do estado do Instituto, seus 
fins, sua utilidade e convencido da sua importância moral 
e material concedeu-lhe um subsidio annual de três contos 
déreis, considerando a escola colonial de Cintra como ins- 
tituição auxiliar do real padroado na Africa. 

O relatório, que precede o decreto concedendo o subsi- 
dio a esta útil instituição, representa uma pagina brilhante 
para a historia da evangelisaçáo dos povos africanos pelos 
beneméritos missionários do Espirito Santo. Damol-o na 
intrega, porque elle íalla mais alto do que as nossas hu- 
mildes palavras. 

Senhor. — l^arga e profunda tem sido a acçào religiosa, i3atriotiea e 
civilisadora das missões catholicas portuguezas no continente africano. 
A ellas incontestavelmente se deve, em grande parte, a consolidação e 
expansA.0 do nosso domínio colonial n\iquellás paragens, onde o pres- 
tigio do nome portuguez se engrandece e vincula hoje mais ainda pelas 
luzes da civilisaçào que derramcimo.s, do que pela tradiçào heróica dos 
vastos domínios que conquistámos. Nem de outra torma, que nâo seja 
a redempçào d^aquelles povos pela sciencia, pela moral, pelo trabalho 
e pela fé, poderemos legitimar e defender, como nos cumpre, e nos in- 
teressa, os nossos gloriosíssimos direitos de soberania e padroado. 

Preciso se torna pois e urgente, procurar e preparar-lhes pessoal 
habilitado e dedicado, que pela orientação propositada da sua educação 
moral, scientifica e profissional, corresponda ás verdadeiras necessida- 
des praticas da laboriosa formaçílo d'aquelle novo mundo, por nós aberto 
ás industrias, ás artes, ás acieiícias, ás letras e ao commercio universal. 

Dar ás missões um caracter confiadamente nacional e eminente- 
mente educador e docente; tornar o missionário, nâo só apostolo da fé, 
mas verdadeiro soldado da cruzada da civiiisaçào, e nào só sacerdote 
de uma crença espiritual, mas verdadeiro ministro da religião do tra- 
balho e do progresso; collocar ao lado do cathechista o professor e o 
mestre, e erguer ao pé da igreja a escola e a oííicina, de forma a crear 



- Í)S — 

snuuUamnimiMití^ iifopliytos o iipreuclizes, crentes e operários, íieis e 
^•idailàus, {\v\v. s(»r o empenho e oeeupar o desvello dos que sincera- 
mente |u*neni'ain dar áquella sociedade que nasce todos os elementos 
de \ ida, d(í lormavào, de di^senvidvimento e de prosperidade. Luctar 
pur ii»ual, para por i<íual vencer, a injpiedade, a iirnorancia e a indo- 
liMu-ia do ^'entio, levar-lhe ao espirito, com a luz inetíavel de uma reli- 
uião de justiça, de amor e de caridade, todas as noçOes do dever civico, 
da soiidaiiedade si)cial e da diirnidade humana; ensinardhe, nào só as 
máximas suhhmes (hi moral christà, mas também todos os processos 
de trabalho, todos os recui-sos da industria, todas as applicações da 
>ciencia, todas as utiliilades da arte, todas as forças da intelligencia 
humana sobre os elementt»s naturaes, tal é, a missiio útil e verdadeira- 
mente benéfica a desempenhar nVsse vasto ctmtinente escuro e inculto. 

Proti\ííer, portanto, estabelecimentos de educação, que principal- 
mente se destinem a prepamr mestres, artistas, operários e agricultores 
para auxiliaivs da missào, cumo faz a t^scola agrícola colonial, fundada 
em (Hnlra em dezembi-o de ISí^T, e onde, segundo as informações ofíi- 
ciaes e o parecer da junta geral das missões, se trabalha activamente, 
M^ educa com desvelo, se moralisa com escrúpulo, se disciplina com 
inudligencia, e se augmenta consideravelmente o pessoal educando, 
mais allendendoás urgências do ensino, ás necessidades do padroado, e 
aci aproveitamento opportuno das vocações, do que aos conselhos de uma 
prudi^nte administração, parece-me que é uíua necessidade e um dever. 

Para a conveniente educação profissional, habitação e sustento do 
numeroso pessoal que esse instituto já «ontiu e que tende a augmentar, 
é priH-iso i[ue se couq^letem as edificações começadas para oflicinas de 
arles e otlicios; que se melhorem e auqUiem as iustidlaçOi^ ruraes; que 
.->o adquiram livros, alfaias, in<trumeTitos o materiaes de trabalho e que 
haja unia Touti* certa de dotação arinual. 

K [>ara tudo isto ciue a direcção iia escola [)ode i) auxilio do governo 
di\ \'ossíi Masivstade. K attendendo a qu»» ínstitaiçOes dVsta natureza 
.-^ai», no momento aetual, um elemento de força para a sjrande lucta 
alueaua, e a que sob a ins[HM*(;ào e suiHM-irittMidencia do estado essa 
torça ?^e não |>oderá desviar, n«MU é de prosumir qut» se d^^svie, da sua 
util e patriótica H[>[)li('açào, tenho a honra di» submettiu* á approvaçào 
do VvK-^-a Ma.s^esíade o soiruinfe projecto do d»'creto. 

Sorrolaria doestado dos n»»«z'><*ios ilu marinha e ultramar, em 14 de 
no\iMnbro ile T^n^^VK tr^l^riro UisHtnio (ttrn-ni, 

X pi'i)spi*i'idaílo desta irraridiosa obra de ediíeavão. des- 
tinada íi reuvit^'í'iK'i^<^ da raça neiira, estão liirados dois mv 
i!)(\s dislinetos. Ferreira do Amaral e Costa LoI)o. 



Kníre a plêiade de homens iliustres, que leein proiegido a 
missão da Huiila, fiti-urain os ministros : Barros Uomes, Jú- 
lio de Vilhena, Barbosa du Bocag-e, Kessano f Jarda; o di- 
rector lijeral do ritramar, Costa e Siiva ; os bispos do Anj^ola : 
D. José Neíto, e D. António Thomaz da Silva Leitão e Castro ; 
os governadores geraes: Ferreira do Amaral e Brito Ca- 
pello; os governadores do districto de Mossamedes: Fer- 
reira d'Almeida, Álvaro da Costa Ferreira e Leitão Xavier; 
a nobre e caridosa condessa de Camarido; monsenhor Que- 
^íada, e dr. Fernando Pedroso. 



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Colónia, cie S. ¥*eclro da Cliibia 



Está situada sobre a inargem esquerda do rio Chimpuin- 
punhine no sitio denominado Chibia(Tyl)ia) eom a altitude 
de 1515 metros. Demora a ESE da poroavão da Huilla á 
distancia de 25 kilometros aproximadamente. 

E' sede do concellio da Huilla e o principal centro de 
producção agrícola do plan'alto. Occupa a arca de 450 he- 
ctares. 

Pelo grau de prosperidade que attingiu de 1880 por 
diante, pela sua óptima posição no centro da fertilissima 
bacia do Xene, pela importância das suas transacções com- 
merciaes com os indígenas e relações com os centros pro- 
ductores dos Gambos e Humbe, pelo rápido crescimento e 
estado florescente das suas propriedades agricolas, é con- 
siderada a colónia mais rica do plan'alto e aquella a que 
está destinado um mais brilhante futuro. 

Foi inaugurada em 1885 por iniciativa do capitão Pedro 
Augusto Chaves, (mtão chefe do concelho da Huilla, ten- 
do sido nomeado seu director o capitão Joaquim Afíbnso 
Lage. 

o primitivo grupo de imigrantes, que iniciou a coloni- 
sação no valb* do Chiuipumpunhime era constituído por 
algumas familias madeirenses em numero de 44 indivi- 
duos, destacados por ordeui superior, das colónias Sá da 
Bandeira e S. Januário. Acompanharam estas familias al- 
guns indivíduos oriundos das províncias do norte de 
Portugal, que então occupavauí o valle do Lupôlo. Foram 
elles que deram animação aos tral)alhos agrícolas fun- 
dando propriedades, que actualmente rivalisam em pro- 
ducção e extensão com as melhores de Kapangombe e tor- 
nam esta colónia o mais importante centro de agricultura 
da zona alta. 

Os terrenos doeste valle, sendo os mais férteis, teem tido 
grande procura achand()-s(\já occupados em uma extensão 



— 103 — 

* 

superior a 30 kiloinetros pelas duas margens do rio, náo 
só pelos eolonos madeirenses, mas muito especialmente 
pelos antigos agricultores da Iluilla e alguns do concelho 
de Kapang^ombe, que desanimados com a persistência das 
seccas na zona baixa procuram fundar novas propriedades 
no ubérrimo solo daChibia,afim de compensar os prejuízos 
causados nas suas fazendas de Kapangombe, Moninho e 
Biballa pelas estiagens. E' esta a principal causa do rápido 
crescimento da colónia. 

Os agricultores da zona baixa, homens práticos e co- 
nhecedores de terrenos, sa])end() bem avaliar o alcance 
das producções em relação ás aptidões' vegetativas do 
solo, acostumados á agricultura em hirga escala e dis- 
pondo de todos os rc^cursos para o arroteameuto de gran- 
des extensões de terreno, como sejam machinas e enge- 
nhos agricolas e seírvi^aes, vieram dar um grande impulso 
ao progresso doesta colónia, dotando-a com melhoramen- 
tos que não teria, se, como nas outras colónias, a agri- 
cultura se limitasse* aos pc^pienos arimos dos colonos ma- 
deirenses que, quando muito, rendem para a sua alimen- 
tação. 

Os óptimos resultados colhidos nas proprie(hides agrí- 
colas d'este valle tem concorrido para animar os colo- 
nos a maiores plantações, ministrando-lhes ensinamentos 
úteis sobre as regras que mais se coadunam com a pratica 
dos trabalhos ruraes, escolha e c^pocha das sementeiras, 
regas, colheitas etc. 

Xotaremos que os colonos madeirenses transportados 
para o })lan alto, não encontrando pessoa competente que 
os guie praticamente e os inicie nos conhecimentos relati- 
vos á quahdade dos solos, influencia do clima sobre as 
culturas, etc, isto que praticamente constituem o conheci- 
mento da agricultura apphcada ao terreno em exploração, 
tendem a fazer as suas plantações conforme? faziam na Ma- 
deira, sem attcmder á inversão das estações, nem á natu- 
reza dos terrenos e clima; plantíun as mesmas espécies qu(* 



— 1U5 — 

plantavam na sua terra, nas mesmas epochas, e do mesmo 
modo. 

D'esta pratica arronea surdem inconvenientes fáceis de 
avaliar, traduzindo-se na menor producção, perda de se- 
menteiras e no desanimo que leva muitos a abandonar 
a agricultura para se dedicarem ás artes e officios. E' esta, 
a nosso ver, uma das causas de decadência nas colónias 
madeirenses do Lubango e Humpata e que não existe na 
Chibia, por isso que as fazendas agrícolas situadas nas vi- 
sinhanças da colónia e dirigidas por indivíduos práticos e 
conhecedores da agricultura no plan'alto são escolas de 
que os colonos tiram proveito. 

Durante os annos decorridos desde 1885 a 1890 esta co- 
lónia esteve abandonada da protecção ofíicial, vivendo dos 
recursos da sua própria iniciativa sob a hábil direcção de 
um funccionario honesto, trabalhador e modesto, o capitão 
Lage; sem obras pul)licas que lhe desviassem os braços da 
agricultura, nem pomposos elogios, adrede forjados para 
lhe attrahir as attenções publicas. Viveu modestamente 
sem outras aspirações que não fossem as do seu trabalho, 
e tal desenvolvimento adquiriu no espaço de 5 annos, que 
se impoz á admiração do governo. 

O sr. Leitão Xavier, actual governador do districto, con- 
vencido de que Jião havia razões que justificassem o ostra- 
cismo odioso a que fora votada a colónia que dispõe de 
melhores elementos de prosperidade e riqueza, passou a 
dispensar-lhe merecida attenção, ordenando a remessa de 
parte dos colonos vindos da Madeira e dotando-a com al- 
guns melhoramentos materiaes de urgente necessidade. 

Posto não concordcMuos com a mudança da sede do con- 
celho da povoação da Huilla para a colónia de S. Pedro, 
por tirar toda a importância áquelle ponto central, todavia 
reconhecemos que deu maior incremento á prosperidade 
e progresso da colónia, atrahindo para ali grande numero 
de agricultores do valle do Lupôlo. 

A colónia é formada por 400 casas dispostas com ordem 



— 107 - 

e syinetria em ruas largas, bem alinhadas e limpas, orna- 
das de plantações de eucalipto, pimenteira e amoreira. 
Contem onze ruas, das quaes cinco correm no sentido 
norte-sul e tem os stíguintes nomes: Príncipe da Beira, 
Pinheiro Chagas, Costa e Silva, Sebastião da Matta, Leitão 
Xavier. As seis restantes são perpendiculares ás primei- 
ras e tem os nomes de: I). Luiz I, conselheiro Capello, 
conselheiro Amaral, Theodosio Lencastre, Rollão Preto. 

Os edifícios públicos são: residência do director da coló- 
nia, construc(,*ão modesta, mas agradável e hygienica, feita 
de pedra e barro e cobcula de telha de zinco. N^ella está 
installada a secrc^taria do concelho e colónia, ambulância 
da delegação de saúde, residência do medico, estação pos- 
tal, escolas d'ambos os sexos e residência dos prof(\ssores ; 
calabouço, arrecadação de material e sementes, enferma- 
ria, etc, são construcções acanhadas, feitas do adobe e 
cobertas de colmo, alugadas a particulares: a capellafunc- 
ciona em um casebre; ha necessidade de um barracão (es- 
paçoso e hygienico para abrigo dos colonos recém -chega- 
dos, e de uma ponte sobre* o rio Chimpumpunhime para 
estabelecer communicação entre os casaes situados nas 
duas margens do rio. 

As casas dos colonos são construídas de pau a pique 
ou adobe com cobertura de colmo ou telha fabricada na 
colónia. Cada casa possue um quintal com 600 metros 
quadrados de superfície, onde cultivam legumes, hortali- 
ças e arvores de fructa. 

Os arimos occupam as duas margens do rio. Cada co- 
lono possue meio hectare de terreno, onde semeia trigo, 
batata ingleza e doce, cará, centeio, milho, etc. Alguns tem 
creações de cabras, gallinhas, porcos, e outros possuem 
moinhos movidos pela agua do rio para moer os cereaes. 

Existem fornos de telha e tijolo. 

Os terrenos prestam-se a todas as culturas europeas e 
dos climas quentes e são irrigadas por três levadas com a 
extensão total de 50 kilometros. 



— 109 — 

« 

As fazendas agrícolas coineçam no sitio denominado 
Chimpumpunhiine a 15 kilomelros da colónia e esten- 
dem-se ao seu encontro occupando as duas margens do 
rio. 

A mais importante é a de Santa Amélia, propriedade do 
snr. Pedro Augusto Chaves; possue 200 serviçaes, mui- 
tas machinas e engenhos agrícolas e uma importante 
distillaçáo de aguardente. A sua maior producção consiste 
em cana saccharina, cereaes e legumes com o rendimento 
annual de 6:O00S000 réis. 

Existem nas proximidades da colónia muitas mattas de 
excellente madeira ê extensas superfícies cobertas de pas- 
tagem. 

A 4 kilometros a sueste da colónia de S. Pedro fica a 
pequena colónia da loba formada por 15 famílias boers o 
bastaras^ que se dedicam á agricultura. A sua producção 
media annual é de 10.000 litros de trigo, 6.000 de feijão e 
8.000 de milho. 

A despeza feita com a colónia de S. Pedro da Chibia 
durante o anno económico de 1890-1891 foi de 27:502S729 
destribuidos da seguinte forma: 

Obras publicas 3:700S00O 

Fretes a carros hot^rs 5:000S00O 

Ordenados, ajudas do custo, gratificações . . 7:000$000 

Subsidio a colonos \ 12:000S00(> 



Creavâo cie g-ndo bovino e lanig-ero 

Seria de grande vantagem introduzir nas colónias ma- 
deirenses a creaçáo de gado bovino, que sobre ser rendosa 
e facilitar os trabalhos agrícolas, teria a vantagem de res- 
tituir á terra a sua primitiva fertilidade. Provado, como 
fica, que os colonos, nas circumstancias actuaes, não podem 
auferir lucros da agricultura por falta de communicação 



no ^ 

lupiíla i^ Knrala ouuv o litoral o o planalto, parece-iios 
i|Ur a vMHv^^ao \lo iiailo viria ilar-lhos aljifuma animação 
projuvr\ioaaavlv^ Ih^v^ uma ^HrujKnvào laoil e segura de obte- 
\v\\\ luouvs par<t so pi\n eivni ilos i>bjeetos mais indispeii- 
savoís a lojJiular mauuiouvào via tHH>nomia domestica, como 
sriam o w^^iuaiu^ iiu^ínlia. y>n\en>s de meivearia, utensi- 
liu>», eU'. 

l^ liado bv^xiuvi vH>nM>iavlo m>s eemn>s pivduetores dos 
liaml^^s e Ihuubo tiva na>i eoloiiias do planalto |K>r preços 
uuuluo^, lOSiKK^ a 12SUK> ivis um boi e H$(NK)a sSJUKlréis 
uma \ av^ a, l u^ bvà ivuular vendido em Mossaminles rende 
LHKSOvK>a \'\'.^UM ivis. 

IaísUiu uas proximidades das colónias exlensíks eam- 
pma^ KKnn abundantes pastagens, sendo apenas netvtssario 
rn ar piados arlitieiaes com plantas de reconhecido valor 
miUibxo para substituir o capim, que a experieneia de- 
u^a\^Ua lorueeer uuui alimentação fraca. 

A uurovluv'v^u> do gado lanigero seria um elemenio de 
pio >pv a ulade para as colónias pela producçâo da lâ. ET 
pui em imlispia\savel estudara maneira mais conveniente de 
o Iraiai i^ alimentar e qual a melhor raça a introduzir. 
\U.uus e\emplares da raça merina, que encontramos nas 
rolomas em ISSS, foram enviadas pelo nobre director geral 
do u lira mar, o cimselheiro Cov<ita e Silvci, cujo intere^^^e e 
doduavao [k la coloniseição eun)pèa do plan'alto o levou a 
pruorrer as lojas de lisboa em procura de thezouraspnv 
pi 1,1^ para eortar a lã e ao carinho paternal de ensinar a 
um imli\ idm> encarregeulo da conduccão e tratamento dos 
\anuMros, a melhor maneira de tosquial-os, tbrnecendívlhe 
cu^iuamiaili>s úteis relativos ao tratamento, conservação, 
ri^piiuluçao, i^pochas de tosquia, ete. O nobi\* p^u* do reino 
V dirt^lor gia^al bem demonstrava a sua dedicação peh> 
progresso d\vslas colónias esquecendo a sua altii cathego- 
lici [>ara baixar a estas minudenoias. Infelizmente no pia- 
ifallo iuu> li\eram as cbnidas eautellas eoni os exeraphi- 
r<\s, di\ idiram-nos pessLnuunrnte^ earn^nn) para um lado* 



- 1 1 1 — 

ovelha para outro, sein estábulos apropriados nem os cui- 
dados indispensavais com a reproducção, resultando que 
uns morreram de doenças contrahidas por eííeito das 
bruscas variavôes de temi)eratura, e outros foram comi- 
dos ! 

Duas doenças grassam no plan'alto produzindo grande 
mortandade no gado bovino; são a sarna psoroptica e a 
peripneumonia, infecciosa, conhecida do gentio com o nome 
de raônha. Foram descriptas pelo distincto agronomo-ve- 
terínario, o snr. João Tierno, que em 1887 visitou o pla- 
n alto com missionado pelo governo para estudar as enzoo- 
tias dos bovideos e propor os meios hygienicos e curativos 
para debellar a propagação do mal que então grassava 
com grande intensidade. Do seu excellente relatório publi- 
cado em 1888 no Boletim Offickã da província de Angola 
destacamos os seguintes periodos sobre a ectiologia d'estas 
doenças : 



As plantas forraginosas, que brotam espontâneas d'este solo, resen- 
tem-se do seu mau tempero, traduzem nitidamente a sua composição 
<5himica; e os animaes que se nutrem d'ellas revelam pelo tempera- 
mento, pela constituição do arraboiíço, que lhes faltam na alimentação 
alguns principies indispensáveis. Um d^ísses principies é a cal. 

Por outro lado as influencias climatológicas, poderosissimas n'estas 
regiões, actuando simultaneamente e no mesmo sentido com os alimen- 
tos, constituem outra causa do depauperação orgânica O clima é húmido 
em extremo e o calor ní\o exagerado mas persistente. A epocha das 
chuvas é também a epocha dos maiores calores. As variações thermo- 
metricas sáo rápidas e ronsideiaveis: a differença entre as temperatu- 
ras máxima e minima é frequentes vezes de 12'', 14° e mesmo 15^ e 
náo é raro subir a 20*'. A resultante de todas estas acções deprimentes 
integra-se no organismo, íixa-se, transmitte-se por hereditariedade e 
com o andar dos tempos fica constituindo um caracteristico de raça. O 
calor conjugado com a humidade dá aos animaes o empastamento das 
formas e um certo grau de lymphatismo; a prolongada alimentação 
incompleta produz a anemia: a falta de cal no solo e portanto nas 
plantas espontâneas origina a pequenez e a fragilidade do esqueleto. E 



sào realmente estes os caracteres 2>hysiologicos e inorphologicosdaraça 
bovina cio plan'alto da Chella, pelo menos na região que percorri. 

As influencias do clima e da alimentação acrescem ainda outras 
que sào: as péssimas condições hygienicas em que os animaes vivem, 
e a falta de cuidado na reproducçâo. A^s rezes, em geral, náose acham 
submettidas ao regimen da estabulaçào, andam nas pastagens, e á noite 
os pastores collieni-nas e reunem-as n'um local determinado com o 
simples resguardo de uma sebe improvisada. Os estábulos permanentes 
quando os ha, sào descobertos, e teem no chão uma camada de estrume 
de 1 metro de altura, onde os animaes se atascam até acima dos cur- 
vilhões. Nem limpeza, nem o minimo resguardo contra os rigores do 
clima. A reproducçâo faz-se ao acaso; nào ha cuidado algum na esco- 
lha dos pães, de maneira que os vícios congénitos ou adquiridos accu- 
nmlam-se, tendem a fixar-se e transmittem-se inalteravelmente de uma 
para outra geração. Resumindo: — a anemia, que é já um caracter de 
raça, resultante do meio pernicioso, da alimentação insuCBciente, das 
péssimas condições hygienicas, e aggravada com a actividade ininter- 
rompida doestas causas e com a reproducçâo que vae accumulando os 
vicios orgânicos, augmenta a receptividade dos animaes para os germens 
morbigenos e torna-os mui pouco próprios para resistirem aos agentes 
pathogenicos, quer banaes, quer específicos. 

O que acabo de dizer, é plenamente confirmado pela enorme exten- 
são e intensidade que a sarna psoroptica adquiriu entre as rezes do 
plan'alto. Esta doença, sempre benigna, que se debella com a maior 
facilidade quando convenientemente tratada, tem causado consideráveis 
perdas aos proprietários, os quaes se receiam hoje mais d'esta aflFecçào 
cutânea do que das enzootias de baceira e de raônha. 

A sarna psoroptica é mais frequente no Lubango e 
Huilla e rara naHunipata, emquanto que a peripneumonia 
contagiosa domina n aquelle plan alto. 

O illustrado veterinário aconselha como medida preven- 
tiva uma alimentação mais nutriente fornecida por prados 
artificiaes plantados de luserna e trevo, o resguardo em 
estábulos bem construídos e cob(u*tos de colmo de modo a 
preservar o gado da influencia das variações de tempera- 
tura, a remoção dos dejectos e o aceio dos pavimentos. 

Para a sarna aconselha, como tratamento preservativo, 
o isolamento em boas condições de resguardo e alimenta- 
ção reconstituinte e como tratamento therapeutico em pri- 



-113 — 

meiro logar uma lavaj^eni vigorosa com uma brossa e 
agua de sabão e cm seguida applicações de pomada de 
enxofre, linimento de tabaco, lavagens com um soluto de 
hyposulfito de soda e agua acidulada pelo acido chlorhy- 
drico. 

Para a peripneumonia infecciosa propõe o tratamento 
prophjlalico por meio de inoculações na face interna da 
extremidade inferior da cauda com o liquido purulento 
exírahido de ura pulmão affectado da doença. 

Existe uma outra epizootia que ataca o gado cavallar e 
asinino. E' conhecida com o nome de doença da ITiimpdtu. 
Esta affecção ainda está por estudar; tein causado enor- 
mes prejuizos aos particulares e ao estado, reduzindo con- 
sideravelmente o numero de animaes do esquadrão de 
cavallaria da Hum pata. 

Sejn entrarmos em discussões hypotheticas sobre a 
ectiología d'esta doença, mantemos todavia a opinião de que 
ella seja uma affecção pulmonar de natureza congestiva. 
Seria conveniente que houvesse junto ás colonia.s, com 
residência permanente, um agi*ono mo- veterinário para 
ministrar aos colonos os conselhos práticos sobre agricul- 
tura e tratar os aniinaes atacados de doenças. 



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CAPITULO Vllí ; 

NOSOLOdlA BROMATOLOGIA E HYGIENE 

O quadro no.solo<íic() dominam, ein 
primeiro logar, m manií'L'sla(.;õos 
do impaludismo, quo se traduzem 
porfebrcH infermitfentcs quotidia- 
nas e terçãs (raramente a febre 
biliosa e demais typos pjihistros 
; ífraves). Eytas tUias formas mais 

■ frequentes da endiMuia ])alustro 

nianifostam-se em qualquer epo- 
cba do anno, teem |)orém o seu 
maxiruo durante a estacão das chu- 
vas, de outubro a abril. 

Vem em sej^undo loí^ar as plileí^masias do apparelho 
broacho-pulmonar, que reinam durante a esta^^lo secca, 
de maio até setembro, e são, por ordem de maior frequên- 
cia: larynií-ite. bronchite, coniíestão j)uIinonar, |)iieu!nonia 
o pleuresia. 



— 118 — 

Segueni-se as doenças do aparelho g^astro-intestinal, das 
quaes umas acompanham os typos pakistres febris; domi- 
nam durante a estação chuvosa. Sáo por ordem de frequên- 
cia: a «gastrite, gastro-enterite, dysenteria e hepatite. (3u- 
tras manifestam-se durante a estação secca, acompanham 
as doenças do aparelho broncho-pulmonar e teem por 
causa as variações atmosphericas, são: as amçinaseamyi?- 
dalites. 

Occupam o quarto logar as doenças do aparelho ocular, 
qu€ dominam no fim da quadra chuvosa e principio da 
secca, de abril a junho e reconhecem por causa corpos ex- 
tranhos arrastíidos pelos ventos dominantes e a maior in- 
tensidade dos raios solares, são: a conjunctivite e ophtal- 
mia. 

Seguem-se as doenças disírophicas e discrasicas; o 
rheumathismo articular, frequente na estação chuvosa, 
anemia palustre, escorbuto e purpura hemorrhagica. 

As doenças palustres mais frequentes no plan^alto são 
as febres intermittentes quotidianas e terçãs. O typo febril 
quotidiano domina no Lubango e Chibia, colónias madei- 
renses, o typo febril terção é mais frequente no plan'alto 
da Humpata. — As formas febris graves não existem na 
porção do plan'alto occupada pelos colonos madeirenses e 
hollandezes, que comprehende as áreas dos concelhos do 
Lubango, Huilla e Humpata. 

Dentro da área, cujo raio é de sessenta kilometros, tendo 
por centro a colónia da Chibia e por limites ao norte e 
oeste a cordilheira da Chella, as febres biliosas e hematu- 
ricas são desconhecidas. Os casos que se apresentaram á 
nossa clinica foram em indivíduos dos Gambos, Humbe e 
Kapangombe, abaixo da Chella. Reinam com intensidade 
as febres graves n este ultimo concelho ; foi d ahi que veio 
o maior numero de casos de biliosas e hematuricas, que 
tratámos. 

As victimas d'estas endemias são, pela maior parte, co- 
lonos madeirenses recem-chegados, que durante o trajecto 



— 119- 

de Mossaniedes paru o plaii alto, com passag-ein forçada 
pelos terrenos pantanosos do Kapangonibe, não guardam 
as devidas precauções hygienicas; fazem a maior parte da 
viagem a pé sob a acção de um sol ardentíssimo, sol) a in- 
fluencia d'uma temperatura superior a 40» na quadra chu- 
vosa; dormem ao relento, apezar do abrigo que lhes oíle- 
recem os carros que os condhzem; nutrem-se mal, sobre- 
tudo quando a viagem é demorada, o que frequentemente 
succede durante as chuvas torrenciaes qu(^ arruinam as 
estradas: bebem agua estagnada o infeccionada de mias- 
mas, e estacionam em terrenos reconhecidamente insalu- 
bres por mais tempo do que con\iria; resultando de tantos 
e tão maus elementos ser um bom numero atacado de fe- 
bres, das quaes algumas tomam a forma biliosa ou hema- 
turica. Durante a estação das chuvas rara é a viagem de 
colonos em que não haja a lamentar um ou dois casos fa- 
taes, quasi sempre em creanças. Os adultos conseguem 
resistir por mais algum tempo, chegando ao plan^alto em 
lastimoso estado. Os que conseguem transpor a Chella, 
melhoram logo sob a benéfica influencia de um clinia sa- 
luberrimo, em tudo comparável ao da Madeira e norte de 
Portugal. Os mais gravemente atacados resistem algum 
tempo, succumbindo por flui á intensidade do typo pa- 
lustre. 

O que deve ficar bem definido, é que estas formas gra- 
ves da intoxicação palustre não teem a sua origem nos 
terrenos do plan'alto; vem dos terrenos baixos e pantano- 
sos de Kapangombe e Biballa, caminho forçado para os 
que transitam de Mossamedes para o plan'alto. 

E' durante a estação das chuvas, de outubro a abril, qu« 
as febres palustres se manifestam em maior numero, coin- 
cidindo a sua maior intensidade com as primeiras o ulti- 
mas chuvas, isto é, nos mezes de outubro a dezembro e 
de março a maio, com um minimo nos mezes intermediá- 
rios. 

A correlação da maior intensidade da endemia palustre 



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' .Mil I. |iniiM II IS I' ti IhiiMH chuvas rstá perfeitamente ex- 
I'!»; .ií I 1». I.i ihritihi {\r Pelt»Mik<>ner. Vom effeito, a dispr>- 
»»li' u \ (lo iihiii.ilto authoris^i a divisão da sua 
*'.ii hiii Jir rin tluti.^ iíuna<las heiu distinetas: a supe- 
'•líi n.i\r|^ pvMo.v;!, priiiuMVi'! e |M)ueo espessa, â 



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'•« « !i.M '!« u^ii.i.tii' l(Muiav'io primitiva, impermeável, e 
i » '. uuí, uiii.i \iiiM\la ih* lerro. Kstas eamad:i>, que 
' 1 ui IHÍ..S ilmi.i Ma l'hi'lhu drseeia suavemente 

'!*» pu' ítxiilía qia* as au*uas (Io plaa\utí» 



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— 121 — 

a Mossamedes buscar mercadorias nos seus carros, voltam 
atacados de febres, principalmente durante a estação das 
chuvas, só por permanecerem alguns dias em Kapang^om- 
be. Estes colonos contam dez annos de residência no pla- 
n'alto da Hum pata. Mais ainda, individuos de raça branca, 
nascidos no plan'alto, com 30 e 40 aniws de idade, em 
posse de perfeita saúde, robustos, perfeitamente acclimados, 
quando descem a Chella, padecem de febres endémicas que 
alíçuma« vezes assumem a maior gravidade, se se demoram 
nos terrenos pantanosos de Kapangombe. 

Observámos factos idênticos com os ova-ndombe, hidi- 
genas oriundos da Biballa e Giraul. Vão para o plán'alto 
onde se acclimam com extrema facilidade; se no fim de al- 
í?uns mezes são mandados ao valle da Biballa e ahi se 
demoram, voltam com febres palustres de caracter sem- 
pre benigno, que desapparecem logo que chegam ao pla- 
n'alto. 

A purpura é uma das doenças que mais victima os colo- 
nos durante a travessia de Mossamedes para o plan'alto. 
Toma frequentemente a forma hemorrhagica. Das inda- 
gações a que procedemos entre os colonos atacados d'esta 
doença, o das observações feitas durante a nossa viagem, 
resultou-nos a convicção de que a causa de tal doença é a 
ingestão das aguas da Pedra Grau de e Providencia, pontos 
situados no percurso de Alossamedes para o plan'alto. Co- 
mo ficou dito, o terreno comprehendido entre Mossamedes 
e a Pedra Grande é um perfeito areal, onde não se encon- 
tra uma gotta de agua nos annos ordinários — em que não 
chove — Nos extraordinários, em que as chuvas chegam 
á facha arenosa do litoral, enchem-se os tanques naturaes 
cavados na grande rocha que dá o nome a este sitio. Es- 
tas chuvas dão-se ás vezes com intervallos de quatro a 
cinco annos. 

A agua estagnada, sem renovação, durante um tão longo 
periodo e exposta ao ar, recel)e detrictos animaes e vege- 
taes, que fermentam sol) a acção de um calor abrasador, 



íiobre-se (1(! vef^eta(,*ões aquáticas, torna-se um centro ge- 
rador de myriades de nlicroortíanismos. Esta aíçua ingeri- 
da em taes Cíondi^õos dá logar a graves alterações lio san- 
gue, que originam a purpura heniorrhagiea. 

Ainda que alguns authores neguem a existência da 
purpura essencial, considerando a maior parte dos casos 
descriptos por AVerlholT como symptomaticos de doenças 
infecciosas, os casos i)ornós observados incuteni-nos a con- 
vicção de que ella constilue uma entidade mórbida, quando 
sobrevem no cui-so de unia saúde excellente. 

Qualquer que seja a theoria atlo|>tada para explicar as 
hemorrhagias multii>las no curso desta doença, é facto 
provado pela anatomia pathologiea que o sangue fica alte- 
i-ado e passa atravez dos vasos. 

Xos casos por nós observados, a doença umas vezes 
limitava-se a uma heínorrhagia da pelle (peteohias e echi- 
moses que apparcceni por erupções successivas e duram 
algumas seiíianas); é a purpura simples bastante benigna. 
Outras vezes inani testavam -se hemorrhagias múltiplas; é 
a forma hemorrhagica que se aiuiuncia pelos sympíonias 
coinmuns ás febres eruptivas, Apparecem as petechias e 
echimoses nos membros e tronco. As hemorrliagias mais 
frequentes são: epistaxis, hematúria e heniateniése. 

Devido á benignidade do clima do planalto, á pureza 
das suas aguas e ao tratamento reconstituinte, poucos eram 
os casos fataes que tínhamos a registar. 

Outra doença, que ataca os colonos desde o embar- 
qu<! na Madeira até a chegada ao plan'alto é o escor- 
buto, que raramente toma a fornui hemorrhagica. Limita-se 
ás alterações da !)occa e á debilidade caraeterisadapor um 
enfraquecimento progressivo das forças — symptomasque 
começam durante a viagem por mar e continuam durante 
a travessia de Mossamedes nara o »lan'alto e teem por 

is condições 
ie alimentos 
s condições 



— 123 - 

climatéricas do plan alto, ao uso de alimentos vegetaes e 
á boa as?iia. 

São estas as doenças dominantes nos europeus risiden- 
tes no plan'alto e que são com m uns ás diversas colónias 
ali estabelecidas. Devemos porém fazer notar aljyfumas dif- 
lerenças nosologicas, que caracterisam o clima de cada 
uma das colónias e que estão em rela<,*ão com as suas con- 
dições geológicas. 

E' assim que as manifestações do impaludismo são mais 
frequentes nas colónias Sá da Bandeira, Chibia e Caculo- 
var e raras na Humpata e Huilla. Em compensação as 
phlegmasias pulmonares são lyais írequentes e graves 
n^estas do que n'aquellas. O escorbuto e anemia manifes- 
tam-se com maior frequência em Sá da Bandeira e Chibia, 
são raríssimos na Humpata. As ulcerações nos extremos 
inferiores, dependentes do impaludismo, syphilis e alcoo- 
lismo, dominam entre os colonos madeirenses do Lubango 
e Chibia: são raras na Humj>ata e Huilla. A população da 
Humpata é na sua maioria constituida por colonos èoív%9 e 
a da Huilla por indivíduos oriundos das provindas do 
norte de Portugal. As doenças do aparelho gastro-intesti- 
nal são mais frequentes entre os colonos madeirenses, que 
se entregam desordenadamente ao uso das bebidas alcoó- 
licas e cuja alimentação é extremamente defficiente, pois 
compõe-se na sua quasi totalidade de batata doce e abó- 
bora, emquanto que os habitantes da Humpata e Huilla 
nutrem-se de alimentos substanciaes e são sóbrios. 

A alimentação paupérrima do colono madeirense e o 
abuso das bebidas alcoólicas dão em ultima analyse o de- 
pauperamento orgânico, a anemia, e d'ahi a maior rece- 
ptividade do organismo para a infecção palustre e, como 
consequência de uma e de outra a ulceração nos extremos 
inferiores, para o que concorre como causa próxima o 
pulex-penetram e o pouco aceio do colono. 



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Alfaiate 

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Moinhos 



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N." de aluinnas ^ primaria 

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AlimíMitavSo 



Uma boa alimentarão deve compor-se de substancias al- 
buminóides e hydro-carbonadas, comprehendendo estas os 
corpos gordos e os hydratos de carboneo. 

Quando na composição dos alimentos predominam uns 
ou outros, a alinitjntação é defeituosa. 

A quantidade relativa dos diversos alimentos simples, 
que formam a alimentação reparadora de um operário é a 
sejfuinte, que representa a media dos resultados obtidos 
pelos hygienistas Moleschott, \'^oit, Payen, e Llebisç. 



Substaiifias albuminóides. . 121) «iTammas 

Gordura ItíO > 

Hydratos de carboneo 480 » 

8acs íiO > 



que representam aproximadamente 20 grammas de azote 
e 300 de carboneo. 

O regimen quasi exclusivamente vegetal, a que se en- 
tregam os colonos madeirenses, é o mais impróprio para 
se conseguir o máximo desenvolvimento das forças. O ho- 
mem apesar de ommront assemelha-se mais ao r^tmivuro do 
que ao herhivonK 

As substancias azotadas e carbonadas de origem vege- 
tal, alem de pobres em substancias albuminóides, são diffi- 
cilmente atacadas pelos suecos gástricos e, apesar das ope- 
rações culinárias, uma porção dos alimentos passa atravez 
do tubo intestinal sem se descompor. As experiências de 
Mayer v Kubner mostram que metade das sul)stancias al- 
buminóides contidas no pão não são absorvidas. 

Como exemplo d(* uma boa alimentação apres(*ntamos o 
seguinte mappa d(* Voit: 



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Moinhos 

Fornos «le lellia e tijolo 

N." de alunin.>s ) instrueeâo 
N/' de almnnas ( pnniãria 

Nuniero de eslaheleeinientos 
de venda de vários artigos 

Entrados 



lleliiados 

Nascimentos } r. 

Casamentos 
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Numero de habitantes da co- 
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Masculinos 

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sojr.iofiiri 
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SuV-tanfííi< Jiiiii»-ni— 

Sí -ruína 



A batata doce irhizdiua tulierculosd de uma planta da 
família das cunvolvulaceiísi é o jiriacipal alimento dos co- 
lonos, e a sua cultura, a mais importante producciio asrri- 
cola do planalto. 

H<'unida com a íibf>l)ora e um pouco de ervilha ou feijão 
con>tí{ue a raíão diária do colono mad(*irense. 

Comparando a composição chymica da batata inirleza 
com a díi l)atata doce vê-se quanto lucrariam as colónias 
í-m abandonar <sta ultima substancia, cujo valor alimen- 
tar c in>íirniíicai]te. substituindo-a pela primeira. 



Aiiíí.-fit*»* Mí»i|»!»*> Í{al:ila ilm*»» 



Ali«'!»ora 



Milti 



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Batata in^Meza 



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SuliM:ui«*ia .iznt;ttla 

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IVvtriíia »' ^'onniia 



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1,21 



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4..V,) 






26,57 
1.40 



A alimentação do cohmo é defíieientissima. não admira 
pois {[iw a anemia seja tclo frequente. 

Lkíhmks. IJão-se bem no plan alto, mas são cultivados 
em pequena (\scala pelos colonos. (\)m excepção do feijão 
e (Tvilha qu(\ como já dissemos, entram na sua alimenta- 
^'ão, a cultin*a dos b^gumes está em parte abandonada. 

Como acima ficou dito, os indiírenas e s(^rviçaes nutrem- 



131 

vse de lariíiha de milho. Pois bem; comparando a composi- 
ção chymica do ii]ilho com a da batata doce, alimento pre- 
dilecto do colono madeirense, vemos que o preto nutre-se 
melhor que o branco. 

Do mappa vê-se que 100 partes de milho teeni 10,05 de 
substancia albuminóide, em quanto qut* egual porção de 
batata doce contem apenas 1,52. 

Do uso de uma alimentação tão pobre resulta qu(s para 
tomar a quantidade de albuminóides, indispensável para 
reparar as perdas do organismo, é necessário ingerir uma 
grande quantidade de alimentos, o que forçosamente per- 
turba as funcções digestivas e dá, em ultima analyse, o de- 
pauperamento orgânico e, como consequência, a maior re- 
(ieptividade para o gérmen palustre. 

Além d'este vicio de alimentação, o colono madeirense 
abusa das bebidas alcoólicas, o que também concorre po- 
derosamente para o estado de anemia em que se encontra, 
que não justifica a salubridade do plan'alto. Attendendo a 
estes defeitos individuaes, seria para desejar que se deri- 
vasse a corrente de imigi*açáo das provindas do norte de 
Portugal. 

O colono madeirense, pelo menos o que tem ido para o 
plan alto, só serve para comprometter o resultado da colo- 
nisação europêa; é indolente, vicioso, não tem aspirações 
nem ambições. 



Para se avaliar a difficil situação económica dos colo- 
nos, derivada do excessivo preço dos transportes, damos a 
lista dos preços correntes, por que são comprados nas ca- 
sas commerciaes do plan'alto os géneros alimenticios de 
primeira necessidade : 



— 132 — 



Géneros 



Quantidade 



Assiicar , 1 kilo 

Mant»»iga , 1 kilo 

' Café 1 kilo 

' Chà ' 1 kilo 

I Arroz 1 kilo 

I Bacalhau I kilo 

Azeite 1 litro 

I Viiiajrre l li Iro 

Viiiiio I l litro 

Toucinho 1 kilo 

Banha 1 kilo 

Sal 1 ahjueire 



Preço na ; 


Preço no 


metrópole ' 


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Conselliosj pi^aticos 

Os colonos ou imigrantes, que queiram estabelecer-se no 
plan alto, devem chegar a ^lossamedes durante a estação 
secca, de maio a outubro, porque sáo estes os mezes mats 
salubres. 

Condemnamos a pratica até agora seguida de se envia- 
rem colonos da Madeira e da metrópole em todos os mezes 
do anno. 

K inconveniente esta pratica pelos embaraços em que 
se vêem os directores dos colónias com o alojamento con- 
tinuo de colonos recem-chegados, sobre tudo na época 
das chuvas, em que elles não podem entregar-se aos tra- 
balhos de construcção das suas casas e arroteamento 
dos seus terrenos. E' perigosa, porque a observação de- 
monstra que a conducção de colonos com mulheres e cre- 
anças durante os mezes da estação chuvosa, sem os devi- 
dos cuidados com a sua alimentação e resguardo durante 
os 15 dias de viagem pelo deserto da zona baixa, tendo 
forçosamente de atravessar os terrenos pantanosos de Ka- 
pang()ml)e, dá de si, que são atacados de febres de mau 
caracter muitos d^elles, já enfraquecidos por uma alimen- 



^ ■" 



— 133- 

tacão deficiente e extenuados por uma violenta marcha, a 
que não estavam habituados, resuhando que alguns suc- 
cumbeni durante a viagem e outros, logo que chegam ao 
plan'alto. Por isso aconselhamos que se façam as remes- 
sas de colonos somente nos mezes de maio, junho, julho 
agosto, setembro e outubro, havendo da parte das authori- 
dades do districto todos os cuidados, para que as mulheres 
e creanças sejam conduzidas nos vagons com as at tenções 
e carinhos devidos ao seu sexo e edade, fazendo-os acom- 
panhar por um agente que vigie a sua conducção e man- 
tenha a ordem nos acampamentos, e obrigando-os a pro- 
verem-se em Mossamedes de viveres em quantidade 
sufficiente para uma viagem de 15 dias. 

Recommendamos especial attenção na escolha do rancho 
que ha de ser consumido durante a viagem. 

Devem fazer provisão de carnes verdes e seccas, que 
cheguem, as primeiras para os 2 primeiros dias e as se- 
gundas para o resto da viagem ; bolacha, farinha de milho, 
arroz, conservas alimentícias, vinho, condimentos, etc. 
Devem levar agua em quantidade sufficiente para os 6 
primeiros dias, de modo a evitar as aguas da Pedra Gran- 
de e Providencia; da estação do Moninho por diante en- 
contram agua corrente de boa qualidade. 

Logo que cheguem á região pantanosa de Kapangombe, 
farão uso do sulfato de quinina afim de prevenir os eífeitos 
do impaludismo. 

Recommendamos aos colonos estabelecidos e por esta- 
belecer no plan'alto, que íaçam uso de uma alimentação 
substancial, em que entrem a carne de vacca, a batata in- 
gleza, o pão e legumes, abandonando de vez a batata doce 
e a abóbora, que fornecem uma alimentação deficiente e 
defeituosa, que em pouco tempo os leva á anemia. 

Será muito conveniente que se dediquem á caça, que 
lhes fornecerá uma alimentação boa e barata e os aífeiçoará 
aos exercicios indispensáveis a quem vive no matto. E' 
este um grave defeito que se nota nos colonos madeiren- 



— i;u- 

N4»H, a av(M*Hã() \H'U) nmtío; (linicilinoiííe o madeirense deixa 
i) local i)\u\o |)!'iiniliva!n(Milo se estabeleceu, para procurar 
novos <^l(»ni(^nlos di^ prosperidade. Isto em parte deriva do 
íífJCoroHo r(*^im(^u mililar a que injustamente submettem 
OH pobiH^H i*olouos, a quiMU nao é permittido transitar d(^ 
unia colónia para outra sem uma iiniia de marcha com iti- 
ni^rario mareado e, , , tantos dias de cadeia, quando não se 
aprt^stMUam, loit^o que termina a licença! 

fouihMuuamos esta arbitrariedade como iittentcitoria da 
libtMdaile imlixidual; o colono é um cidadão livre e não 
\uu esiM\i\o ou mu soldado; seja-lhe pois permittido residir 
aondtMuais iouxenha aos seus intercv^ses. 

Nài^ iHMupreheuileuu>s a rai^ào }H>r que se obriira uni co- 
lomuixiver u'uma ileierminada lolonia, quando e certo 
i|ue ello podi^uvli^ esU\beU cor-^eâ sua escolha n\uitra, onde 
te:t\ pareuies e auuu\>s, pivjerâ rouai l > a elles pmdiizir 
umiiv^ mai^ vto que e<anvU> isolado. 

lV\c*n ir uuiiiidvK'^ iK^ tato-; do Uu canu<a< de tIaneUa 
^vivu iv^t^tir ás \aruiv^^*^ ^le :o:!:^vra:ura dunuitea estai-ão 
s\\v\i e rVa. l Vxeru !>»>s:<;:ir co^or:«^:v^. mr:a\ cvDUiIas de 
íã. c:u.\^cu v-io rVI::'v> ^.i- ;íOvIs I.r/cus^ s^rvi^^s de cano iúu\ 

i^,^:u:''\* .1 e< iv à«> i.\*::\ .is^u c* ^;'>.' a vryyt-rarira^' mai< 
eV/vu,: u ò'V'"í"í '-x ::a? o !r:i*\il.> ;• :í'^ t^v o"» -lia e p'-Ij. ma^ 
u:iuu,UL -^•' :'''::«i'^ -'s :r:f\il!v^s i^ r^xa. r.^::xoi:i «^^un? ao- 
c.^:*\ ^», :;* -v!'"'' vs i.» ':s;"r* ».:i* i-r •< rj' •\ aiO) «^a ttxid<> 

1 .•*,.' -,0- '■ i. , .»».._* « . • . .cl J » ».( cl.. 

a\t" ''í •♦" i : •• >^ Ia :♦■ '\i m Ta. I'» ^ •* !\i'. c ^mrji caa- 
\\\ à V"-" '".'•" ""^ <:y:.:^ "» ia ':M«:'*'':^'f",i ' • T •'•! :>;i La ^ea«ía 



Convém uwar botas de cano alto por (saosa das picadas 
de insectos e cobras venenosas. 

Deve haver especial cautella em evitar a ai^uardente e 
só beber af>:ua corrente dos rios. , 

Recommendamos também que eliminem da sua alimen- 
tação a carne de porco, qnv dá origem á tenia, substituin- 
do-a pela de vacca. 

Xa construcção das casas cinjam-se aos preceitos h.ygie- 
nicos que estabelecemos no capitulo VI e que são em re- 
sumo : terreno alto, seceo e duro, pavimento elevado sobre 
o solo exterior, paredes altas rebocadas e caiada.s, cober- 
tura de telha ou de colmo, sendo n'cste caso renovado do 
3 em íí annos, orientação ao norte ou oeste e nunca ao 
leste, e sul, valia em torno da cjusapara a drouajíem dos ter- 
renos, e afastamento das levadas. 



CAPITULO IX 

CAMINHO DE FERHO 



O que atraz deixamos dito, se de- 
prehende que a eolonisação do 
plan'alto e o seu desenvolvimen- 
to commercial e agrícola estão 
dependentes de um melhoramen- 
to de urgente necessidade, recla- 
mado pelos interesses vitaes das 
colónias, Reierimo-nos á viação 
acoelerada que estabeleça rápida 
communicaçào entre ellas e o li- 
toral, trazendo como consequên- 
cia a diminuição nos preços dos 
transportes dos géneros comnierciaes consumidos no pla- 
n'al1o e dos productos agrícolas colhidos no seu fértil solo. 
A construcção do caminho de ferro de Mossamede.s para 
as colónias do |)lan'altoé condição essencial para o seu fu- 



— 13S- 

turo eiiirrandcciiiu'ni4> v cada dia d-.^ dciiiora na ivalisavão 
dVste iiiiporlaiile iiielhorameato é uiu passo piii'a o des- 
moroiiaineiito do que já está feiío com r*norines eiiearíros 
jKira o theMUini naeioiícd. 

Odoniviír a Atriea mio consiste xo//í./.f< em mandar C4H 
lonov para os íertei< <i'riões africanos piíra eon>truir villas 
t* cultivar terrenos ou.* Uies forneçam o^ meitis dt' subsis- 
ttMicia: é indispen^íivt*! que parallelamente ao tnihalho do 
colono, o coadjuve a acção i:ov44'nativa minisirando-lhe a 
torma de aproveitar e converter t-m riquezii pn>pria o re- 
sultado dos st*us e^torcos. 

« 

O en>aio e<lá feiío e dru óptimos resuItado>. ()< colonos 
europeus trans|)ortados para o plaa'alto d»' Mos^amedt*s 
viv»Mii em boas coudicrirs hvirienicas, ctm^truem Cct^as, 
levantam villas, cidtivam os cami)os v ap[)Iicam-se ás in- 
dustrias, artes e officios. Falta-llu*s a cooperavão ollieial tio 
Estado faciiitando-lhf^s a venda ilo< <rus pnxlucto-;. 

Ouçamos a t){)inião in^us[)fnta e authorísada dos illus- 
tres ex[)Ioradon*s ( ap^^lo e Ivens. explanada com maiíis- 
tral cnnipf»b*ricia no livro de Aihfi,l,f /i i\^ifrtf'^**K<tf': 



A!i aciuirii-<t' rviirudiís iis eorulit^ruw jnra u:r.;i vasta rolunisaçâo 
♦l'!.!:''';-'*-..!. h» íi»tn eín-atnsrancias poa<M» ta>-<'is do ^'Ilroutrar na Africa; é 
\i*A< urir^Titt' fí^rrial-a alvo do t«»do5? ns i\ \'>í>í).< e>iorL-Ov< o attonv^Vs. 

I'»'.x.'::. j-ri«.>s d»* rrriis e«>ri5iidom(:n»»s: (*a:K*aI ó •[u»» >»» d^^sí^ja. propa- 
LC't:i li t*-LZ>'::] jl-a u.-'*> ivv-\\^ ivcíU-dando «[it^ ifuiiia ti-rra ([ue Tà-..) irone- 
ro>a:."' TíV* s;«-.:'i'la o^ o>i*«'n;<^c? d'> i;«d -rio na li p«>do n-sisMr á torva de 
v«.'r:*:i !•• I^fin *l--^'iTii!riada: o sirva d'' »'\»':íi;»;<.» í'<s<.» [r^mliado de ndo- 
n^'S 4**o r'-nd<.« :d » [lara ali tMii 1^4^», poli r:ia-t»r [-ar^.' com os b«»lsos 
vas:os. N-variMra.u a ''X[d«uidída villa d«» M.'>.-a::i''d«*s, »» sã«» b>jr pelo 
«^oral pn.'pri'*t.i:':<.s. 

<.N LC**'-'í^ •''*■; -*^> P«*ia sua pai*rv» riM^m friro o 'pi«* 11í«*s incuinbo: con- 
tai i<- o Lr'^ orriu a ».-::: ;)e:;liarse com stn-ícda lo na obra: venham para 
o i!;''.*í'!'.»r o n. .-^i« ::a/t«j. o ri:»'rca«!t)r o <'<^< r:o. o brovi» vrn'rii«'S(>rK'rar-se 
a 'nais ra-iií-al ^ra:>:'' /•:::tcã >. 



- m) 



A primeira cousa precisa é crear meios do transporto; de outra for- 
ma todo o successo será impossível. 

O recem-chegado, negociante, mercador ou lavrador, por melhor 
que seja a sua vontade, nada pôde no interesse de um paiz falto de 
bons caminhos e vias de comraunicaçào. 

Que importa o facto de Huilla produzir muito tiigo, se cada rarro 
hoeí\ por exemplo, leva o excessivo preço de meia libra esterlina, por 
arroba, para o transportar para a costa? 

Para que nos serve saber que das vertentes da Chella até á bacia de 
Quillengues pôde colher-se todo o milho preciso para o consumo da 
provincia, e ainda para abastecer a colónia do Cabo, se nem uma espiga 
podeis trazer atravez das serranias do Munda? 

A viação é o objecto capital, e isto em detrimento de todas as outras 
obras, como hospitaes sumptuosos, residências, quartéis, etc, de que de 
resto temos abusado nmito. 

Abrir c-aminhos, porém, atravez das terras áridas e em seguida dos 
mattos interiores, para servirem com carros de bois, é um erro sem 
nenhuma vantagem. 

Grande capital seria necessário para uina obra de que apenas ha a es- 
perar resultado medíocre, sem comprehender tempo, trabalho e outros 
factores, como morte de gados, etc. 

Procuremos, portanto, na viação accelerada resolver este problema, 
e vamos ao caminho de ferro ou ao tramway a vapor, como único re- 
cui*so para transformar tudo aquillo. Tomemos Alossamedes como 
ponto de partida, prosigamos, por exemplo, pelo valle do Giraul ou do 
Bero. 

Ganhando o interior, essa linha attingirá a região próxima de Ca- 
pangombe, procurando a directriz mais conveniente para vencer as 
alturas da Chella. 

Está aqui sem duvida a pedra angular do edifício, mas com estudo 
e trabalho pôde conseguir-se. 

Podendo proseguir pelo valle do Muninho, teríamos talvez a vanta- 
gem de a levar para o nordeste, isto é, na direcção dos centros mais 
productores; no caso contrario dirigir-se-hia para o sul do Hoque. 

Das duas direcções porém a mais proveitosa, posto que a julgamos 
mais diíficil para o caso da subida, é a do sul, porque havendo de bi- 
furcar-se no plan'alto, afim de lançar o ramal do Humbe, ficava assim 
diminuído este, e o ramo directo iria a caminho da Huilla e Handa para 
Caconda. 

E^usado será dizer que esta direcção media da linha, por nós apre- 
sentada pelo nordeste, náo se funda simplesmente na necessidade de 
servir aquelle presidio, pois, pela exígua importância que tem o forte, 



— 140 ~ 

podia ella desviar-so mais ao sul ou ao norte; mas porque toda a ten- 
tativa ulterior de prolongamento para o sertão ha de ir approxiniar-se 
do Bihé, afim de buscar a linha divisória das aguas no interior, na 
terra alterosa. 

Assim, em pouco tempo veríamos nós Mossamedes ligada a Ca- 
conda por uma linha directa, que atravessando as terras elevadas teria 
n'uma zona lateral de 20 kilometros, a área de 18:000 kilometros qua- 
drados de terrenos férteis. 

Qualquer companhia que podesse dispor do capital necessário para 
o estabelecimento de uma tal empreza, toparia n'aquella regiào vanta- 
gens muito especiaes e em circumstancias raro encontráveis. 

Primeiro, a sua construcçáo seria relativamente praticável na zona 
littoral, nào só pela facilidade em obter braços, como também, por nào 
ofíerecer axaggerados obstáculos, estando além d'isso próxima do mar 
e em vantajosa posição. 

Protegida por todos os agricultores e negociantes, tendo infallivel- 
mente o transito de todas as mercadorias sem competência, pois a 
tonellada de algodão que de Capangombe pagava 33$0(J0 réis, pagaria 
agora, pela tarifa de 50 réis o kilometro, 5$000 réis, teria esta linha, 
como poucas outras, a immediata exploração de toda a salubre zona 
marginal, onde breve appareciam aldeias e villas. 

Nào podemos seguramente calcular a cifra que a producçào agrícola 
desde logo attingiria, mas, por certo, seria enorme. Os trigos, os milhos, 
os algodões, os legumes, sem contar desde o principio com a saida de 
productos naturaes, que, desviados dos trilhos do norte, viriam ali bus- 
car o terminus da mesma linha; alternaria sem duvida com o trans- 
porte de gados, também representado por uma verba importante, e 
muitas producçôes novas. 

O caminho de ferro por modo nenhum pôde ser um desastre n'esta 
regiào, pelo simples motivo do seu traçado fazer-se n'uma zona em 
que o indígena nào predomina exclusivamente, e porque estamos 
convencidos de que procreará vastos centros de população branca, cujas 
necessidades, bem differentes das do negro, dependerão das relações 
exteriores. 

Ta(»s eram as palavras dos notáveis exploradores ao 
tempo em que ainda não estava iniciada a colonisação de- 
finitiva do plan'alto. Hoje, eoni uma população branca de 
()()()0 colonos, (pie todos vivem da agricultura, espalhados 
n'uma an^a de 80 kilometros de raio, com importantes 
centros d(^ attracção representados por villas e aldeãs cora 



— 141 — 

sumptuosos edifícios públicos, propriedades agrícolas e es- 
tabelecimentos commerciaes de primeira ordem, a neces- 
sidade do caminho de ferro torna-se imperiosa e urgente. 

O desanimo vae-se apoderando dos mais corajosos. Os 
colonos na impossibelidade de auferirem lucros do seu tra- 
balho, logo que findam os cinco annos do contracto, ven- 
dem os seus terrenos e retiram para a Madeira. De dez 
imigrantes estabelecidos nas colónias, seis, pelo menos, 
abandonam o plan alto no fim de cinco annos de trabalho 
infructifero, maldizendo a confiança depositada nas pro- 
messas do governo e a esperança de obterem meios de 
fortuna, que os arrastou a abandonar a sua terra natal ! 

E qual o beneficio que o Estado tem colhido da coloni- 
sação do plan alto ? A nosso ver, nenhum que compense 
os pesados encargos do seu custeio. A continuarem as 
cousas no pé em que ora estão, em breve espaço de tem- 
po as colónias ficarão desertas e veremos desapparecer da 
Africa a colonisação mais auspiciosa dos tempos moder- 
nos, e os bellos e sumptuosos edifícios públicos, feitos á 
custa de tanto trabalho e dinheiro a servirem de curral ao 
gado dos indígenas!! 

A colonisação do plan'alt() do Mossamedes tem consu- 
mido ao thesouro nacional o melhor de l:()00:()0()8()0()réis 
e continua a sorv(»r annualmente a importante verba 
de l()0:000íi()0() réis. E no emtanto está imminente uma 
derrocada geral. Por mais d** uma vez os coJonos, deses- 
perados com as delongas do governo na realisação do 
mais útil melhoramento para sustentar e desenvolver a 
colonisação, ameaçaram abandonar em massa o plan'alto 
e, se o não fizeram, foi porque o estudo do traçado do ca- 
minho de ferro, feito em 1888 pelo distincto engenheiro 
Machado, e os constantes esforços empregados pelo gover- 
nador geral, Capello e governador do districto, Álvaro da 
Costa P^erreira, os mais dedicados campeões da patriótica 
colonisação de Mossamedes, habilitaram o parlamento e o 
governo a discutir e approvar a sua consírucção, o que 



— Ití - 

li.*v()u ás colonihs aliruin cilento e rspercinva de mrliior iii- 
turo. 

Hsia <*sj)enuu;a, porém, Vcie-se desvanecendo e eoni ella 
d( >apparecerã a uníea taboa de salvarão para, já não dire- 
mos desenvolvíM*, ao menos amparar o que está feito. 

í) projecto do illustre en«:enheiro Machado eomprehende 
cincí) secções desde Mossamedes ate ao alto da Chella. O 
primeiro começa na villa d(^ Mossamedes, ao pé do mar, e 
dirii^^e-se para o alto do (jiraul ao rumo do nordeste, abran- 
ífendo a extensão de 29*^.410. A segunda se<rue a direcção 
iterai do leste até a Pedra Grande com o peix*urso de 35^^578, 
A terceira atravessa uma rej^ião sulcada por pequeno nu- 
mero de toiTentes e termina no valle do Moninho com 
47^,108. A quarta estende-se dVste sitio á basc^ da Chella e 
pr(*cisa de uma importante obra de arte para transpor o 
rio Moninho, se<^ue ao rumo do nordeste na extensão de 
39*^,140. A quinta e ultima é a que maiores difficuldades 
oílerecí* para j^alii^ar a enorme barnúra da (,'hella: seíjue 
pelo valle do Tandirikita, fronteiro á Biballa e attinge o 
alto da cordilheira com o percurso de 28k,974. A maior 
altitude do traçado n>sta secção é 11 Di»» sobre o ponto de 
partida no valle da Biballa e a altitude absoluta desde a 
villa de Mossamedes é de 2llH»í. A directriz «-eral do tra- 
çado sei^ue o rumo do nordestt* ao norte do (Jiraul com o 
desenvolvimento total de 178^,210. O dispêndio médio por 
kilometro foi orçado em 16:8178001) réis, o que dá ao todo 
2.997:(K)()8(H)Í» réis. 

Da I)rilhante conferencia realísada pelo distincto enge- 
nheiro na Associação dos en^c^nheiros civis acerca do ca- 
minho de ferro de Mossamedes, e publicada em extracto no 
excell(*nte jornal illustrado As (\iloni((s Porttu/u^zas, damos 
os tópicos mais importantes: 

Começou o sr. Machado por descrever a impressão que lhe fez o 
paiz, a primeira vez f|ue visitou Mossiunedes, em fevereiro de 188V. 

A via.í?em de Loaiida a Mossamedes faz-se em 48 horas, em navio 
a vaptM-, e quí* ande í» milhas por ora. 



— 143 — 

Nâo obstante a proximidade relativa de taes localidades, as eondi- 
-ções climatéricas d'uma e d'outra sáo bem diversas. 

A elevada temperatura, que faz em Loánda, diminuo consideravel- 
mente desde que se passa para o S. do cabo de Santa Marília, devido 
íi brisa fresca do SW., que sopra constantemente, e a uma corrente de 
agua fria, que vem do Cabo da Boa Esperança, parallelamente á costa 
e próximo d'ella, a qual se desvia rapidamente para W. nas alturas do 
cabo de Santa Martlia. 

O porto de Mossamedes é formado por uma bahia ampla, do aguas 
tranquillas e profundas, sendo franca e constantemente accessivel para 
qualquer navio, por maior que seja a sua tonelagem. A terra, que a 
contorna, é, porém, árida e secca, constituída por extensos areiaes, des- 
pidos de vegetação. Na zona litoral é raro chover, passando-se 4 e 5 
annos sem que caia uma gotta d'agua. Succede, porém, de annos a an- 
nos, formarem-se trovoadas, acompanhadas de aguaceiros; basta que 
chova três vezes, com o intervallo de alguns dias, para que os areiaes 
se cubram de relva, que cresce rapidamente, oííerecendo entào os terre- 
nos o aspecto de grandes cearas. 

A' temperatura moderada, ás brisas frescas, e, principalmente, á 
falta de vegetação, deve Mossamedes o seu excellente clima. 

Mossamedes causa uma agradável impressão a quem conheça as 
demais terras das nossas colónias d' Africa, porque, sendo a mais re- 
cente de todas, é a que tem maior populaçào portugueza, e onde a 
familia está radicada O constituída de modo regular, gosando geral- 
mente, adultos e creanças, excellente saúde. 

Datam apenas de 1849 as primeiras tentativas para a fundação de 
aquella colónia, e nko obstante as grandes difficuldades que o paiz 
offerece, a sua pobreza, a falta de recursos próprios e de auxilies do 
governo, ella tem prosperado, formando contraste bem perceptível com 
todas as outras terras da Africa portugueza, aliás mais ricas e abun- 
dantes de recursos materiaes. 

No interior, para Leste da Chella, devido á grande altitude do ter- 
reno e á abundância de aguas correntes, o clima é ainda mais benigno 
do que no litoral, o o paiz próprio para um largo desenvolvimento de 
<5olonisaçào. 

Fez a historia das colónias da Huilla, Humpata, Lubango e S. Pe- 
dro da Chibia, mostrando o desenvolvimento rápido que n'ellas tem a 
populaçào e as producções agrícolas. Estas ultimas, porém, nào tinham 
valor pela difíiculdade das communicações com o litoral. 

Explicou os motivos de taes difficuldades e a influencia impedi- 
tiva que, se persistirem, exercerão sobre o aproveitamento do paiz. 

Antes de attrair para aquelle terreno uma numerosa emigração, é 



- I4^~ 



transporte d-u,n« o„ .I^dld!^ "^ Actualmente, eusta fir.^i.-f .:^ 

;"«'•« cv«non.ieu cH)niu. I ;;;;": "Tn'"'''^'^*" "^ ^^p"--' •»- *> - 

l^r duram, as pri„u>i„.s atuuZZr^'''^"T ° "-«^^^ «1»- PoÍ- 
'i« «-.andes vloeidades. ' "' '''" '»""'• ^^'» t*! P«iz. o empr^, 

'«•- -n^ ::r;;;;;;;: T^-r-'^ ««^-^ ««^odeve h... 

«« 'íni/íon. hoje pa,,, u l'r«, n "" ■^"■""^''' ''"-«ntacron. para o^r" 
"•"nlu... onde soL.n J. 'l .^^ 'V,'"''' '"''»"•'->''> o outras tern^T .T 

^„ í^rto diria ,p,o os („./;?• , """ '' '"*^'''^^«- 

2""" '-'an. .'u>i.l«nK;^'; tl:';!;;;'»''^^^^^^^^^^^^^^^ para o pWaIto da 
•«»' •»« a..O(Jer«,Jo trab d ..ín ""''"' ""^'^ "'«'"'«^'a que todo. 

""^ al>andanei.,o, por ..n ; , :,^;'""-"; '•"• -'to ben. estar, vH-end.. 

*"" 'r. '' "••''"^•«'•' »H nuu ; '''"'''^''^''"^'•^''•'^^''PVHorosáquel]^^^^ 

Ass,,,.. „o K,t,j,,,, Livre d.. ■ 
^^í' n.HÍs mm «,,,,,„ ' , ,,,;;;';;•• P;;--^ ">ais internado, e ainda 

i'vuluas .leseendentes í „ ,; '" W ''^f^'' í'' viviam m-m in- 
«ífne.df,,,,,, ,,,, tirav... . ' 'i«''l'nuulo-se exelnsivanienfe -i 

-^••><j«HKK..^(KX) réis •"" ''"'' ""•"' l"-''H-t- on. valor supedor a 

"ito^ín:::,!: r;;:;:i:r;r' ':': '' '''•'•^^ ^'"^"^ -^^— ^es e o 

Proprianu.nte denon.ina l' '„ 'rr''"'^' ^'"''^ ^l-> <l-eria n^ai^ 

t'ves.e eapaei(íade para ,nn t > ' ," '"'""' '""-^"^ bastaria que 

^«rforias a transpoíta e ^^ZT^^'''' '''''' tonelada. de n';. 

l';í«as. o qual ain,ia aJi,„ rZ-x: ,''"'''''''''''' '^''P^'''"'- « íO.()(H),one- 
al. se estahehves., aetivanu-nte "' '"' '"'"'"'"^ "" """■^'•«^•'^'> Pam 

-"-;';;d'::;;;'';rl;^,tA:!i:;;r" t '-''' '-'-^^ =''^^"- - 

v<-s^' -•-• prolo„,.,da. Kru , , , . "• ''"""'""^ ^'•" 'í"^' ^"^ ''"^a de- 
-"";'" <Io Hilu'., oortan ,;,""■""• ''"" ""'' "^•-- ''- so^^uir no 

^•"V"-'" "' ''•'•'«•-" P'»'-a 1>> ..„:"""•""'' "-^ ^••"•"""- eonunerciaes 
I-^t" ineitavu ,k ,.o„„„ 

P" -^'-- ^io port.. de I!..„,nK.IIa en, direcção ao 



— 145 — 

Bihé. O conferente analisou desenvolvidamente esta hypothese, mos- 
trando que a feição principal e mais importante da linha de Mossame- 
des era permittir-se o desenvolvimento d'uma colónia de população bran- 
ca, cousa de muito valor tanto para a província de Angola como para o 
melhor aproveitamento da corrente emigrante da metrópole. Este fim, 
importantissimo, nào se pode realisar no districto de Benguella com as 
facilidades que se dão no de Mossamedes. Caconda parece ser o logar 
mais próximo da parte de Benguella, próprio para a colonisaçâo, e a 
distancia entre estes dois pontos por um caminho do fracas inclinações 
nào é inferior a 300 kilometros, emquanto que a linha de Mossamedes 
ao alto da Cheila nào tem extensão superior a 175 kilometros. O cHma 
da regiào litoral de BenguoUa é muito insalubre; por isto o pela acci- 
dentaçào do terreno, a linha de Benguella a Caconda nào poderá im- 
portar em menos de 20:0()0$000 por kilometro, — custo do caminho de 
Loanda a Ambaca — o que dá 6.000:000$000 para os 800 kilometros até 
Caconda, emquanto que o caminho de Mossamedes se poderá construir 
por quantia inferior a 2.õ00:000$000. Esta ultima linha, desde que seja 
decretada, servirá immediatamente de forte incentivo para a colonisa- 
çâo, podendo os colonos seguir pela estrada ordinária existente, sem 
receio de serem atacados pelas febres, para os legares já occupados no 
plan'alto. Outro tanto nào succede em Benguella, onde o caminho de 
ferro só seria útil á colonisaçâo, quando estivesse construido em desen- 
volvimento superior a 200 kilometros. 

Nào podendo o paiz construir simultaneamente as linhas de Mossa- 
medes e de Benguella, porque qualquer d'ellas exigirá do Estado va- 
liosas subvenções, parece que deve dar-se preferencia áquella que per- 
mitte nào só a occupaçáo immediata da parte do plan'alto jjroxima á 
fronteira dos territórios pertencentes á Allemanha, mas ainda que se 
constitua no districto de Mossamedes uma numerosa colónia de popu- 
lação branca» 

Descreveu em seguida as condições technicas do traçado estudado, 
que se divide em 5 secções, demorando-se na 5.* secção particularmente 
interessante pelas condições excepcionaes do terreno, que forma ahi um 
degráo rápido de diflferença de nivel supejior a 1:(KX)"\ O traçado sobe 
aquella encosta abrupta desenvolvendo-se na extensão de 29 kilome- 
tros com o emprego de 11 reversões e em rampa media de 4 por cento. 
De tal systema resulta evitarem-se obras difficeis e reduzirem-se a mo- 
deradas proporções os movimentos de terras. 

Julga porém, que será mais vantajoso empregar n'esta secção a via 
em cremalheira do systema Riggenback, lançada em rampa media de 
8 por cento, e a locomotiva mixta do typo Abt, própria a funccionar só 
pela adherencia e acção d'uma roda dentada nas rampas de inclinação 



— 14í5- 



su|HMior a S por routi», I >Vsíe moJo a siH*vào da Cholla mediria apenas 
Io kiloiuotros em voz do :í\> quo tinha o ante-projceto estudado e a 
ronsniirví\o síiiiia muito mais ivonomira. Tal systema de via estava de 
anuo para anuo roíobi^ndo mais numerosas applieavôes eni terrenos de 
nipulas vaiiav^^es alumelrieíU?. e tinha sido tmiprejíado em :23 hnhas 
doMii* ISTo aiê hv»jo. meivivndo menvào esptnnal a hnha de Padangem 
Snnurra na oxiensào do ol> kilouielros e eom S por eentu de inchna- 
và»^ ív.tsiiíU Km pv»; taiiío um sys:ema sullirientiaiieníe «•xperimentado, 
Ojiii» po::5;:::e ímr.si\>r:ar uhsvadi^rias e p:is>;\ire ir os mm absolueta se- 
i::;r;r,H'.u e\ri::v..i>^ dosiw.as de o\pK»!avào mui>» mo lenidas e em que 
a do:;*r: ravao .*o :r.a:o:ial r:x»» e circulante ê ins-n^iv»^!, devido a pe- 
^*:^*.:a v_vv.xí.i i* d.^s Tx^ns, i.^ iviit^T^nte ier:r.:r.e;i -/xí. 'nd*! «is preços 
\i.^ orvcrr.i :::> /.-* ••al»M!:í:a •\*n rt^Iavà*» a caia s vvcv». A svcvào aiais 

V í: trvs ^:*/ /. a .;u::.*a ixii..!, i»» a «i -sv- ja i- -7:7lls»*»» !»«»r kilo- 
::.;:iv'. i» y^v^ ">•; .' kl :í: ' uv /:. r I io:\ » a '• •* \ a I :;Iia. incluindo 
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— 147 



fazer transporttvs n'estas dir-icções, quando exista o caminho de ferro 
até ao cimo da Chella, que os impedirá de -tomarem fretes para Mossa- 
medíís. 

Parece muito provável que o commercio para uma grande parte da 
regiáo ao sul do Cunene venha a fazer-se pelo porto de Mossamedes e 
atravéz do plan'alto, attenta a difBculdade de abrir caminhos de pene- 
tração, quer de W^ahvich Baj', quer de Angra Pequena, que teriam de 
atravessar muito extensos desertos, sem agua nem vegetação, de solo 
constituido por areias movediças. 

O movimento actual de mercadorias entre Mossamedes e o plan'alto 
pode computar-se em 1:000 toneladas. 

Havendo facilidade de transportes, mesmo com a população hoje 
existente, elle ascenderia ao triplo, pelo menos; isto 6, a 8:000 toneladas. 

No fim de cinco annos, admittindo que se cuide com empenho da 
colonisaçào, não e exagerado suppor que se tenham introduzido no 
plan'alto dez mil pessoas, isto é, proximamente seis vezes mais do que 
ali existem hoje. 

Suppondo que a importação e a exportação crescem na proporção 
de 500 toneladas por mil pessoas, pode-se contar, no fim do primeh'0 
quinquennio, com um movimento de 8:(XK) toneladas, devido ao traba- 
lho dos colonos brancos. 

Fixando em 1:(KX) toneladas o peso dos géneros correspondentes ao 
trafico com o gentio do sertão, e também em 1:000 toneladas o com- 
mercio para o sul do Cunene, chega-se ao total de 10:000 toneladas por anno. 

Adoptando a tarifa media de 30 réis por tonelada kilometrica para 
osproductosde exportação ou descendentes, que em virtude da orogra- 
phia do terreno exigem despezas de tracção minimas; e que para os 
géneros de importação se adopte a tarifa media de 60 réis, também por 
tonelada e kilometro; suppondo que as mercadorias a exportar pesam 
5:500 toneladas e as de importação 4:500; adoiittindo que ha vinte 
viajantes por dia e que ao transporte d'estes se applica a tarifa unifor- 
me de 40 réis por kilometro, teremos: 

Receita proveniente das mejcadorias descendentes 

5:500^X178^X30 réis 29:370$000 

Receita proveniente das mercadorias ascendentes 

4:>500^X178'^X60 réis 48:0()0$00tl 

Receita proveniente dos passageiros : 

20PX3«5'1<1 78^X40 i-éis 51:976.$000 

Receita proveniente do telegrapho 10:000$000 

Total da receita bruta 139:40()S000 



_:•.: >.^i •*- " lOiíeamente e era 

. /-_.^ > . ^.''-^ '^ 'l^^ ^Ue im- 
^ . .. ^ -.,r kii"a-r'.''i .ío. relativa- 

.li.ãa, apenas õ<>:4i.»>.<«M) réi:<, 
. .^ i'jní7:< KM J$()<J(J réis em que im- 
- - "-^í-To (Tesía via férrea. 

• II II íiil caminho f)esados euearzos 

' .^^'uís annos. Xoemtantoserào ♦-ll-*s 

-.,-;. !in ikiií ix»eeitas directas do dis';i- 

i'.».-- ailiumeiros, diminuindo \>roiHjr- 

^. ^ tiíúiavHo branca e com o desenvolv:- 

, . -;tvii*> í^e estenda no sentido do Bihé 

.;.' toiíuuii origrem as primeiras linhas 

, • tuias cumiadas que separam as ba- 

. • lo \>iuuiz:u a linha lerrcii, prolongan- 

,. . . ..a a maior ])arte do commercio indígena 

. i. »> que taria augmentar o trafico e por 

.. .i^a i^nire os encargos do capital neces- 

. . L-v ihjnulas da exploração da linha 

. . ia *'iiuuravi\o europOa e do alastramento 
. -niiox do plan'alto que fica dependente o 
i jiie nos referimos, cujas vantagens indi- 
. iti\ t'l valor. 

. . ii iNiabt^leddos ao tempo em que a 
. . i.» sru c()nu*vo e a população branca 

.,riu dv UHK) a 12(K') pessoas. 
. .^ .V ruía ao iiH)verno a concessão d'este 

tiiu ^nipo de distinctos africanistas, os 
> iju lio o l\. Ivens, que pouco tempo an- 

.u a Mia gloriosa travessia da x\frica, e 

i \ níouio iloaquim de Mattos, ex-gover- 

> , o 

. i ji niuia do ministro Júlio de Vilhena 

. iiiado eio parlamento e defendido pelo 

\.u n.il irudu sido approvado com ali^umas 



— 149 — 

D'ciitão até hoje nada se tem feito, cremos que por difíi- 
culdades na organisação de uma companhia formada com 
capitães nacionaes, e por ventura pela pouca confiança que 
os nossos capitalistas depositam nas nossas emprezas colo- 
niaes. 

No estado actual de grave crise financeira e económica 
que o paiz atravessa, não se nos afigura de fácil realisação, 
quer por iniciativa do governo, quer de uma companhia 
nacional, a construcção de um caminho de ferro orçamen- 
tado em 3.000:0008000 réis. 

A nosso ver, a resolução do problema está na rápida 
applicação da formula Decauville ao caminho de ferro eco- 
nómico de interesse local, compatível com o retrahimento 
dos capitães, originado na pouca confiança dos nossos 
emprehendimentos ultramarinos e com o estado actual da 
colonisaçáo do plan'alto. E' este o único meio, que pela 
barateza e rapidez de construcção offerece seguras garan- 
tias de attrahir os capitães nacionaes. 

Um caminho de ferro de fraco trafico, de via reduzida a 
largura de O, i«60 centímetros, indo de Mossamedes somente 
á base da Chella, encontra no desenvolvimento actual das 
colónias do plan'alto recursos sufficientes para lho assegu- 
rar uma rendosa exploração. 

A demonstração d'esta these constitue o principal assum- 
pto d'este capitulo: antes, porém, de encetarmos a nossa 
tarefa, ouçamos a opinião dos homens competentes na 
especialidade. 

O illustre engenheiro francez, M. Regis Tartary, no seu 
recente livro intitulado Comtniction et ExploitatUm des che- 
miíis de fer à voie de OJW centmútres, especialmente dedicado 
ao estudo das construcções económicas de interesse local, 
exprime-se do seguinte modo : 



En France, on peut dire que Tère des chemins de fer u vo ie nor- 
male est à peu prés close. 



iõO 



l u \a>l rluuup rtv^lo ouvoít à rêTablis>enK»nt iles eheniin> Tio fera 
Vnin óirniii' quo Tou muiMiuii à IWarteiiioní d\in iiiètiv rr que Ton se 

M, Tiniieniom viés ivnits et eliai;ssê»*>, Sainniít\ «laiis hon ouvraire 
awv le^ elu^iuiuN i!e {\'r à ta:''Io t:at'\\ n-.:e tr^^is e'»ns:»iéraíio:is e><*^n- 
tielles ^le pri!\e'.pe Iv^v.viarv.v^ntcil. v^/iir a>-:::vr 1«* siiw-^: d'un eh^-min d^ 

l ne l.iíUe \vis -í:: !e>ea-; à Nv..* ç*\^^"e '.•►.* : i:j'-i:r> emivei-ir^T vf-r> 
une hi;no vv^ t\ o, *;•/:• ' \ 
t^! K^ ^íi\ >^li À.5,' \^;". • f 1": ^^^-... ..>,, í'"I« r I*> T • ' ul.t': ::> à 

\V^ \.',-- .•; j:\ :'";.1 \* :* ^fi. :^; i^l* i !■ .• • ^•• ^^ T Ln : -r: -^ .{-^ 

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— 151 - 

Les trains journaliers soront pcu nombreux, trois en gónéml, quatre 
au plus les joiírs cie fetos et marches. 

Les déclivités seront essentiellenient dépendantes du trafie. Quand 
ee dernier ne dépassera- pas 3(XX) franes le kilomètre, onpourra admot- 
tre des rampes de 8U à 40 niillimètres, les déclivités no Jimiteront pas 
la vitesse moyenne, car 10 kilomòtres en rampe et r35 kilomètres en 
palier ou en pente donnent une moyenne de 22 kilomètres.- 

La souplesse de la voie permettra de descendre jusquVi 80 mètres 
de rayon pour les eourbes, quand Tangle será três ouvert. 

Les tarifs de voyageurs devront etre bas avec des réduetions impor- 
tantes sur les billets d^aller et de retour. 

Cest là une condition indispensable de siiccès. 

Le tarif des marchandises devra se tenir un peu au-dessous des prix 
moyens obtenus par les transports ordinaires. 

En tout état de cause, il será simple et d'une application íacile. II 
ne faudra pas de frais accessoires qui viennent grever notablement les 
matières premières. 

Les taxes de transbordement seront réduites au strict recouvrement 
de la inain-d'()euvre. 

Si le trace a la bonne fortune de rencontrer un ou plusieurs établis- 
sements industrieis ou meme une ferme importante, il y aura souvent 
intérêt à lui faire Tavance d'un branehement. 

Les frais d'exploitation devront ôtre extrOmeraent réduits, les ins- 
tallations de gares ramenées à leur plus simple expression. 

En observant toutes ces régies, il est possible dans un grand nom- 
bre de cas de construire des lignes à faible trafie pouvant subsister, tròs 
souvent prospérer et développer la richesse d'une contrée. 

La loi du 11 juin 1880 sur les chemins de fer a voie étroite a déjà 
produit des résultats jonsidérables. Cest à elle qu'on doit cette expan- 
sion si remarquable des chemins de fer à voie d'un mètre et des che- 
mins de fer sur routes dont le coíit descend à 60.0(K) franes et môme à 
40.000 franes le kilomètre, y compj-is le matériel roulant, et qui sont 
exploités avec une extreme économie. 

Mais il n'est par toujours possible d'adopter la voie d'un mètre. 
Quelques essais industrieis à la voie de 0"\r)0 ont donné d'excellents 
résultats. 

L'expérience de TExposition universelle de 1889 a prouve que la 
voie de 0'^,fiO pouvait etre appliquée au transport des voyageurs. 

No excellente livro de M: de Lapparent sobre os cami- 
nhos de ferro económicos encontramos as seomntes con- 
clusões : 



— 152 - 



Lo inomcnt senible donc venu de voir appliqutM* Ja solution De- 
cauvillo partout ou il reste k eoiistruiie des afliuents de cheniiu de- 
fer pour lesquels la voi de 1 niètre entrainerait des fi-ais exrev^sifs. Ah! 
s'il était perniis de revenir en arrière et de traeer sur nouveaux frais 
le plan d'orgaiiisation de nos voies ferrées, quel réseaii, à la fois ration- 
nel et prospere, il serait possible de eoneevoir par une eombinaison de trois 
eatéíjories de chemins de fer, d'iniportance progressivement déeroissante? 

I^es lignes íi voie norniale desservant les grands eourants indus- 
trieis: les afliuents de preinier oi-dre à voie de 1 niètre, avec pentes de 
10 il 25 millimètres et eourbes de 120 à 150 mètres de rayon pourtou- 
tes les receites eomprises entre K(K)0, 15.000 et 20.1K)0 franes, enfin les 
atlluents de deuxiènie ordre ii voie de 0'",60, capables de pénétrer par- 
tout jusqu'au eceur des usines ou des fernies et de trionipher, sans ou- 
vraofes d'art, de toutes les diffieultés du terrain: aussi bien adaptes u 
une installation définitive qu7i un usage essentiellement temporaire: 
permettant iri de déployer d'une manière eonstante un petit eífort, là 
de sullire pendant quelques instants, comnie le transport du gros nia- 
téri(»l de guerre, à une dépense eonsidérable de frais. 

Hélíis! au lieu de ce beau revê rétrospeetif, que voyons-nous en 
réalitéy í^ue desommesinutilement dépensées, qui inipo.sent aujourd'hui 
de lourdes charges au budget de YFAat et à eelui des départenients! 
Profitons du nioins de eet enseigneinent et, pour ce qui reste Ti faire, 
n'hésitons pas à faire piévaloir la solution qui sMndique comme la plus 
j)roi)re à niénager les finances publiqueis. 

Os primeiros ensaios feitos com os caminhos de ferro 
económicos remontam ao anno de 1(S32.^ primeira appli- 
cação da via rcnlusida de (),"i60 fez-se na Inglaterra no paiz 
de (íalles, território dos mais accidentados. 

O d(»s(qivoIvimento total da rede excede actualmente 
150 kilouH^tros. Ao principio a via fora estabelecida para 
o serviço d(» exploração de ardósias, mas os resultados 
sempn^ crescentes da exploração animaram os seus pro- 
prietários a dar-lhe maior desenvolvimento, applicando-a 
em 18()4 ao trafico de mercadorias e passag*eiros. Actual- 
mente algumas d'estas linhas realisam seis viagens por 
dia, de cada um dos extremos, a horas marcadas no indi- 
cador dos caminhos de ferro inaiezes de via normal. 



^Mlfli^«to«a«a 



-153 — 

Uestas linhas a mais importante é a que vae de Festi- 
niog a Port-Madoc com o rendimento de 6:0()Q$0[)IJ réis 
por kilometro. Os seus comboios tem 300 metros de com- 
primento e marcham com a velocidade de 50 kilometros 
por hora. 

(xraças á sua pequena largura e ás inflexões pro- 
nunciadas, a linha desenvolve-se com facilidade sobre os 
flancos das montanhas, corre á flor do solo sem necessi- 
dade de aterros, atravez de um paiz accidentado, onde o 
caminho de ferro de via normal só poderia ser construido 
á custa de trabalhos gio^antescos. 

A linha tem uma só via, mas de 5 em 5 estações inter- 
mediarias tem ao lado pequenas vias de 200 metros para o 
crusamonto dos comboios em sentido contrario. 

A installação das estações é extremamente simples; 
como os vagons são baixos não ha necessidade de cães. 
As construcções são em madeira e comprehendem um ga- 
binete para o chefe da (jare, com um (/iiichet para a venda 
de bilhetes, e uma salla de ospei*a com bancos para os passa- 
geiros. 

Uma outra applicação da via ()i»,60 forma a linha de 
Seligori a Darjeeling na índia Ingleza, com 80 kilometros 
de extensão. Dá o rendimento de 2:800S000 réis por kilo- 
metro. M. Regis Tartary nota que este rendimento é supe- 
rior ao de grandi) numero de vias de li",45 e de li« exis- 
tentes na Europa. 

Em França existem actualmente em exploração 500 kilo- 
metros de via de 0^^,60 por conta do ministério da guerra 
na r(\giáo do Leste, e algumas linhas particulares para uso 
do publico, taes são : as de Royan a Pontaillac, de Deau- 
ville a Tourgeville, de Pornichet a Pouliguen. 

M. Tartarv presume que sobre os 14 a 15 mil kilometros 
de caminho de ferro por construir em Krança, uma grande 
parte será realisada com a via de 0»«,6(), e nota : 



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En effet, suivant Topinion de \I. Xoblemaire, directeur 



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K-í>i •/* - -•;,'; , :,;,-í ;:;..>« »rMi *-:íi ?/\'Zí.^.\<^t\ v^<\ píitssue 
'í2 ^-i'^o^- ': ' "rrijv,, ■r^ri-r^^nt^tn»!'» (;a'Ia inn o n-^o de H 
toíiírja'J'i-, :^ '. /:i'o;,- ;>'i:^ p.i>-íiir»'ín>^ c«»ui l" l«>irai\'S cada 
ijíij- 2 1'M'/í;;;o?,%.j- '• 4 rviriu'» para a i-*»ÍÍ«ícaç-ão da ^icl. O 
iíjat''ri/ij íin-íjíaijN'. a vla ^- ri> iiiarhinci.s toiain ctinstruidas 
(K-la r-a-a I jí-íaiiVíHí-. O- corii?K;if>s são c-<iinp4>slos de "> a 
10 vairoíj- ♦? ijiua >ó iriaíríiina faz s»/is viaifens por dia. O 
Mfij inovíunfíito arjriual í* dí- >{0.<Ki^Moneladas e oei-upa 2íl 
lioiiMfíis na >ija í'Xplorarâo* 
M, Taftiirv íhí-íra á>í s#'iruint<-s coiielusões: 

í) (raininho df? íVrrro do O-n.fíU, nos casos mais dilliceis, 
nnnca c^xíMídí* a cifra d<* iíO a í>õJ>íK) francos por kilometro 
--íía7:<KH>8íH)0rcis. 

Ah íh»spí5zas de cx|)loracão variam entre 2 a 2.'HK> fran- 
cos por kilometro — 4<K).S(KK) a rí{)!KSO!K) reis. 

VI preciso (jU(* um paíz soja muito pobre de recui-sos para 
não cíitrcler uma (•xploração tâo económica. 

Se um (caminho de ferro de via normal íl»",4õ) de inte- 
ress(f iferal custa em mi»dia 28 ).()■)> francos por kilomeíro 



— 5H:0(K)80(K) réis: uin ouíro de vm noniial o interesse lo- 
cal, IBo.OlK) francos por kilonietro — íííiiOíKK*?;!)!)!) réis, um de 
via reduzida a 1 metro 8!).(H)l) francos — 1H:()01)800() réis, 
pode concluir-se que a via de ()í",6!), cujo custo kilonieti:ico ^ 
máximo varia entre 30 a 8o.().M) francos — B a 7:()IK)80!H) 
réis é a única que pode satisfazer ás condivões económicas 
dos paizes de menor recurso, por isso que permitte uma 
reducção importíuitt* nas despezas do material circulante 
e de installavão. Os seus vai^ons tem perfeita estal)elidade, 
as machinas possuem for^a sufficiente para conduzir í^ran- . 
des cargas sol)re rampas continuas. Emfim assegura os liene- 
íicios da viação accelerada a localidades que pelas suas con- 
dições topographi(*as e económicas não as poderiam gosar. 

• 

Postas (\stas considerações, passemos á questão princi- 
pal, a demonstração da nossa these. 

Partindo da hypothese de que haja no paiz iniciativa 
e foT'ça de vontade para se organisar uma companhia que 
construa um caminho de ferro de ()í",B!) ligando o porto de 
Mossamedes á base da Chella, vejamos quaes são as des- 
pezas de construcção e os rendimentos de exploração. 

A distancia entre os pontos extremos da linha é de 101) 
kilometros. 

Não havendo difficuldades de accidentação de terreno, 
que exijam obras d'arte, n(un de falta de pessoal operário, 
que se poderá facilmente angariar entre os indígenas do 
litoral, podemos calcular em 7:0008000 réis o custo kilo- 
metrico. As difficuldades reduzir-se-hão consideravel- 
mente, se a directriz da linha tomar o rumo do leste pelo 
valle do rio Bero, até á região do Hoke, realisando-se deste 
modo a segunda das hypotheses dos exploradores Capello 
e Ivens. Teremos para a construcção geral da linha a des- 
peza de 7(X):0(X)8(K)0 réis. 

O movimento médio de transport(\s entre Mossamedes 
e o plan'alto, eífectuado actualmente pelos carros horrs é o 
seguinte: 



— lõO — 



Transporte de colonos, bagagens, niateriaes, ete, por 
conta do Estado para os concelhos da Humpata, Lubango 
e Hnilla, calculando 4 vagons, em media mensal, para 
cada concelho, dá 12 por meze 144 por anno, que ao pre- 
ço médio de 150801)0 réis cada um importam em réis 
21:600S(K)0. 

Cada vagon transporta 1.500 kilos, 144 transportam 
1.500xl44-216.0fK) kilos ou sejmn 216 toneladas. 

Calculando, em media, 15 vagons para o transporte dos 
géneros commerciaes para cada um dos três concelhos, 
temos 45 carros por mez e 540 por anno. 

Ao preço de 150S(K)0 réis importam em 81:000.S(KM) 
réis, transportando em kilos 1.5(K)x540--810.000, ou sejam 
810 toneladas. 

O movimento actual de importação é pois o seguinte: 

N." dt» va^'i>ns Toneladas (áiAo 

Por conta do Estado . ... 144 216 21:6008000 

Por conta do commercio. . 540 810 81:0008000 



Total .... 684 1026 102:6008000 

Suppondo que a construcção do caminho de ferro tri- 
plique im mediatamente o movimento commercial e colo- 
nial do plan'alto, teremos por anno a importação de 3000 
toneladas. 

Calculando a tarifa do caminho de ferro, no primeiro 
anno, para os géneros de importação, egual a KKl réis por 
tonelada kilometrica, teremos o rendimento de: 

3000' X 100' X 100 réis ^: 30:0008000. 

Estas tarifas irão baixando proporcionalmente ao cresci- 
mento da importação até igualarem ás de exportação. 

Vejamos agora o resultado da exportação e tomemos 
para exemplo os dois géneros agrícolas mais abundantes 
no plan'alto, o trigo e o milho. 

E' evidente que a agricultura, actualmente paralisada 
por causa do excessivo preço do transporte nos carros hoers. 



— 157 — 

resurgirá com a construeçáo do caminho de ferro, se o 
preço do transporte dos prodiictos agrícolas para o litoral 
for tal, que deixe ganho ao agricultor. Pelos preços actuaes 
torna-se impossível exportar qualquer producto. Tomemos 
como exemplo o trigo, uma das principaes culturas do pia- 
ri'alto. O preço médio de um alqueire de trigo na Europa 
é de 600 réis nos centros comnierciaes; para ser vendido ao 
publico por este preço é necessário que o agricultor o venda 
por 450 a 500 réis. Suppondo que o agricultor do plan'aIto 
poderia vendel-o por 100 a 200 réis, ainda assim ninguém 
lhe compraria os seus trigos para os exportar por via de 
Mossamedes, visto que teria a pagar 18500 réis pelo trans- 
porte de um alqueire, vindo este a ficar em Mossamedes 
por 18700 a 188(X) réis, quando e preço ali do trigo de Por- 
tugal e do Cabo é de 700 a 800 réis. 

Com a construeçáo do caminho de ferro de Mossame- 
des á base da Chella os productos agrícolas do plan alto 
teriam a pagar dois transportes: um ao vagou hoer para os 
transportar dos centros productores á base da Chella e ou- 
tro ao caminho de ferro para os levar da base da Chella 
ao porto de Mossamedes. Vejamos se a somraa doestes 
transportes deixam margem a que o agricultor possa ven- 
der o trigo com ganho rasoavel e o comprador o possa 
exportar de Mossamedes com interesse. 

Está calculado que um hectare de terreno na Europa pro- 
duz em media 120 litros de trigo, sendo a cultura imper- 
feita e 160 sendo perfeita. Tomemos como base a media 
de 160 litros; o preço do alqueire vendido pelo productor 
é de 500 réis e vendido ao publico 600 réis. 

Sendo os terrenos do plan'alto bastante férteis e aptos 
para a cultura do trigo, que se desenvolve na proporção 
media de 100 sementes por 1, podemos calcular a sua força 
vegetativa quatro vezes superior á dos terrenos da Europa. 
Os ensaios feitos no parque da missão da Huilla com al- 
gumas variedades de trigo deram resultados fabulosos: 
verificou-se ali que o trigo da Califórnia em cultura per- 



joita riMuh* 2(M) s(»iuentt*s por 1 e outros trigos mais vulu-a- 
rrs no piau alto dão 1(K) a 150 por 1. 

ScMiâo, vojauios a produovão eui trig^o de cada uma das 
colónias i» (H^ntros i)ro(hu*tor(*s tMU relação á área culti- 
vada. 

Consideremos em primeiro loíi*ar as culturcis imperfeitas 
dos colonos nuuleirenses, que por falta de recursos não 
amanham devidamentt* os seus arimos. 

Xa coloniii Sá da Bandeira, cujos terrenos são fracos, a 
producvão t*m trino, no anuo i^conomico de 1890-1891. foi 
i\v 144:IMH) litros para a área cultivada de 819 hectares, o 
qut* dá 178 litros para 1 hectare. 

Na colónia da rhibia, cujos terrenos são os mais férteis, 
houve a produccão de 76.650 litros para 2.'v3 hectares, o 
que dá 270 litros por hectare. 

Xa Humpata. terreno médio, a producvão foi de 56.729 
litros para a área de 18S hectares, a que correspondem 
411 litros por hectaiv. A maior parte d esta pi'oduevão per- 
tence aos hf^t'i\>< e airricultores portuirui^zes. Podemol-a con- 
siilerar cultura aperfeiçoada. 

Vejamos aii^ora as culturas perfeitas. 

Xas propriedades airricolas do valle do Lupòlo, na ba- 
cia da Huilla, terrenos médios, houve a pi-oduccão de 
^MH)0 litros para V2\) hectares cultivadOvS. o que dá 666 li- 
tros por luHtart\ 

A Missão CathoUca produziu Ioíhkí litros pura a aiVci 
de 5n hei*tares, que dão 700 litros por uiiidadt-^ 

As propri^HladesauricolasdovalledoChimpuRipuiihime, 
ciy\>s terrenos sã»> considerados os mais ricos do pkm'alto^ 
renderam Iíní-jhhi Iitn.>s [)ara a área cultivada de I<H> he- 
ctares, o que dá 1< ««Mitros pt>r hectare I li. 



MM"' as ••^r:r>r;'-«'^ •; • '.-a-ii i::'::» das rí'!.>r:\!s» '^ru-ir.i^a ««^s .>í>«^arni<» «>s> 



Tomando a Jiiudia d'esta8 quantidades, vê-se qiu» os tes- 
renos do plan alto produzem 5í34 litros por heetar(\ 

X'estas condicvôes, se o agTÍeultor de Portuj^al vende o 
seu trig'o por 450 a 500 réis o alqueire, tendo o rendimento 
de 160 litros por liectare, o do plan'alto de Mossamedes 
com um rendimento quádruplo pode vendel-opor20() réis. 
Fixemos porém o pre^o em 800 réis. 

Xote-se que o agricultor em Portugal paga imj)()síos ao 
Estado e muitas vezes um aforamento ao proprietário do ter- 
reno, emquanto que o do plan alto está livre d'estes encargos. 

O hoer que leva 18500 réis pelo transporte de 15 kilos 
(peso médio do alqueire) do planalto para o litoral em 15 
dias de viagem fatigante com perda de gado e deteriora- 
ção do carro, pode fazer o m(\sjno transporte até a base da 
Chella em 1 dia de viagem, s(Mn prejuizo nem grande en- 
commodo, por 100 réis. 

Fica o alqueire* de trigo posto na esfcição do caminho de 
ferro por 4(K) réis. 

As tarifas da companhia náo podem deixar de ser leves 
para os gencTOs de exportação, afim de beneficiar a agri- 
cultura. 

('alculemos em 50 réis o transporte de uma tonelada 
por l«lometro: temos que o trigo do plan'alto pode ser 
posto em Mossamedes a 475 réis o alqueire, preço inferior 
ao do trigo do Cabo e da Europa vendido nas nossas pos- 
.sessôes da costa occidental, que regula, como dissemos, 
entre 700 a 80!) réis. Pode pois o trigo do plan'alto ser ex- 
portado para todas as colónias da costa occidental com ga- 
nho para o productor <* comprador (* vantagem para a 
praça de Mossamedes. 

Vejamos agora qual o rendimento que advém para o 
caminho de ferro com a exi)ortaçao do trigo, milho e ou- 
tros géneros no (^stado actual da colonisação do plan alto. * 

Actualmc^nte a superficie cultivada e arroteada nos 3 
concelhos, que formam a área salubre da colonisação euro- 
pea, é de 4000 hectares aproximadamente. 



— 160 — 

Partindo da hypothese que os colonos nas circunistancias 
actuaes só cultivam de trigo a quai'ta parte dos seus terrenos, 
visto não lerem interesse na sua cultura total, por isso que 
ninguém lhes compra os seus productos, podemos calcular, 
pela raza, que a construcçáo do caminho de ferro e a 
barateza dos transportes anime os colonos e agricultores a 
plantarem de trigo a área total dos seus terrenos; temos 
pois 16.0()0 hectares de terreno que a 500 litros de trigo por 
hectare produzirão annualmente 8.000.000 de litros ou 
8.000 toneladas. 

O milho, que é a principal cultura do gentio e cujo prei^^o 
é de 70 a 100 réis o alqueire, comprado nos centros de pro- 
ducçáo indígena, dará um grande contingente á exportai- 
çáo. Pode ser fornecido, quer por producçáo nas colónias,, 
quer comprado aos indígenas. 

Basta notar-se que só as 3 colónias madeirenses, á sua 
parte; produziram no anno económico de 1890-1891 a cifra 
total de 1:004:000 litros que foram consumidos ik) plan'alto. 

Calculando, pelo minimo, uma exportaçáo de milho 
egual ao quádruplo da do* trigo, teríamos 32:000:0Í)() de 
litros ou 82:000 toneladas. 

Alem do trigo e milho ha outros géneros que podem ser 
exportados desde já em grande escala, taes são: a batata, 
o cará e o feijão. 

A producváo doestes géneros, só nas 3 colónias madei- 
renses, aítingiu asseguintes cifras no anno económico de 
1890-1891: 

Batata doce ou cará .... 9.217.656 kilos 

Batata ingleza 58.245 

Feijão 555.322 litros 

que dão aproximadamente 10.000 toneladas. 

Isto em cuhura imperfeita e em pequena escala. 

Calculando que com a construcção do caminho de ferro» 
duplique a produc^*ão doestes 3 géneros, podem ser expor- 
tadas 10.001) toneladas. 



161 

Temos mais a exportação do gado por via do Mossa- 
medes para os portos, do norte, S. Thomé e Gabão, que 
regula actualmente, termo médio, por 2.000 cabeças por 
anno; este numero duplicará com a rapidez de conducçáo; 
os couros seccos, 5.000 por anno, pesando 75 toneladas; 
os couros curtidos, cujo movimento actual é de 1.500 a 
2.000, ou sejam 30 toneladas; as gommas, urzellas, madeiras 
de construcção ; a lenha, que se consome em Mossamedes, 
em media, 500 arrobas por dia, ou sejam 2.700 toneladas 
por anno. 

Da zona de Kapangombe, Biballa e Moninho, alem dos 
cereaes e fructas, existe a importante producção do algo- 
dão, que já attingiu a cifra de 30.000 arrobas por anno e 
certamente duplicará com a barateza dos transportes, dando 
900 toneladas; a aguardente; os passageiros, em media, 10 
por dia com a tarifa de 60 réis por kilometro; rendimento 
da linha telegraphica annexa ao caminho de ferro, etc, 
etc., o que tudo sommado dará aproximadamente o seguinte 
trafego e rendimento: 

Géneros diversos 3(XK)^X100'^X lOU rs. -- 3(kOOO$000 

Trigo SOOCXIOCX 50 is. -- 40:(X)0$0(X> 

Milho 32000' X 100" X 50 rs. - 160:000.$000 

Batata, cará, feijào 10000' X 100" X õO rs. -- 50:000$000 

Gado vaccum 4000'^ X 100" X 50 i-s. =- 20:000$000 

Couros seccos 75' X 100" X 50 rs. -- 375$000 

Couros curtidos 30' X KX)" X 50 is. ^ 150$000 

Lenha 2700'X HX)"X 50 rs. = 13:500$0OO 

Algodào 900'X 100"X 50 rs. = 4:500.$000 

Passageiros lOi' X 365'" X KX)" X 60 i-s. ^ 21:9OO.S0(X) 

Madeiras de construcçào 

(provável) 1000' X 1(K)" X 50 rs. -- 5:0(K).«;(XX) 

Cereaes, fructas e aguardente 

de Kapangombe (provável) 10:tXX)$0(X) 

Receita da linha telegraphica 5:(XX)$(XX) 

Géneros não especificados 5:0(X)$0(X) 

Total da receita bruta 3()5:425.$0(X) 



í 



— 162 — 

Transporte 36o:425$000 

Calculando, conforme o fez o distincto engenheiro Ma- 
chado, era 500$<X)0 réis as despezas de exploração 
por kilometro, o que está de aecordo com aopiniàode 
M. Regis Tartary, teremos para despeza geral em líKJ 
kilometros r)l):lX)(J$00O 

Total da receita liquida 81õ:425$00O 

O que dá um rendimento de 8:000S000 rs. por kilometro^ 
receita superior á de muitas linhas de lni,45 na Europa. 

Ha pois no estado actual da colonisação do plan alto de 
Mossamedes elementos bastantes para sustentar a explora- 
ção de um caminho de ferro económico de via reduzida^ 
mesmo quando não suba a Chella. 

Ao apresentarmos este modesto estudo sobre o caminho 
de ferro de Mossamedes não nos move a idéa de metter- 
mos foice em ceara alheia. Confessamos a nossa incom- 
petência em assumptos de engenharia. Guiou-nos a vonta- 
de de sermos útil ao progresso da colonisação europêa no 
districto de Mossamedes, lembrando um plano de fácil rea- 
lisação e moderadas despezas. 

O projecto do illustre engenheiro Machado, conforme 
foi approvado pelo parlamento, independente do tro- 
ço da Chella, realisa uma diminuição considerável no or- 
çamento geral. Tendo sido calculada a despeza de cons- 
trucção por kilometro na secção da Chella em 27:000S000 rs. 
e sendo a sua extensão de 29 kilometros, a supressão doesta 
secção daria 'a diminuição de perto de 800:01 )()80()C) rs. Como 
a media de 16:0008{)()()rs. por kilometro foi estabelecida fa- 
zendo entrar no calculo o preço kilometrico da secção da 
Chella, suprimido este, vem a ficar o preço médio de 
10:000.S00()rs.p()rkilometro,oque daria 1.000:0008000 réis 
para a despeza geral da construcção desde Mossamedes á 
base da Cordilheira. 

Fallando nós com o illustre engenheiro sobre este as- 
sumpto, disse-nos elle que, com algumas variantes a in- 






traduzir no traçado e modifícaçõos resultantes dos moder- 
nos aperfeiçoamentos da engenharia, poderia aquella cifra 
baixar a menos de mil contos. 

Iíli-i-»ta impoi-tante 

Na pagina 141) — linhn 3H, onde se 1(1 6.000 co!onos.l(>a-se 3.000 colonos. 



CAPITULO X 

CONCiXSÒES 



cconhece-se da descripvão que 
temos feito do estado actual daeo- 
lonisa^'ão europèa uo piau "alto de 
Mossaniedes. que ali se encontram 
reunidos todos os elementos favo- 
ráveis ao desenvolvimento de um 
vasto centro de irradiavão da ra(,*a 
branca, contando já importantes 
núcleos commerciaes e agrícolas, 
as florescentes colónias Sá da Ban- 
deira. S. Pedro da Chibia, S. Januário, Palanka e Huilla, 
O eliitia é salulux' e próprio para a proerea^-áo da raça 
branca. (]ue ali S'' desenvolve em condiç-ões normaes. idên- 
ticas ás dos paizes temperados da Europa. 

Os teiTcnos são ferieis, produzindo com extraordinário 
viííor todas as culturas curopêas e algumas interlropicaes. 



— 165- 

Os recursos próprios do paiz são abundantes, mas teeni 
sido explorados em pequena escala por falta de orientação 
scientifica e pratica, de que resultam alguns erros e de- 
feitos, mais dependentes das pessoas do que das cousas, e 
que concorrem para prejudicar o regular desenvolvimento 
da colonisação. 

Toma-se precisa uma remodelação completa, na orga- 
nisaçáo e administração das colónias agrícolas e um novo 
systema de contracto para os colonos. 

Em vez de camará municipal (no Lubango) e commis- 
sões municipaes (na Huilla e Hum pata), constituídas por 
individuos sem illustração, nem o menor conhecimento dos 
deveres civicos, e que, pelo geral, viciam os colonos incu- 
tindo-lhes o pernicioso gérmen da, poUtico-mania, em detri- 
mento da boa harmonia, paz e applicaçáo aos labores da 
agricultura, originando facções de politica soez e mesqui- 
nha em beneficio d este ou aquelle influente ambicioso, 
julgamos mais racional e consentâneo com os interesses 
dos colonos e progresso da colonisação a creaçâo de um 
conselho composto de um agrónomo, ura medico e um 
conductor de obras publicas. O primeiro estudará hs con- 
dições agrícolas dos terrenos, a sua composição chymica, 
as modificações e melhoramentos a introduzir nos pro- 
cessos de cultura, conforme as circumstancia*s do clima e 
solo, ministrando aos colonos todos os conhecimentos re- 
lativos á agricultura e arboricultura, creaçáo e pastoricia 
do gado, etc, dirigindo a sua educação pratica e fiscali- 
sando os trabalhos ruraes de modo a obter-se maior e me- 
lhor producção. O segundo terá a seu cargo o estudo das 
questões relativas á salubridade, dimatohigia, escolha dos 
terrenos para a fundação das colónias, hygi ene das povoa- 
ções e casas, etc. O terceiro estudará e presidirá ás cons- 
truc(;íões das obras publicas e particulares dando-llies uma 
feição em harmonia com a boa hygiene e os preceitos de 
architectura, subordinando as povoações a um plano que 
as torne mais regulares, aceiadas e salubres. 



— 166-^ 

Este conselho, depois de elaborar um plano scientifico 
que sirva de base á remodelação dos serviços, terá a su- 
perintendência de todas as colónias agricolas, resolverá 
todas as questões que digam respeito á colonisação do 
plan'alto, organisação e administração das colónias. 

Em substituição da actual divisão em concelhos, com os 
vicios e despezas inherentes á organisação adoptada no 
ultramar, as colónias formariam um só concelho adminis- 
trado por um inspector com a assistência do conselho colo- 
nial, tendo por delegados os directores das colónias, que, 
em vez de militares, seriam indivíduos habilitados com os 
cursos de agronomia e veterinária. 

Tirar todo o cunho de militarismo ás colónias de natu- 
reza agrícola, dando-lhes uma orientação scientiíica de* 
incontestável vantagem e utilidade para as lutas pacificas 
do trabalho, parece-nos a verdadeira, e única base racional 
para a ordem, progresso e desenvolvimento da colonisação. 

O systema de contracto actualmente em vigor para os 
colonos é defeituoso e dispendioso, e tem concorrido para 
o pouco aproveitamento das suas aptidões agrícolas. 

Os colonos recebem um subsidio pecuniário durante os 
dois primeiros annos do seu contracto, que é feito por cinco 
annos. Quer dizer, que o colono contrahe a obrigação de 
servir o Estado durante aquelle tempo mediante um salá- 
rio, que é, como dissemos, de 300 réis diários para os ho- 
mens, 200 para as mulheres e 100 para as creanças. 

Considerando a família formada de 4 pessoas, (') marido, 



(1) Os colonos madeirenses náo se limitam a levar as mulheres e 
filhos, conduzem para o plan'alto os irmãos, tios, primos e primas, ete. 
e porque não houvesse mais graus na escala do parentesco, inventou-se 
na Madeira a classificação de aggregados para creanças e mulheres que 
sáo remettidas isoladas da familia/Náo raro vimos guias do theor se- 
guinte: 

Setjue para o districto de Moasamedea o colono. . . . levando na ma 
companhia tantas pessoas de familia e tantos. . . . aj/greíjados. . . . 



- 167 — 

mulher e dois filhos, vemos que cada família recebe por 
dia a quantia de 700 réis, que sommam por mez 21^000 
réis e por armo 252$000 réis. Segundo a torma de contra- 
cto em vigor,*o subsidio dura por dois annos. Cada familia 
recebe pois do Estado o subsidio total de 504$000 réis. 

A esta verba temos de acrescentar as ferramentas agrí- 
colas, que lhes são distribuídas gratuitamente no porto de 
embarque, as passagens, etc, que elevam aquella impor- 
tância á cifra de ooOSOOO réis. 

O colono, logo que chega ao plan'alto, recebe dois hecta- 
res de terreno para cultivar. A propriedade deste terreno 
é lhe garantida no fim dos cinco annos do contracto. 

Em resumo, o colono depois de cinco annos de residên- 
cia no plan'alto possue dois hectares de terreno, que pode 
vender, trocar, hypotheear, etc, e tem recebido do Estado 
550S000réis. 

Vejamos, por outro lado, qual a compensação que elle 
dá ao Estado. 

Parece que sendo elle contractado por conta do governo 
e consumindo-lhe uma importante' verba, deveria trabalhar 
para o Estado no todo ou em parte, durante o período do 
contracto ou em parte d'elle. 

Não succede porém assim. O colono trabalha para si, e o 
Estado nenhum resultado colhe, que lhe compense os pe- 
sados encargos da colonisação. 

A experiência demonstra que os colonos pouco se dedi- 
cam aos trabalhos ruraes, emquanto recebem o subsidio, 
e a prova desta verdade tornou-se por tal forma evidente, 
que, por varias vezes, o illustrado governador geral Ca- 
pello ordenou que se reduzisse á metade o subsidio aos 
colonos. 

O subsídio, nas condições em que é feito, não tem razão 
de existir. Concorre para o atrazo da agricultura desviando 
o colono das suas occupações, e tem sido um rendoso meio 
de explorai' a boa fé do Estado com grave prejuízo para a 
ordem e moralidade nas colónias. 



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O madeirense é de natureza indolente, de pouco alimento 
e muito propenso ao vicio das bebidas alcoólicas, em es- 
pecial, a aguardente. Com 700 réis por dia, um pouco de 
cará e ervilha tem elle a ração alimenticia ef uma garrafa 
de aguardente para entreter o vicio!! E, vergonhoso é di- 
zel-o, nem sempre terii havido da parte das authoridades 
o rigor das repressões para cohibir estes abusos, quando 
vemos que alguns directores de colónias, esquecidos da 
grave responsabilidade que lhe impõem as funcçòes offi- 
jBiaes, são os primeiros a dar o exemplo da desmoralisa- 
ção, abrindo ao publico lojas em que figura como género 
de maior consumo e rendimento a aguardente, e explo- 
rando os vicios dos seus administrados ! ! ! 

Os colonos devem ser escolhidas na Madeira, Açores e 
províncias do continente d'entro as populações ruraes. 
Convém que sejam homens robustos, sóbrios e morige- 
rados. (1) 



(1) A portaria de âl de mar^^d^? 1892, assignada pelo nobre mi- 
nistro da marinha, o conselheiro Ferreira do Amaral, regulando a con- 
cessão das passagens gratuitas aos emigrantes, é um documento impor- 
tante para a historia da colonisaçào europêa na Africa e que vem pôr 
cobro ás irregularidades e abusos da emigração vadia. 

Por ser documento de alta valia e significação para o progresso da 
colonisação branca e revellar uma orientação que é a nossa, damol-o 
na integra, como homenagem aos intuitos patrióticos do illustrado mi- 
nistro da marinha. 

«Havendo mostrado a experiência ser difflcil obterem prompta e pro- 
veitosa coUocaçào nas províncias africanas os individues, aos quaes o go- 
verno tem concedido passagem gratuita para as ditas províncias, quando 
esses individues não sejam officiaes de algum dos oíTlcios de carpin- 
teiro, pedreiro ou serralheiro, ou quando não hajam sido previamente 
contractados na metrópole para exercitarem qualquer outro mister no 
local para onde se destinarem; 

aOonvindo regular a concessão das passagens gratuitas nos termos 
dos contractos celebrados com as companhiiis de navegação para a 
Africa oriental c oceidental, por forma que o beneficio que só deve ser 



— 169 — 

Em vez do subsidio por dois annos, bastará dar-lhes no 
porto de embarque um adiantamento a titulo de emprés- 
timo para se proverem de roupas, ferramentas, ete. 

Convém que cheguem a Mossamedes por grupos de fa- 
milias durante os mezes da esiaçáo secea, de maio a outu- 
bro, sendo conduzidos para o plan alto com todas as cau- 
tellas e sob a vigilância do governo. 

Deve-lhes ser facultativa a escolha da colónia ou locali- 
dade, onde queiram estabelecer-se. 

Ahi deverão installar-se durante os primeiros mezes em 
uma construcçáo do Estado, montada com todas as com- 
modidades e preceitos hygienicos, destinada para abrigo 
dos colonos recem-chegados. 

O Estado íbrnecer-lhes-ha uma importância por emprés- 
timo para construir a sua casa, subordinando-a a um typo 
geral de construcções em harmonia com o plano adoptado, 

O colono receberá do Estado um terreno com a aréa de 



concedido a colonos em adequadas circurnstancias nào se converta em 
prejuízo dos próprios emigraníes, das provincias africanas e do thesouro: 
« Manda SuaMagestade El-Rei, pela secretaria d'estado dos negócios 
da marinha e ultramar, dar conhecimento publico aos pretendentes de 
passagem gratuita para as provincias africanas, que, alem das passa- 
gens, gratuitas, nos termos dos alludidos contractos já auctorisados para 
os paquetes a sair proximamonto de Lisboa para a Africa oriental e 
Occidental, mais nenhuma passagem gratuita será concedida sem que o 
requerente provo ter algum dos indicados oíRcios de carpinteiro, pe- 
dreiro ou sorralhí^ro, sor menor de trinta annos e tor tido bom compor- 
tamento; podendo -se, todavia, conceder também passagem gratuita a 
outros indivíduos sem estas condições, uma vez que provem achar-se 
contraetados para qualquer outro mister que lhes assegure occupaçáo no 
logar para ond(? solicitem passagem; em todo o caso, porém, os emi- 
grantes com passagem gratuita serão previamente inspeccionados por 
uma junta medica para apreciar se eiles teem robustez sufliciente, e 
probabilidades de resistência á acçáo debilitante dos climas africanos. 

«Paço, em 31 de março de 18^)2, ^~^ Francisco Joaquim Ferreira do 
AmaraJ.y^ 



-170 — 

4 hwtan^H para cultivar sob a iinmediata fisealisaçào de 
um ajtfrouoino, uma junta de bois, as sementes para as pri- 
imúvaH culturas o a alimentação durante os seis primeiros 
mczcH, 

O tí*rrono distribuido será propriedade do colono no 
ílm (loH 5 annos do seu contracto. 

Do rondimonto das colheitas uma percentagem perten- 
cvvÁ ao Rstado e será dividida em duas partes, uma para 
pa^aiUiMito dos adeantamentos e outra para compensar os 
euíuirgos íícraes da colonisação. Esta será permanente e 
t(U'n o (*aractor de imposto» a primeira subsistirá por todo 
o tt^nipo do contracto até que o colono esteja quite com a 
fazemla nacional, 

A despeza a fazer com uma família composta de 4 pes- 
soas podengos calcular aproximadamente da sesruinte 
forma : 

Adt^antamento no porto de embarque 
para ix>ui)a, utensílios, instrumentos 

ite lavoura, etc ofXSlXW) 

huportauria para coiistruicão da casa. irn)Sl.O) 

Tuia junta do bois :>0>aXlí > 

St^uoutcs para as prinuâra^ riilíunt<.. ,>Sí)i^ii) 

AUu)outavào durant»^ o< [»ririif4rr>s H 

uiozcs á razào de õ^ ^ > r^'L< p*»r dia ... l^H >Sl)(M) 

Tur.tl 27oSi M H > 

(> Oi^loiu) pv>de (>!.t»-r [^ir .tnriu o >.l-^•ll:tlt^* r»-unUuieato 
bruti> aproximado. i'uIt:v,i:i'lM «i ;ir^Ni total ijo terrt-^iio que 
lho ó (li->li'ií>iii(lo, siM'[-n:i.li^ í|'i.-' f.,z imia ciilrura do tri- 
í;í> ck uuia do batata, on^ra <[.• f»:;.;-) t» miliia i-). 



rJ O il''NfiiV'»I\ •:;;. r:''} -i.i ' .r r l f- \in .^ -m-v'!::! .Í'l:-i oní media 



— 171 - 

Trigo — a 500 litros por hectare, dá 

500'x4"=2000'-133 alq^, vendido a 

300 o alqueire, rende: 

133 alq/^x300 réis= 39$()í)í) 

Batata — Segundo o calculo de Baus- 

singault uma área de terreno produz 
a batata era proporção quadrupla 
da do trigo (^). 
Podemos calcular uma producçáo de 
500 arrobas para 4 hectares de ter- 
reno; ao preço de 300 réis a arroba 
rende — 500 ^ x 300 réis = 150«000 

Feijão — producçáo egual á do trigo : 

133 alq/*^x300 réis - 39SOO0 

Ervilha — producção um pouco infe- 
rior á do trigo— 100 alq/^x300 réis~. 30$000 

Total 258$000 

Estes são os géneros mais importante» para a exporta- 
ção, alem d'elles os colonos cultivarão o cará, milho, grão 
de bico, centeio, fava etc. para a sua alimentação. 

Insistimos sobre a íiscalisação dos trabalhos ruraes du- 
rante o período do contracto, porque a experiência tem de- 
monstrado que os colonos da Madeira, entregues ásua pró- 
pria iniciativa, pouco produzem, e tendem a desviar-se das 
suas naturaes occupações para se entregarem a outros 
misteres ou á vadiagem. 

Uma outra hypothese, que se nos afigura realisavel, seria 
a exploração agrícola de toda a área salubre do plan'alto 
por conta de uma poderosa companhia, que tomasse á sua 
responsabilidade todos os encargos da colonisação, respei- 
tando os contractos estabelecidos e direitos adquiridos e 
recebendo do governo para administrar por conta própria 



(3) Vojii-se a tabeliã na pagina 120. 



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